Momento para redução gradual de compra de ativos não chegou, diz Powell

O presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central nore-americano), Jerome Powell / Foto: Fed

São Paulo – O presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, afirmou que o momento para a discussão da redução gradual da compra de ativos – hoje em US$ 120 bilhões mensais – ainda não chegou. Isso significa que o banco central norte-americano não considera retirar os níveis atuais de acomodação tão cedo, reforçando o apoio à economia dos Estados Unidos.

“O momento para a redução gradual das nossas compras de ativos ainda não chegou. Para isso acontecer, queremos ver progressos substanciais adicionais na direção das nossas metas”, disse Powell durante coletiva de imprensa após decisão de política monetária.

Em outras ocasiões o chefe do Fed indicou que antes de elevar a taxa de juros, confirmada hoje na faixa entre zero e 0,25% ao ano, o banco central norte-americano vai reduzir suas compras de US$ 80 bilhões em títulos do Tesouro e em US$ 40 bilhões em hipotecas realizadas a cada mês.

“Para que a taxa de juros suba, o Fed quer ver a inflação bem ancorada em 2% após passar um tempo acima dessa faixa e também melhorias no mercado de trabalho que levem ao pleno emprego”, acrescentou.

Na visão de Powell, esse cenário ainda está longe de acontecer nos Estados Unidos apesar da recuperação da economia sinalizada por alguns indicadores, portanto, a taxa de juros perto de zero e as compras de ativos no ritmo atual seguem adequados.

“O Fed não quer ver um determinado indicador melhorar por um mês ou dois, por isso, esperamos mais indicadores para avaliar se essa recuperação econômica é sustentada. As condições macroeconômicas devem se materializar para que a acomodação comece a ser retirada e, quando isso acontecer, informaremos claramente ao público”, afirmou Powell.

Ele espera que a inflação nos Estados Unidos dê um salto a partir deste mês e nos próximos, mas não acredita em um patamar persistentemente elevado para os preços no país. Da mesma maneira, o chefe do Fed destacou os bons números do mercado de trabalho norte-americano em março, quando foram criadas 916 mil vagas e a taxa de desemprego caiu a 6,0%, porém indicou que ainda há muitas pessoas fora da força de trabalho.

“A inflação deve dar um forte salto agora em abril, esperamos que acelere 1 ponto percentual agora. Muito dessa aceleração está ligada ao processo de reabertura econômica, apoiado pela vacinação, e não deve se manter. Além disso, ainda temos 8,4 milhões de norte-americanos fora do mercado de trabalho. A meta do Fed é relocar essas pessoas o mais rápido possível”, afirmou.

Powell voltou a repetir que o ritmo de recuperação da economia está ligado ao controle da pandemia e indicou que o Fed não trabalha com métricas de saúde para identificar se o vírus está sob controle.

“Não somos um órgão regulador da saúde, priorizamos as condições econômicas para fazer nossas avaliações, por isso, acredito que mesmo com a pandemia sob controle, muito do sucesso da economia vai depender da confiança que as pessoas terão em sair de casa, voltar a consumir, a trabalhar como faziam antes da pandemia. Esse é o ponto para medir a recuperação da economia”, acrescentou.

Em meados de abril, Powell disse ao participar e um evento que a redução da compra de ativos deve começar antes de alta de juros, reiterando que isso só acontecerá quando a economia norte-americana tiver se recuperado completamente dos efeitos da crise provocada pela pandemia.