OMS alerta que é prematuro e irrealista dizer que pandemia vai acabar este ano

Bandeira com o símbolo da Organização Mundial da Saúde (OMS). (Foto: Missão dos EUA/Eric Bridiers)

São Paulo – A Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou que é prematuro e irrealista dizer que a pandemia do novo coronavírus será combatida este ano, mas que vacinações e medidas de prevenção podem reduzir as hospitalizações e mortes.

“Eu acho que seria prematuro e irrealista pensar que vamos acabar com este vírus até o fim deste ano. Mas acho que podemos, se formos espertos, acabar com as hospitalizações e as mortes e a tragédia associadas a esta pandemia”, disse o diretor-executivo do Programa de Emergências de Saúde da OMS, Michael Ryan, ontem em coletiva de imprensa.

“Nosso foco no momento é manter transmissões mais baixas quanto possível, suprimir esta transmissão, o que vai ajudar a evitar a emergência de variantes e também reduzir o número de pessoas doentes e que chegam em hospitais e, o mais importante, vacinar o maior número possível de pessoas, em especial os que estão na linha de frente e que são vulneráveis, para que possamos tirar o medo e a tragédia da pandemia”.

Na mesma coletiva, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, disse que na semana passada o número de casos notificados de covid-19 aumentou pela primeira vez em sete semanas, depois de seus semanas seguidas de quedas. “Isso é decepcionante, mas não é surpreendente”.

Segundo ele, a OMS está trabalhando para entender melhor esses aumentos na transmissão, mas “parte disso parece ser devido ao relaxamento das medidas de
saúde pública, à circulação contínua de variantes e às pessoas baixando a guarda”.

O diretor disse ainda que a vacinações pela iniciativa Covax começaram esta semana em Gana e Costa do Marfim, ao mesmo tempo em que lamentou que isso aconteça quase três meses depois de países ricos iniciarem suas campanhas de vacinação.

Além disso, ele lamentou que “alguns países continuem a priorizar a vacinação de adultos mais jovens e saudáveis com menor risco de doenças em suas próprias populações, à frente dos profissionais de saúde e idosos em outros lugares”.

“Os países não estão competindo entre si, esta é uma corrida comum contra o vírus”, disse. “Não estamos pedindo aos países que coloquem seu próprio povo em risco. Pedimos a todos os países que façam parte de um esforço global para suprimir o vírus em todos os lugares”.

Segundo o diretor, mais 11 milhões de doses serão entregues esta semana pela Covax, e até o final de maio, 237 milhões de doses de vacinas serão alocadas a 142 economias e países participantes da inciativa.