Otimismo com vacina da Moderna dita ritmo dos mercados

São Paulo – O Ibovespa acelerou ganhos no fim do pregão e fechou em alta de 1,62%, aos 106.429,92 pontos, em mais um dia de otimismo global em função do avanço de vacinas contra o coronavírus e após dados positivos das economias asiáticas. Com essa valorização, o índice encerrou no maior patamar de fechamento desde o dia 4 de março (107.224,22 pontos), antes dos seis circuit breakers vistos a partir de março com o impacto da pandemia de coronavírus nos mercados.

O volume total negociado foi de R$ 38,1 bilhões, incluindo os R$ 14 bilhões do exercício de opções sobre ações ocorrido hoje.

“A alta foi expressiva, o Ibovespa rompeu o patamar de 105 mil pontos com algumas questões positivas, a começar pelos dados divulgados pela China, com uma produção industrial bem robusta. A notícia da vacina da Moderna também é bem importante, temos algumas opções de vacina caminhando e isso traz expectativa de retomada econômica”, disse o analista da Guide Investimentos, Henrique Esteter.

A empresa Moderna anunciou que dados preliminares da fase três de testes mostram que sua vacina é mais de 94% eficaz na prevenção do coronavírus, em estudo com mais de 30 mil participantes nos Estados Unidos. A vacina é ainda mais eficaz do que a da Pfizer em parceria com a Biontech, que recentemente anunciou eficácia de 90%.

Já na Ásia, a Bolsa de Tóquio alcançou seu maior nível em 29 anos nesta segunda-feira depois que a economia registrou sua primeira expansão em quatro meses, com o PIB crescendo 5% no terceiro trimestre ante o segundo trimestre. Na China, as vendas no varejo, produção industrial e investimento também subiram, mostrando continuidade na recuperação. Além disso, várias nações asiáticas assinaram a Parceria Econômica Regional Abrangente (RCEP, na sigla em inglês) criando um bloco comercial na região.

No Brasil, os resultados deste primeiro turno das eleições municipais são digeridos, com a leitura de que o presidente Jair Bolsonaro amargou a derrota de aliados, a principal delas em São Paulo, e com fortalecimento de candidatos considerados de centro. Além disso, o Congresso também volta ao trabalho com a possível tentativa de algum avanço na agenda e votação de medidas apresentadas pelo governo.

Entre as ações, voltou a ocorrer um movimento de rotação se setores, com avanço de papéis de segmentos que sofreram mais durante a pandemia, em detrimento daqueles que tiraram vantagem do período.

É o caso das ações da Azul (AZUL4 10,86%), da Gol (GOLL4 8,48%) e da Embraer (EMBR3 8,05%), que caíram com os efeitos da pandemia e hoje fecharam entre as maiores altas do Ibovespa. Ainda entre as maiores altas ficaram os papéis de bancos, como Santander (SANB11 7,24%). Outros papéis de peso para o índice ainda fecharam em alta, caso da Petrobras (PETR3 3,23%; PETR4 2,91%) e da Vale (VALE3 2,28%), em meio a informações de que o BNDES vendeu ações da mineradora em um block trade.

Na contramão, as maiores perdas foram da Totvs (TOTS3 -2,44%), Braskem (BRKM5 -3,11%) e Lojas Americanas (LAME4 -1,95%).

Amanhã, investidores devem ficar atentos a uma série de indicadores que devem ser divulgados nos Estados Unidos, como vendas no varejo e produção industrial, além de acompanharem o discurso do presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), Jerome Powell, em evento às 15h.

O dólar comercial fechou em queda de 0,69% no mercado à vista, cotado a R$ 5,4360 para venda, influenciado pelo otimismo que prevaleceu no exterior em meio aos dados de atividade positivos na Ásia e com a notícia de que os testes de uma vacina desenvolvida pela farmacêutica Moderna tiveram mais de 94% de eficácia contra a covid-19, o que alimentou o apetite por risco ao longo da sessão.

O diretor superintendente de câmbio da Correparti, Jefferson Rugik, observa a moeda abriu os negócios em forte queda reagindo à notícia sobre a vacina, abaixo dos R$ 5,40 renovando mínimas sequenciais.

“Até chegar ao nível de R$ 5,36, momento em que a moeda passou a ficar ‘barata’ e acabou atraindo importadores e tesourarias de bancos para recomporem posições. O que levou a divisa ficar acima do patamar da abertura”, comenta. Na Ásia, a produção industrial subiu 6,9% na China no mês passado, enquanto o Produto Interno Bruto (PIB) do Japão teve alta de 5,0% no terceiro trimestre ante ao anterior.

Rugik reforça que, ao longo da tarde, investidores moderaram o apetite por risco, o que levou a moeda a R$ 5,45, apesar positivo para as moedas de países emergentes. O analista da Toro Investimentos, Lucas Carvalho, acrescenta que houve um movimento de correção, após fechar a semana passada valorizada. “Além da notícia da vacina, tem um viés corretivo na queda de hoje”, diz.

Para Carvalho, amanhã, o mercado deve ficar atento ao resultado das vendas no varejo e da produção industrial nos Estados Unidos, em outubro. O mercado prevê altas de 0,5% e de 0,9%, respectivamente. O presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, participará de um evento à tarde.

As taxas dos contratos de juros futuros (DIs) encerraram a sessão sem uma direção única, com os vencimentos mais curtos devolvendo prêmio, enquanto os vértices mais longos rondaram os níveis verificados ao final da semana passada, ensaiando ligeira alta. Enquanto a queda do dólar e o ambiente externo favorável aos ativos de risco beneficiou o primeiro trecho, ainda que em um ritmo moderado, a expectativa por novidades sobre a questão fiscal no Brasil inibiu o movimento no trecho longo.

Ao final da sessão regular, o DI para janeiro de 2022 ficou com taxa de 3,29%, de 3,34% no ajuste anterior; o DI para janeiro de 2023 projetava taxa de 4,89%, de 4,94% após o ajuste na última sexta-feira; o DI para janeiro de 2025 encerrou em 6,69%, de 6,70%; e o DI para janeiro de 2027 tinha taxa de 7,47%, de 7,46%, na mesma comparação.

A notícia de mais uma candidata a vacina contra a covid-19 alimentou o apetite do investidor para o risco e fez com que os índices do mercado de ações norte-americanos terminassem a primeira sessão da semana em forte alta, com o Dow Jones e o S&P 500 renovando máximas no fechamento.

Confira a variação e a pontuação dos índices de ações dos Estados Unidos no fechamento:

Dow Jones: +1,60%, 29.950,44 pontos

Nasdaq Composto: +0,80%, 11.924,12 pontos

S&P 500: +1,16%, 3.626,91 pontos