Moro agradece apoio de manifestantes e critica “Vaza Jato”

Por Gustavo Nicoletta

São Paulo – O ministro da Justiça, Sergio Moro, agradeceu aos manifestantes que foram às ruas ontem em apoio a ele e à operação Lava Jato, ambos colocados no centro de um debate público sobre a credibilidade das investigações após diálogos divulgados pelo site “The Intercept” atribuídos ao ex-juiz e ao procurador Deltan Dallagnol.

O “Intercept” vem publicando supostas conversas ocorridas entre Moro, da época em que era juiz, e o procurador Deltan Dallagnol, da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba. A série de reportagens ficou conhecida como “Vaza Jato”, uma referência ao vazamento das conversas.

Segundo os diálogos, Moro demonstrou receios quanto à possibilidade de uma investigação contra Fernando Henrique Cardoso “melindrar” o ex-presidente, que oferecia um “apoio importante” à operação Lava Jato.

Além disso, teria repassado informalmente uma pista aos procuradores em um caso relacionado ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pontuado em certo momento que a força-tarefa da Lava Jato estava há muito tempo sem lançar operação e sugerido que os procuradores divulgassem nota apontando eventuais incoerências no depoimento de Lula à Justiça, um comportamento fora do padrão da comunicação feita pelos procuradores até então.

O Ministério Público Federal (MPF) contestou, afirmando que o material publicado pelo site “ainda não foi apresentado às autoridades públicas para que sua integridade seja aferida. Diante disso, a sua autenticidade não foi analisada e muito menos confirmada,”

Em sua conta no Twitter, Moro publicou três mensagens com imagens das manifestações a seu favor e os dizeres “eu ouço, eu vejo”. Na última acrescentou um “eu agradeço”. Depois, afirmou ser grato ao presidente Jair Bolsonaro “e a todos que apoiam e confiam em nosso trabalho.”

“Hackers, criminosos ou editores maliciosos não alterarão essas verdades fundamentais. Avançaremos com o Congresso, com as instituições e com o seu apoio”, disse Moro.

No fim de semana, o “Intercept” publicou uma outra reportagem citando mensagens trocadas entre procuradores da Lava Jato afirmando que os membros da força-tarefa ficaram preocupados com o fato de Moro ter aceitado o convite de Jair Bolsonaro para assumir o Ministério da Justiça. O receio era de que isso fosse visto como um sinal de parcialidade do então juiz federal e afetasse a reputação da Lava Jato e dos procuradores.

A primeira versão da reportagem, porém, trazia um erro que atribuía uma das conversas ao dia 1 de novembro de 2019, quando na verdade a data era de 1 de novembro de 2018, e o jornalista Glenn Greenwald citou erroneamente o nome de um dos procuradores num diálogo. Moro usou isso para questionar a credibilidade do “Intercept”.

O jornal “Correio Braziliense”, porém, afirmou que conversou com um dos procuradores que aparecem nas conversas e que ele confirmou o teor das mensagens.

“Me recordo dos diálogos com os procuradores apontados pelo site. O grupo não existe mais. No entanto, me lembro do debate em torno do resultado das eleições e da expectativa sobre a ida de Moro para o Ministério da Justiça”, disse o procurador ao jornal.

MANIFESTAÇÕES

Segundo informações da Agência Brasil, movimentos como o Nas Ruas, Vem Pra Rua e o Brasil Livre estavam entre os que promoveram as manifestações em prol de Moro, da Lava Jato e da reforma da Previdência. Segundo os organizadores, os atos foram convocados em mais de 200 municípios.

No Rio de Janeiro, milhares de pessoas reuniram-se na praia de Copacabana, zona sul da capital fluminense. Os manifestantes se estenderam do Posto 5, na altura da Rua Sá Ferreira, até a Rua Barão de Ipanema, portando bandeiras do Brasil, faixas e cartazes onde se liam frases como “Nova Previdência Já”, “Para a Frente Brasil”, “Apoiamos as instituições íntegras” e “Se parar a Lava Jato, o Brasil Morre”.

Em Brasília, os manifestantes se reuniram na Esplanada dos Ministérios.

Com faixas, cartazes e discursos de apoio à Operação Lava Jato e ao ministro Sergio Moro, eles pediam o fortalecimento das ações de combate à corrupção e a aprovação do pacote anticrime – projeto que o governo federal enviou ao Congresso Nacional com proposta de mudanças em várias leis, visando a combater o crime organizado, a corrupção e os crimes violentos.

Em São Paulo, quatro carros de som concentraram-se em três quarteirões da avenida. Um deles, com faixas “Direita São Paulo”, defendia a flexibilização na legislação para que cada cidadão possa ter sua arma de fogo.

Um carro de som do MBL exibia uma faixa em apoio à Lava Jato. O movimento Nas Ruas inflou um boneco gigante com a imagem de Moro ao lado de um carro de som.

Houve confusão entre participantes. Segundo o MBL, membros do movimento Direita São Paulo chegaram em frente ao caminhão do movimento, agredindo ativistas no meio de famílias e crianças, e foram detidos pela polícia.

Ainda segundo a Agência Brasil, em Porto Alegre, a manifestação foi realizada sob forte chuva por volta as 15h30 na Avenida Goethe, ao lado do Parque Moinhos de Vento, na Região Central de Porto Alegre. Convocado pelo MBL, o ato tinha pautas a favor da reforma da Previdência, do pacote anticrime e também em apoio ao ministro Sergio Moro e à Operação Lava Jato.

Em Curitiba, o ato foi realizado na Boca Maldita, no centro da cidade. Os manifestantes vestidos de camisas verde-amarelas se reuniram em torno de um carro de som por volta das 15h.

No Recife, os atos começaram às 14h, no bairro de Boa Viagem, zona sul da capital pernambucana. Os atos foram realizados em apoio a Moro e à Lava Jato.

Acompanhados por dois trios elétricos, os manifestantes cantaram o hino nacional e carregavam bandeiras do Brasil.

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