Ouça o Agência CMA Podcast de 14 de junho

Para ouvir o Podcast, clique no botão logo acima. Se preferir a versão em texto, a transcrição está logo abaixo. Tem sugestões, reclamações, críticas ou elogios? Envie um e-mail para g.nicoletta@cma.com.br.

Olá ouvinte do Agência CMA Podcast. Eu sou Gustavo Nicoletta, editor-chefe da agência, e este é o resumo da semana.

A reforma da Previdência continuou no centro das atenções do mercado nos últimos dias. A medida, cujo objetivo é limitar o aumento no déficit das contas públicas nos próximos anos, é o ponto de partida do plano do governo para retomar o crescimento.

A primeira revisão oficial da proposta foi apresentada ontem a uma comissão da Câmara dos Deputados. Nesta versão, foram removidas as alterações que haviam sido propostas pela equipe econômica do presidente Jair Bolsonaro à aposentadoria rural e a pagamentos a idosos em situação de miséria.

Também houve redução no tempo mínimo de contribuição à Previdência exigido de mulheres – o governo queria aumentar para 20 anos, mas na versão revisada esse período ficou em 15 anos . Também foi estabelecida uma idade menor que a originalmente esperada para a aposentadoria de professoras.

Boa parte destas mudanças era prevista, e por isso o mercado reagiu bem à nova roupagem da reforma da Previdência, principalmente depois que o autor da proposta, deputado Samuel Moreira (PSDB-SP), disse que ela resultará numa economia de mais de R$ 900 bilhões ao longo dos próximos anos.

Parte disso seria financiado com um aumento na alíquota da Contribuição sobre o Lucro Líquido (CSLL) de bancos de 15% para 20%. Este trecho específico da reforma pesou sobre as ações destas empresas no pregão de ontem.

A versão revisada da reforma da Previdência também removeu um dispositivo legal que permitiria replicar os parâmetros federais de aposentadoria para servidores públicos estaduais e municipais – o que ajudaria a diminuir o rombo nas contas públicas destas esferas de governo.

Outro ponto que também foi removido foi um dispositivo prevendo o regime previdenciário de capitalização. O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), explicou que isso foi feito para que pudessem ser mantidos outros trechos mais importantes para a reforma do ponto de vista fiscal. Ele também disse que o regime de capitalização pode ser discutido a partir do segundo semestre, com mais calma, para que seja possível avaliar melhor o custo de transição.

Na semana que vem, no Brasil, o foco continuará sobre o andamento da reforma da Previdência, mas é esperado pouco progresso em relação a esta semana. A previsão é de que todas as reuniões da comissão especial que analisa a reforma sejam para discutir a proposta revisada, sem possibilidade de votação do texto.

O feriado na quinta-feira, quando os mercados brasileiros permanecerão fechados, ajuda a desacelerar a marcha da tramitação da reforma previdenciária no Congresso, assim como o período de festas juninas, que deve diminuir o quórum na Câmara dos Deputados e no Senado.

Vale ficar de olho na audiência do ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, na Câmara dos Deputados, na terça-feira. Ele foi convocado para falar sobre o decreto de armas, mas pode tratar de outros assuntos pendentes, como o pacto entre Poderes anunciado no final de maio.

A próxima semana trará também a decisão do Comitê de Política Monetária do Banco Central, o Copom, na quarta-feira. Há uma expectativa crescente de que o grupo eventualmente reduzirá a taxa básica de juros, a Selic, e a busca por sinais sobre essa potencial redução deve pautar a reação do mercado à decisão.

No exterior, o evento mais importante da semana também é uma decisão de política monetária – a do Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos, também na quarta-feira. Por lá também há expectativa crescente de que a instituição diminuirá os juros, principalmente em função dos efeitos negativos da guerra comercial entre o país e a China, mas o mercado acha que o corte na taxa virá nos próximos meses, não agora.

Na Europa, haverá uma conferência do Banco Central Europeu, o BCE, em Portugal. Ela começa na segunda-feira e termina na quarta-feira, e pode ser que as autoridades da instituição aproveitem o evento para sinalizar o caminho das próximas decisões de política monetária.

Ainda na Europa, haverá uma reunião de cúpula dos países da União Europeia na quinta e na sexta-feira, e pode ser definido quem será o próximo presidente da Comissão Europeia. As apostas são de que o cargo irá para o alemão Manfred Weber. Se for confirmada, isso diminuiria as chances de o próximo presidente do BCE também ser alemão.

Os bancos centrais da Inglaterra e do Japão também devem anunciar decisões de política monetária, na quinta-feira. Além disso, ao longo da semana que vem são esperadas votações do Partido Conservador do Reino Unido para definir quem serão os dois principais candidatos a liderar o grupo – e a assumir o cargo de primeiro-ministro britânico. Boris Johnson é o nome mais provável até o momento.

Com isso eu encerro o nosso boletim semanal. Boa semana, bons negócios.

WP Facebook Auto Publish Powered By : XYZScripts.com