Norte Energia negocia vazão de Belo Monte com o Ibama

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São Paulo – A Norte Energia, responsável pela usina hidrelétrica de Belo Monte em sociedade com a Eletrobras, afirmou, em comunicado, que está contato constante com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) sobre a questão do vazão de água e das ações mitigatórias da Volta Grande do Xingu.

A empresa se posicionou após reportagem do jornal “Valor Econômico” noticiar que a Norte Energia negocia compensações para garantir a manutenção da viabilidade da unidade e que o valor pode chegar a R$ 150 milhões.

“As tratativas com este órgão permanecem em curso e, assim que forem concluídas, serão prontamente divulgadas ao mercado. Por fim, a companhia reafirma seu compromisso, não apenas com o meio ambiente e o desenvolvimento sustentável da região onde está instalada a UHE Belo Monte, como também com a transparência com seus investidores e o mercado em geral”, disse a empresa.

ENTENDA

No dia 28 de janeiro, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) divulgou uma estimativa de impacto de até R$ 1,3 bilhão em janeiro e fevereiro para os consumidores de energia elétrica devido à decisão do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis (Ibama) de aumentar a vazão da usina hidrelétrica de Belo Monte, no rio Xingu.

Segundo a Aneel, o aumento da vazão acarreta menor geração de energia e, por isso, enviou um ofício ao órgão ambiental alertando sobre o impacto na tarifa de energia.

“Com a alteração na vazão, a usina de Belo Monte gera menos energia, e essa diferença precisa ser compensada com o aumento da produção em usinas termelétricas, que geram energia mais cara”, disse o órgão, em nota.

Além do custo, a nova restrição imposta para a vazão mínima na volta grande do Rio Xingu impacta diretamente a operação dos reservatórios das demais hidrelétricas existentes no País, repercutindo no nível desses reservatórios ao final do atual período úmido e, por consequência, na capacidade de atendimento às demandas de usos múltiplos e de segurança energética do próprio Sistema Interligado Nacional (SIN) ao longo do próximo período seco.

No período de chuvas, particularmente a partir de janeiro, quando há expressiva elevação das afluências do Rio Xingu, grande parte da produção de energia elétrica nas usinas da região Norte é escoada às demais regiões do País, poupando água nos reservatórios nos demais subsistemas, em particular os da região Sudeste/Centro-Oeste, acrescentou.