Novo socorro financeiro a estados é quase impossível, diz Bolsonaro

Coletiva de Imprensa do Presidente da República, Jair Bolsonaro e Ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta. (Foto: Isac Nóbrega/PR)

São Paulo – O presidente Jair Bolsonaro disse ser “quase impossível” um novo socorro financeiro a estados e municípios caso sejam adotadas medidas que restrinjam o funcionamento da economia e resultem em queda da arrecadação de impostos. Segundo ele, os governadores e prefeitos precisam tomar medidas de prevenção contra a covid-19 “que não prejudiquem o comércio”.

“Saúde e economia tem que andar de mãos dadas. Não adianta começar a fechar tudo de novo. É quase impossível o governo socorrer novamente estados e municípios porque nós nos endividamos demais”, disse o presidente numa transmissão ao vivo ocorrida ontem à noite.

Os casos de covid-19 no Brasil voltaram a crescer nas últimas semanas, paralelamente a um afrouxamento nas restrições à circulação de pessoas e ao funcionamento de lojas, bares e restaurantes em várias regiões do Brasil.

Os dados mais recentes do Ministério da Saúde mostram que a média móvel de sete dias dos novos casos de covid-19 no Brasil atingiu ontem 42.102, nível semelhante ao que se observava no final de agosto, quando a curva de recém-infectados estava diminuindo. O pico da média móvel de novos casos foi observado em 29 de julho, quando ela atingiu 46.393.

A média móvel de sete dias de novos casos de covid-19 é um indicador menos volátil e mais realista da situação da pandemia no Brasil porque suaviza algumas distorções presentes nos dados diários. Aos fins de semana, por exemplo, como algumas unidades de saúde não funcionam, há uma queda na notificação de casos ao Ministério da Saúde.

Ao mesmo tempo em que os casos sobem, o governo confirmou ontem o primeiro caso de reinfecção por covid-19 no Brasil – uma profissional da área da saúde, de 37 anos, que reside em Natal (RN). Ela teve a doença em junho, se curou, e teve resultado positivo novamente em outubro, 116 dias depois do primeiro diagnóstico.

Bolsonaro também disse ontem que “a incidência óbitos é muito grande em quem tem idade mais elevada ou quem tem comorbidades. A massa da população pegando o vírus praticamente não vai sentir nada. Rapidamente vai para a normalidade. Uma minoria pode ter problemas.”

A taxa de letalidade da covid-19 é baixa em relação ao número de casos confirmados – foram 179.765 mortes para 6,8 milhões de casos confirmados, o que representa um índice de 2,7%.

No entanto, este dado considera as medidas emergenciais adotadas pelo governo durante toda a pandemia para ampliar o número de leitos de UTI disponíveis para o tratamento das pessoas que tiveram quadros graves de saúde após contraírem o novo coronavírus, causador da covid-19.

O presidente também disse que recomenda o “tratamento precoce” contra a covid-19 – uso de medicamentos que supostamente podem retardar o avanço da doença ao sinal de qualquer um dos sintomas ou mesmo antes de haver um diagnóstico. Na última quarta-feira, a Sociedade Brasileira de Infectologia divulgou um boletim recomendando o contrário.

“A Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) não recomenda tratamento farmacológico precoce para covid-19 com qualquer medicamento (cloroquina, hidroxicloroquina, ivermectina, azitromicina, nitazoxanida, corticoide, zinco, vitaminas, anticoagulante, ozônio por via retal, dióxido de cloro), porque os estudos clínicos randomizados com grupo controle existentes até o momento não mostraram benefício e, além disso, alguns destes medicamentos podem causar efeitos colaterais. Ou seja, não existe comprovação científica de que esses medicamentos sejam eficazes contra a covid-19”, diz o documento.

“Na fase inicial, medicamentos sintomáticos, como analgésicos e antitérmicos, como paracetamol e/ou dipirona, podem ser usados para pacientes que apresentam dor e/ou febre”, acrescentou.