Ministro de Minas e Energia descarta racionamento de eletricidade

O ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, participa de audiência pública na Comissão de Serviços de Infraestrutura do Senado.

São Paulo – O ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, voltou a descartar a hipótese de racionamento de energia no Brasil como consequência da escassez de chuvas nos principais reservatórios de usinas hidrelétricas do país. “Nós não trabalhamos com a hipótese de racionamento”, disse ele a uma comissão da Câmara dos Deputados.

“Nós não temos problema de oferta de energia”, disse o ministro, acrescentando que a capacidade instalada de geração de eletricidade no Brasil mais do que dobrou nos últimos 20 anos. “Nosso consumo médio é no máximo de 80.000 megawatts, e temos capacidade instalada de 181.000 megawatts”, acrescentou.

Segundo ele, o cenário para o fornecimento de energia no Brasil será “bastante desfavorável” ao final deste ano caso não sejam adotadas medidas para mitigar os efeitos da falta de chuva sobre os reservatórios de hidrelétricas.

“Se nós tivermos repetição das chuvas de 2020 em 2021, podermos chegar – se nada for feito – a uma condição bastante desfavorável ao final deste ano, novembro dezembro, com reservatórios a menos de 20%”, disse o ministro, afirmando em outro ponto de sua apresentação que o regime de chuvas neste ano está semelhante ao do ano passado.

“Nós não queremos chegar em 2022 com forte dependência do próximo período úmido. É impossível se prever o que ocorrerá” em termos de regime de chuvas, acrescentou.

As autoridades do governo estão tentando afastar o receio com a possibilidade de racionamento de energia, mas o prognóstico para a geração de eletricidade é pouco promissor.

Em audiência na Comissão de Minas e Energia da Câmara dos Deputados na semana passada, o diretor do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Luiz Carlos Ciocchi, afirmou que a falta de chuvas sobre os reservatórios de hidrelétricas do Sudeste e Centro-Oeste pode reduzir o porcentual de energia armazenada nas usinas deste grupo para 7,5% se não forem tomadas medidas compensatórias. Com estas medidas, o nível seria de 10,3%. Ambas as taxas, porém, seriam as menores nas duas décadas em que estes dados são acompanhados.

Ele disse que a adoção das medidas compensatórias mostra “que não teremos nenhum problema de energia ou de potência ao final de novembro de 2021”, mas depois deste período a chance de racionamento dependerá das chuvas. O ONS espera que, “nesta data, estação chuvosa deste ano já tenha chegado”.

Os reservatórios do Sudeste e Centro-Oeste são os mais relevantes do sistema de geração de energia hidrelétrica brasileira porque representam 70% da capacidade de armazenamento de água das usinas do país. No entanto, a quantidade de chuvas abaixo da média na região nos últimos anos deixou estes reservatórios em nível crítico.

São quatro as medidas compensatórias propostas pelo ONS: reduzir as restrições de vazão em Jupiá e Porto Primavera – a medida mais impactante -, reduzir o calado da hidrovia Tietê-Paraná ou paralisar a hidrovia a partir de 1 de julho e flexibilizar a operação dos reservatórios do Rio São Francisco. As medidas, segundo Occhi, permitem aumento na geração de termelétricas e consequente preservação dos reservatórios.

ANGRA 3

O parceiro da Eletronuclear para a construção da usina de Angra 3 deve ser escolhido até o início do ano que vem, e a partir daí devem ser executadas as obras para que ela entre em operação, afirmou o ministro.

O Brasil tem hoje duas usinas termonucleares gerando energia – Angra 1 e Angra 2. A usina de Angra 3 acrescentará 1.405 megawatts de potência instalada, mas antes disso a construção da usina, que está cerca de 65% concluída, precisa ser finalizada.

A entrada em operação da usina está programada para novembro de 2026. O progresso físico global atual do empreendimento é de 65%.