Novo presidente do Banco do Brasil promete continuidade de planos

São Paulo – Em sua primeira coletiva de imprensa após assumir como no presidente do Banco do Brasil, Fausto Ribeiro afirmou que dará continuidade à estratégia já aprovada pelo banco, renovando o compromisso com os cortes de despesas, o que inclui a redução de agências, e o plano de desinvestimentos, embora tenha dito que podem ser feitas adaptações.

Porém, o antecessor de Ribeiro, André Brandão, renunciou em março após pressão do presidente Jair Bolsonaro, que não teria gostado do plano de reestruturação anunciado em 11 de janeiro, no qual foram informadas a meta de fechamento de mais de 360 agências e um programa de demissão voluntária que resultaria na saída de 5 mil funcionários.

“Renovo o compromisso em relação à eficiência, temos uma série de compromissos, o Banco do Brasil já anunciou a redução de despesas em R$ 3 bilhões e a ideia é atingir R$ 10 bilhões até 2025”, afirmou Ribeiro a jornalistas em videoconferência do resultados do primeiro trimestre.

Questionado sobre mais detalhes sobre as demissões e agências ainda a serem fechadas, o novo presidente confirmou que pouco mais de 5 mil funcionários já foram demitidos e que 300 agências já foram encerradas até o primeiro trimestre, com o plano já em sua fase final. Sobre o futuro, disse que o processo de determinar o tamanho da rede é dinâmico, sendo sempre reavaliado.

“5 mil e poucos funcionários já saíram do banco, nem tem como voltar atrás. Em relação à meta do ano de fechamento de agências, ela era exatamente essa [de cerca de 300 agências] e já estamos bem adiantados. Em relação ao futuro, a nossa rede quem determina é a base de correntistas, é determinante para saber se vai ser alterada lá na frente”, disse.

Já sobre possíveis interferências políticas na sua gestão e nas mudanças na cúpula do banco que está fazendo, Ribeiro afirmou que a interferência “é zero” e que o perfil que está buscando são de profissionais preferencialmente de carreira do banco, “prata da casa”, além
de pessoas com alta qualificação e experiência. Segundo ele, as quatro mudanças já anunciadas na diretoria seguiram essas premissas.

O novo presidente ainda disse que busca proximidade com o governo para sanar possíveis falhas na comunicação, ao ser questionado e lembrado sobre uma afirmação do seu antecessor de que havia problemas de comunicação, se referindo a uma possível incompreensão de Bolsonaro sobre o plano de reestruturação.

“O mandato que recebi do presidente é simples é liderar o banco trazendo rentabilidade e prestar tratamento de excelência à população, não tem nada de diferente, claro q vou dar toque pessoal, pensei em ações que chamei de estruturante, que acredito que podem acelerar a estratégia estabelecida”, disse ainda sobre o convite para ser presidente e sobre o que pensa sobre sua gestão.

INADIMPLÊNCIA

Sobre a inadimplência dos clientes, o vice-presidente de controles internos e gestão de riscos do Banco do Brasil, Carlos Renato Bonetti, disse esperar que eleva mostre elevação ao longo do ano, mas que não deve ultrapassar o nível de antes da pandemia, que era de cerca de 3% na carteira total, considerando pessoas físicas e jurídicas.

“A inadimplência deve evoluir ainda um pouco, mas em patamar mais baixo que antes da pandemia. Tivemos a estratégia de mudar um pouco o mix para perfis mais rentáveis e investimentos com nível um pouco maior de risco, como linha de crédito consignado, e nessa estratégia a gente já esperava que o índice médio de inadimplência de pessoa física ia crescer, mas que a rentabilidade ia compensar e é isso que está acontecendo, dentro de patamar projetado”, afirmou.

VENDA DE ATIVOS

Sobre a possível venda do BB DVTM, Ribeiro disse que a asset é “core business” do banco, sugerindo que ele pode não ser vendido como esperado anteriormente, já que o foco é vender ativos que não sejam core. Porém, disse que estuda alternativas para maximizar o negócio e o retorno aos acionistas, como possíveis parcerias, embora não haja “definição madura” sobre o ativo.

Sobre a possível venda da fatia na Cielo, disse que ela também é vista como ativo “core” e que busca melhorar a transformação digital da empresa.