Nova fase mira executivos do Banco Paulista ligados a Odebrecht

São Paulo – A operação Lava Jato lançou uma nova fase para apurar a participação de executivos do Banco Paulista em operações de lavagem de dinheiro relacionadas a integrantes do departamento de propina da Odebrecht, segundo informações divulgadas pelo Ministério Público Federal (MPF).

Segundo os procuradores, entre 2009 e 2015, ao menos R$ 48 milhões repassados pela empreiteira no exterior a seis executivos da área de propina foram alvo de lavagem de dinheiro. O método usado foi a assinatura de contratos falsos com o Banco Paulista no Brasil. “Outros repasses suspeitos a empresas aparentemente sem estrutura, na ordem de R$ 280 milhões, também são objeto da apuração”, disse o MPF.

Estão sendo cumpridos mandados de prisão preventiva de Paulo Cesar Haenel Pereira Barreto, Tarcísio Rodrigues Joaquim e Gerson Luiz Mendes de Brito, todos executivos do Banco Paulista, e 41 mandados de busca e apreensão em sedes de empresas que transacionaram com a instituição financeira.

A Odebrecht criou o “setor de operações estruturadas” – que ficou conhecido como o setor de propinas – para subornar políticos e funcionários públicos e de estatais. A divisão tinha uma estrutura hierarquizada e era integrada por pessoas de confiança da cúpula da construtora.

Entre as pessoas de confiança, estavam Luiz Eduardo da Rocha Soares, Olívio Rodrigues Júnior e Fernando Migliaccio da Silva. Estes três, junto com Vinícius Veiga Borin, Marco Pereira de Souza Bilinski e Luiz Augusto França, que detinham o controle societário do Meinl Bank, uma instituição financeira localizada nas ilhas de Antígua e Barbuda (Caribe).

Segundo o MPF, o Grupo Odebrecht abriu e manteve, pelo menos entre 2010 e 2016, diversas contas bancárias operacionais naquela instituição para a movimentação ilícita de valores. Os sócios do Meinl Bank eram remunerados e dividiam uma comissão de 2% sobre cada ingresso de valores de origem ilícita nas contas operacionais do Grupo Odebrecht mantidas naquele banco.

Os procuradores afirmam que o total da comissão era inicialmente depositado em uma conta titularizada por offshore controlada por Olívio Rodrigues Júnior, que se encarregava de distribuí-la por meio de transferências a contas bancárias de titularidade de outras offshores no exterior, e, no Brasil, por intermédio de doleiros e do Banco Paulista.

“Nesse último caminho de lavagem de dinheiro, há fortes evidências da participação de Paulo Cesar Haenel Pereira Barreto, Tarcísio Rodrigues Joaquim e Gerson Luiz Mendes de Brito, que, na época dos fatos, atuavam respectivamente como funcionário da mesa de câmbio, diretor da Área de Câmbio e diretor-geral do Banco Paulista. Os três ainda trabalham no grupo financeiro”, disse o MPF.

Paulo Cesar Haenel Pereira Barreto, funcionário da mesa de câmbio do Banco Paulista na época dos fatos, seria o responsável por receber os valores em espécie na instituição financeira e manter o contato com os integrantes do setor de propina da Odebrecht.

“Além de diversas ligações entre ele e os operadores financeiros do grupo, as investigações identificaram que Paulo Barreto utilizava, com codinome ‘Lance’, o sistema de comunicação criptografado da empreiteira (sistema ‘Drousys’), e ainda mantinha contas no exterior em nome de offshore para receber valores de origem ilícita do Grupo Odebrecht”, acrescentaram os procuradores.

“Tarcísio Rodrigues Joaquim e Gerson Luiz Mendes de Brito, que na época dos fatos atuavam como diretor da área de Câmbio e diretor-geral do Banco Paulista, respectivamente, assinaram, durante 4 anos, contratos falsos celebrados com as empresas dos sócios do Meinl Bank, que foram usados para lastrear os pagamentos”, disse o MPF.

Gustavo Nicoletta

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