Novo projeto Suzano terá o menor custo de produção da companhia

São Paulo – O Projeto Cerrado, anunciado ontem pela Suzano e que contará com investimentos de R$ 14,7 bilhões, terá o menor custo
de produção de todas as unidades da companhia, segundo o diretor-presidente da empresa, Walter Schalka. Apesar de não revelar números, a Suzano estima que há uma combinação de fatores que devem ajudar na redução do custo, como o raio médio florestal, uma logística mais eficiente, um uso maior de tecnologia e a geração de energia prevista.

“A madeira representa mais de 40% do custo total e a madeira vai ser muito competitiva, a distância é muito baixa na média, vamos trabalhar com trens e caminhões maiores, que podem transportar mais e, do lado industrial, teremos geração maior de energia, isso tudo vai influenciar no custo total”, afirmou durante teleconferência de analista sobre os resultados do primeiro trimestre.

Sobre a logística para exportação, a empresa afirmou que estuda duas alternativas ferroviárias para levar a produção da unidade, que ficará no Mato Grosso do Sul, até o Porto de Santos, onde possuem dois terminais e também avaliam qual vai ser usado.

A empresa também reiterou que a unidade estará preparada para manter esse custo baixo de produção mesmo em um cenário mais adverso de preços de celulose, garantindo retorno também do capital investido.

“Hoje, o preço da celulose está em US$ 780 a tonelada, mas é nossa obrigação analisar todas as alternativas. Mesmo se o preço cair para US$ 500, por exemplo, deveremos ficar abaixo da meta de alavancagem, mas nossa visão não é de US$ 500, é mais benigna. Fizemos uma análise para ver em qual cenário o projeto poderia dar algum problema e, dentre os milhares de cenários, apenas em 0,3% deles não teríamos retorno sobre o capital empregado”, explicou.

Sobre a geração de caixa necessária para fazer o grande investimento previsto, de R$ 14,7 bilhões, a companhia disse que também se preparou, incluindo para a possibilidade de um cenário “mais ácido” de preços, com planos alternativos.

A Suzano pretende arcar com os investimentos sozinha, mas pode também usar financiamentos se necessário. O montante será desembolsado entre 2021 e 2024, com previsão de R$ 1,3 bilhão este ano e a maior parte do desembolso entre 2022 e 2023, embora exista flexibilidade no cronograma.

A previsão é que a planta entre em operação no primeiro trimestre de 2024 e tenha capacidade de 2,3 milhões de toneladas por ano. Segundo a empresa, boa parte do volume previsto para o primeiro ciclo, de sete anos, já existe e a base florestal e fase de plantação vai aumentar a partir já deste ano.

Segundo Schalka, o projeto representa um momento histórico para a Suzano, além de ser talvez o maior investimento privado no Brasil na atualidade. “É um reforço de confiança no Brasil e nossa competitividade no longo prazo. Também teremos o melhor ano da história da companhia”, afirmou.

REAJUSTES DE PREÇOS

A companhia ainda afirmou que o últimos aumentos de preços de celulose anunciados para seus clientes na China, Europa e Estados Unidos estão sendo absorvidos na íntegra e ainda devem refletir nos balanços dos próximos trimestres, segundo o diretor executivo de comercial de celulose da companhia, Leonardo Grimaldi.

Questionado se ainda há espaço para novos aumentos, no entanto, o diretor não quis dar detalhes, mas disse que quando se compara os preços da China com a de outras regiões do mundo há lacunas e “os preços poderiam continuar aumentando”, como historicamente ocorre. Grimaldi também disse que é difícil vislumbrar qual o cenário de preços nos próximos meses.