Novos casos de covid batem recorde no Brasil na última semana

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Militares passam por avaliação de saúde e prevenção contra a Covid19 no Navio Auxiliar Pará. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

São Paulo – Os novos casos de covid-19 no Brasil atingiram um recorde na semana passada, com alguns estados se aproximando dos níveis observados na pior fase da pandemia – caso de São Paulo e Amazonas – e outros mergulhando numa segunda onda da doença pior do que a observada em meados de 2020 – Minas Gerais e Paraná entre eles.

Na semana terminada no último sábado (9), os novos casos de covid-19 no Brasil aumentaram 43,5% na comparação com a semana anterior, para 359.593 – o maior número já registrado desde o início da pandemia no Brasil. O recorde anterior era de 333.028, registrado na semana de 19 de dezembro. Os dados são do Ministério da Saúde.

Apenas três estados tiveram queda no número de novos casos de covid-19 na semana passada: Acre (-19,8%), Ceará (-16,3%) e Pernambuco (-9,7%) – todos eles depois de passaram por um rebote no número de infecções no final do ano passado.

Nos demais estados houve aumento de novos casos, com as altas mais significativas observadas no Paraná – aumento de 2,7 – e no Amazonas (89,9%). Em vários outros, porém, houve crescimento de dois dígitos, com destaque para Mato Groso (76,4%), Pará (65,7%), Goiás (63,0%), São Paulo (62,6%), Tocantins (60,1%), Rio de Janeiro (56,2%) e Minas Gerais (43,0%).

No Amazonas, a situação é tão crítica que o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, visitará hoje o estado para anunciar a reorganização do atendimento nos postos e hospitais, recrutamento de profissionais de saúde, abertura de leitos de UTI e envio de equipamentos, insumos e medicamentos, segundo informações da Agência Brasil.

VACINAS

O recorde nos novos casos de covid-19 acontece após as festas de fim de ano, quando houve registro de aglomerações no litoral e em festas particulares, e em meio aos processos de análise de uso emergencial de duas vacinas contra a covid-19 no Brasil.

Uma das vacinas é a desenvolvida pela AstraZeneca e pela Universidade de Oxford e que será produzida por aqui pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). O plano é entregar 110,4 milhões de doses da vacina até julho – 30 milhões de doses em fevereiro e 70,4 milhões de doses entre março e julho. A primeira entrega, de um milhão de doses, ocorreria na semana de 8 a 12 de fevereiro.

Ao longo do segundo semestre, a previsão é que sejam produzidas outras 110 milhões de doses. A vacina desenvolvida pela AstraZeneca requer a aplicação de duas doses por pessoa, o que significa que 110 milhões de brasileiros – ou aproximadamente metade da população – podem ser vacinados com a produção da Fiocruz neste ano.

A outra vacina foi desenvolvida pela empresa chinesa Sinovac e será produzida no Brasil pelo Instituto Butantan. O governo paulista espera começar a vacinação com o imunizante ainda este mês.

Sob o plano paulista, serão vacinados primeiro os trabalhadores da saúde, os indígenas, a população quilombola e as pessoas com 60 anos ou mais na primeira fase da vacinação. Serão administradas duas doses por pessoa, e haverá vacinação todos os dias.

A expectativa é que sejam vacinadas 9 milhões de pessoas na primeira etapa – ou seja, seriam consumidas 18 milhões das 46 milhões de doses que o governo paulista diz ter à disposição.

Tanto a vacina da Fiocruz quanto a do Butantan precisam de autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para serem aplicadas. O processo de análise do uso emergencial da Fiocruz já começou, enquanto o do Butantan ainda aguarda o envio de documentação extra à agência.


Este texto foi corrigido às 9h49 de 11 de janeiro de 2021 para indicar que o recorde anterior de casos de covid-19 no Brasil aconteceu em dezembro, e não em julho.