Opep e aliados mantêm aumento de oferta em 400 mil bpd em outubro

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São Paulo – A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e seus aliados, grupo conhecido como Opep+, concordaram em continuar aderindo aos termos atuais do acordo e aumentar a produção de petróleo em 400 mil barris por dia (bpd) em outubro, citando a força dos fundamentos do mercado.

“Reconfirmar o plano de ajuste da produção e o mecanismo de ajuste da produção mensal aprovado na 19 reunião e a decisão de ajustar para cima a produção geral mensal em 400 mil barris por dia para o mês de outubro de 2021”, diz comunicado oficial.

Em abril de 2020, a Opep+ cortou 10 milhões de bpd de sua capacidade em uma tentativa de mitigar os efeitos da pandemia de covid-19 sobre o mercado de petróleo e sobre a demanda por combustíveis. Em julho deste ano, o grupo concordou em liberar milhões de barris de petróleo nos próximos dois anos, comprometendo-se a restaurar todos os cortes que fizeram no início da pandemia.

Na ocasião, os países optaram por se movimentar gradativamente, com parcelas mensais de 400 mil barris por dia (bpd) a partir de agosto deste ano e até o final de 2022. A Opep+ deve se reunir novamente em 4 de outubro para reavaliar o pacto em vigor.

No encontro de hoje, a Opep+ observou que, embora os efeitos da pandemia de covid-19 continuem a lançar alguma incerteza, os fundamentos do mercado se fortaleceram e os estoques globais continuam a cair à medida que a recuperação econômica se acelera.

O grupo decidiu ainda estender até o final de dezembro deste ano o período de compensação para países com baixo desempenho. Segundo a Opep+, o nível de conformidade com o acordo que limita a oferta foi de 110% em julho incluindo o México e de 109% sem os mexicanos.

“Prolongue o período de compensação até o final de dezembro de 2021 conforme solicitado por alguns países com baixo desempenho e solicite que os países com baixo desempenho apresentem seus planos de compensação até 17 de setembro de 2021”, diz o comunicado.

PRESSÃO DA CASA BRANCA

No dia 11 de agosto, a Casa Branca pediu à Opep para aumentar a produção de petróleo, dizendo que os aumentos planejados são insuficientes, já que países ao redor do mundo buscam emergir da pandemia de covid-19.

Na ocasião, o assessor de Segurança Nacional dos Estados Unidos, Jake Sullivan, disse em um comunicado que os recentes aumentos de produção planejados pela Opep “não compensariam totalmente os cortes de produção anteriores” feitos pelo cartel e seus aliados produtores de petróleo durante a pandemia.

Junto com o pedido à Opep, o governo norte-americano convocou na época a Federal Trade Commission (FDT) para monitorar o mercado de gasolina dos Estados Unidos e abordar qualquer conduta ilegal que possa estar contribuindo para aumentos de preços para os consumidores norte-americanos.

Os Estados Unidos vêm enfrentando uma disparada da inflação. Em julho, o índice de preços ao consumidor subiu 0,5% em base mensal e 5,4% em termos anuais – mais do que o dobro da meta de 2,0% estabelecida pelo banco central do país.