Otimismo externo faz Bolsa subir; dólar tem alta com baixa liquidez

São Paulo – O Ibovespa iniciou a última semana de 2020 com uma alta consistente, acompanhando o bom humor dos investidores estrangeiros, firmando-se acima dos 119 mil pontos, e fechando no nível mais elevado desde 23 de janeiro, mas sem fôlego para buscar a máxima histórica do índice na sessão de hoje. O movimento ocorre apenas alguns pregões depois de o principal índice de ações da B3 ter zerado as perdas em 2020. Diante da liquidez reduzida, o índice fechou em alta de 1,11%, aos 119.123,70 pontos.

O dia começou com os europeus estão animados com o acordo entre o Reino Unido e a União Europeia para uma solução negociada para o Brexit. Já os norte-americanos celebravam o fim do suspense em torno de uma nova rodada de estímulo à economia dos EUA e da possibilidade de fechamento do governo depois de o presidente em fim de mandato, Donald Trump, ter finalmente sancionado o projeto de lei após ameaçar não o fazer.

O economista-chefe da Infinity Asset, Jason Vieira, avaliou que, diante destes dois desdobramentos, o restante de 2020 tende a ser positivo para os mercados financeiros. “Caso nenhuma intempérie ocorra até o fechamento de um ano que muitos querem esquecer”, ponderou.

No cenário local, diante do esvaziamento da agenda pelas festas de fim de ano, as atenções dos investidores permanecem concentradas em potenciais ruídos envolvendo a sucessão no comando das duas casas do Congresso e no descaso público do governo em relação à urgência de uma campanha de vacinação que acelere a imunização e permita uma retomada econômica rápida e consistente.

“Infelizmente, o país parece observar, de braços cruzados, o processo de vacinação global, sem que haja uma organização ou coordenação mais efetiva”, observou Dan Kawa, sócio-diretor da TAG Investimentos.

Na avaliação de Kawa, no curto prazo, os ativos brasileiros serão ajudados pelo fluxo global para ativos que se beneficiam da recuperação mundial, como as commodities. “Contudo, sem um processo de vacinação em massa, corremos o risco de ficar para trás no processo de recuperação e pagarmos um preço elevado em momentos de menor liquidez global,” advertiu ele.

O dólar comercial fechou em alta de 0,75% no mercado à vista, cotado a R$ 5,2390, no maior valor de fechamento desde o dia 2 deste mês, em sessão de forte volatilidade e amplitude em meio ao movimento local de ajuste realizado por empresas e bancos, além da baixa liquidez e poucos negócios na última semana do ano. Com isso, a moeda norte-americana engatou o quinto pregão seguido de alta.

O gerente de mesa de câmbio da Correparti, Guilherme Esquelbek, reforçou que o dólar exibiu um forte viés de alta com as “remessas corporativas características desta época do ano” e também pela desvalorização de algumas moedas pares do real frente ao dólar lá fora.

“Em dia de pouca liquidez e zeragem do overhedge que, tem data limite até quarta-feira, o dólar bateu máximas consecutivas até chegar na casa de R$ 5,31”, comenta.

O diretor da corretora Mirae Asset, Pablo Spyer, reforça que na última semana do ano, o volume de negócios foi baixo, com o mercado atento ao Banco Central (BC). A autoridade monetária entrou no mercado por meio de um leilão de venda de dólares no mercado à vista, no qual vendeu US$ 530,0 milhões, após a moeda operar no maior valor intraday desde o primeiro pregão do mês.

Amanhã, em meio à agenda de indicadores esvaziada e na penúltima sessão de 2020, o economista da Guide Investimentos, Alejandro Ortiz, aposta em uma cotação entre R$ 5,20 e R$ 5,25 após um forte fluxo de entrada de recursos estrangeiros no país, o que levou o dólar a “beliscar” os R$ 5,01 no início do mês. Ortiz ressalta que o mercado deverá ficar atento ao Banco Central à espera de ações para “atenuar as pressões de overhedge”.

O dólar comercial acelerou a alta ao longo do dia, puxando as taxas dos contratos futuros de juros (DIs) pra cima. O Banco Central interveio no dólar, fazendo ele perder força, mas sem tirar o viés de valorização. Com isso, os DIs encerraram a sessão em alta, acompanhando o movimento da moeda norte-americana e a baixa liquidez.

Ao final da sessão regular, o DI para janeiro de 2022 encontrava-se a 2,92%, de 2,875% no ajuste anterior; o DI para janeiro de 2023 projetava taxa de 4,315%, de 4,27%; o DI para janeiro de 2025 tinha taxa de 5,83%, de 5,81%; e o DI para janeiro de 2027 seguia estável a 6,61%.

A combinação de estímulos monetários, federais e início da vacinação fizeram com que os principais índices do mercado de ações norte-americano iniciassem a última semana de negociações do ano em tom positivo, atingindo recordes no fechamento.

Confira abaixo a variação e a pontuação dos índices de ações dos Estados Unidos no fechamento:

Dow Jones: +0,68%, 30.403,97 pontos

Nasdaq Composto: +0,74%, 12.899,42 pontos

S&P 500: +0,87%, 3.735,36 pontos