Mudanças na MP da privatização de Eletrobras são positivas, dizem analistas

Foto Divulgação/ Eletrobras

São Paulo – Os analistas do Bank of America (Bofa), BTG Pactual e Guide Investimentos avaliaram positivamente as mudanças feitas pelo deputado Elmar Nascimento, relator da MP 1.031, que regula a capitalização da Eletrobras, e acreditam que o texto tem boas chances de ser aprovado hoje na Câmara dos Deputados e, sem seguida, no Senado, embora possa enfrentar resistências.

A sessão do Plenário começou no início da tarde de hoje e as ações da estatal estiveram entre as maiores altas do Ibovespa desde a abertura do pregão. Perto do fechamento às 16h50, as ações ELET3 e ELET6 subiam 4,21% e 3,76%, respectivamente.

“Na noite de ontem (18 de maio), o relator divulgou seu relatório final com mudanças bem-vindas no texto preliminar divulgado na semana passada”, disseram os analistas do Bofa, em relatório.

Na visão dos analistas, o texto pode ter apoio na Câmara e no Senado, pois aborda as principais resistências do governo federal e apoia as agendas do setor patrocinadas pelo Senado, como o atendimento ao mercado de gás.

A casa reiterou a recomendação de compra dos papéis da elétrica e o preço-alvo de R$ 47, que não contabiliza a privatização.

O BTG Pactual também itens mostrou uma visão positiva sobre as alterações da MP da privatização, apesar da inclusão de itens impopulares, como a renovação das hidroelétricas Tucuruí e Mascarenhas dentro do regime de cotas, do benefício à funcionários com compra de ações a preço pré-MP, da potencial renovação dos contratos Proinfa, com redução de preços e troca de indexador (IPCA vs. IGP-M), da manutenção dos R$ 8,75 bilhões alocados para fundos regionais no período de 10 anos, da utilização do fluxo de caixa de Itaipu para programas sociais e modicidade tarifária e da alocação dos recursos da
Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) apenas para o mercado regulado.

O banco também destacou positivamente a retirada da conversão da dívida compulsória em ações (com cotação pré-MP), da transferência dos recebíveis da RBSE para a nova estatal que incluirá Itaipu e Eletronuclear e da interferência da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) no mercado livre.

“Um dos pontos mais controversos do relatório foi condicionar a privatização à um leilão de energia reserva de 6 GW de térmicas a gás. Na nossa visão, as discos já estão sobrecontratadas para 2021, diminuindo a demanda para os próximos leilões, essa nova capacidade pode ter efeito negativo para as hidroelétricas, deteriorando o GSF”, disseram os analistas do BTG, em relatório.

O BTG cita um estudo da consultoria PSR, que mostra que nos preços atuais do gás natural, o efeito dessa térmicas no preço não seria positivo e o preço mais alto dessas térmicas teria impacto direto nos clientes do mercado livre.

“Considerando que a maior parte dos itens controversos não foram incluídos, estamos otimistas com o texto final do relatório. Porém, esperamos a reação dos grupos impactos pelos itens que permaneceram”, finalizaram.

O analista Luis Sales, da Guide Investimentos, avaliou a aprovação da MP como “um primeiro passo em direção destravamento de um grande potencial de valorização dos papéis”, pois a companhia “se tornará menos endividada por conta de planos de desinvestimentos de ativos não-estratégicos e mau geridos” e “o que permitirá que ela volte a participar de leilões, e até mesmo fazer aquisições estratégicas.”