Opep confirma recomendação de corte de 1,5 mi de bpd até fim do ano

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Sede da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), em Viena. Foto: Divulgação/ Opep

São Paulo – A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) alterou a vigência de sua proposta de corte adicional de 1,5 milhão de barris por dia (bpd), passando-a de 30 de junho para todo o ano de 2020 como uma forma de conter a desaceleração da demanda provocada pelo surto do novo coronavírus.

“Em vista da evolução do mercado e após a 178a reunião extraordinária da Opep hoje, os chefes de delegação da conferência da Opep realizaram novas consultas e decidiram recomendar a extensão da duração do ajuste adicional proposto de 1,5 milhão de barris por dia até o final de 2020, em vez do 30 de junho de 2020”, diz a Opep em comunicado.

Na nota, a Opep reafirmou o compromisso de seus membros com a manutenção do equilíbrio do mercado.

“As consultas, o monitoramento e a revisão constante das condições atuais do mercado demonstram o forte compromisso dos países membros da Opep de trabalhar juntos para restaurar a estabilidade do mercado de petróleo. Os membros da declaração de cooperação estão determinados a agir em conjunto para enfrentar o atual desafio premente”, acrescenta.

Mais cedo, a Opep havia detalhado a proposta apresentada hoje durante reunião em Viena, indicando que os países que fazem parte da Opep ficariam com a maior parte dos cortes, da ordem de 1,0 milhão de bpd, enquanto os aliados do cartel ficariam com os 500 mil bpd restantes.

O ministro do petróleo iraniano, Bijan Zangeneh, havia afirmado no início do dia que o corte estaria sujeito à aceitação de aliados da Opep, como a Rússia que, nas últimas semanas, tem resistido a aceitar qualquer resposta mais agressiva aos sinais de enfraquecimento da oferta de petróleo por conta do novo coronavírus.

Amanhã, os aliados devem se juntar ao encontro da Opep e avaliar a proposta. A reunião, no entanto, foi impactada pelo surto, já que jornalistas foram impedidos de participar.

Desde janeiro está em vigor um acordo que retira um total de 2,1 milhões de bpd do mercado em uma tentativa de equilibrar o mercado e, consequentemente, sustentar os preços do petróleo.