Merkel apela por restrições mais duras contra covid-19 na Alemanha

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A chanceler da Alemanha, Angela Merkel / Foto: Governo Federal da Alemanha

São Paulo – A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, apelou por restrições mais duras para conter a propagação do novo coronavírus no país, afirmando que o número de infecções segue alto mesmo com as atuais medidas de contenção em vigor.

“A Alemanha encontra-se atualmente numa fase decisiva, talvez a mais decisiva de combate à pandemia”, afirmou a chanceler, em discurso ao Parlamento. Ela disse que a segunda onda veio com tudo e uma reversão de tendência nas novas infecções não ocorreu, apesar das restrições de contato atuais.

“O número de casos é muito alto”, disse Merkel, citando que há muitas pessoas nas unidades de terapia intensiva e muitas mortes. Assim, ela disse que as últimas recomendações da Academia Nacional de Ciências Leopoldina precisam ser levadas a sério.

Os cientistas recomendaram ontem um bloqueio rigoroso no país para reduzir a propagação da doença, com suspensão de aulas presenciais em escolas e fechamento do comércio, excluindo artigos de primeira necessidade, até ao menos 10 de janeiro.

No Parlamento, Merkel defendeu a redução ainda maior de contatos, o fechamento de lojas e a extensão de férias escolares ou aulas digitais, e disse que meta permanece inalterada, de chegar a menos de 50 casos por 100 mil habitantes. “Existe um conhecimento científico que é real e que é melhor mantê-lo”, disse a chanceler.

Merkel apelou a todos os cidadãos para que sejam cautelosos em vista das festas de fim de ano. “Se tivermos muitos contatos antes do Natal e então for o último Natal com nossos avós, e então teremos perdido algo”, disse. Segundo ela, para um país livre e aberto como a Alemanha, a chave mais importante para combater com sucesso a pandemia é “o comportamento responsável de cada indivíduo”.

Alguns estados alemães já tomaram a decisão de endurecer restrições, como a Baviera, que fechará todas as lojas, creches e escolas, e a Saxônia, que planeja decretar estado de emergência, limitando o tráfego nas fronteiras e impondo um toque de recolher.

No início deste mês, o governo alemão estendeu as restrições nacionais até 10 de janeiro, mantendo fechados bares e restaurantes, bem como estabelecimentos culturais e de lazer, além de limitações ao número de participantes em reuniões.

Merkel disse ainda que “estamos vivendo em uma situação excepcional”, ao justificar o orçamento da Alemanha para 2021, que inclui uma nova dívida de quase 180 bilhões de euros.

As contaminações por covid-19 na Alemanha tiveram alta recorde de 20.815 em um dia, para 1.218.524, e as mortes aumentaram em 590 em 24 horas, para 19.932, de acordo com dados do Instituto Robert Koch, agência responsável pelo controle e prevenção de doenças no país.