Mercados reagem com apoio de Rodrigo Maia ao veto presidencial

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São Paulo – Após abrir em queda e chegar a cair mais de 1%, o Ibovespa se recuperou ao longo do pregão e fechou em alta de 0,60%, aos 101.467,87 pontos, com investidores aguardando a votação, na Câmara dos Deputados, do veto presidencial que impede aumento de salários de servidores públicos até 2021. Depois de ter sido derrubado no Senado ontem, em uma derrota para o governo, há expectativas de que o veto seja mantido na Câmara, conforme indicaram declarações do presidente da Casa, Rodrigo Maia, e de outro líderes políticos.

A melhora das Bolsas norte-americanas também ajudou na alta do índice hoje, apesar de alguma cautela após o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) ter mostrado maior preocupação com o ritmo da recuperação econômica. O volume total negociado foi de R$ 28,5 bilhões.

“O mercado abriu mostrando estresse em resposta à derrubada do veto presidente no Senado, mas depois deu uma acalmada com declarações do presidente Jair Bolsonaro e do Maia, e está todo mundo aguardando a votação”, disse o sócio e estrategista-chefe da Eleven Financial Research, Adeodato Volpi Netto, em live.

Mais cedo, Maia disse que discorda de derrubada de veto que impede reajustes ao funcionalismo público e que trabalha para manter o veto na Câmara. Por outro lado, o presidente da Câmara falou que a decisão do Senado tem que ser respeitada e que não ajuda o ministro da Economia, Paulo Guedes, atacar senadores. A votação deve ocorrer ainda hoje.

A questão fiscal tem pesado sobre a Bolsa, com investidores temendo que o governo descumpra o teto de gastos. Questões como a extensão do auxílio emergencial e o orçamento de 2021 também devem continuar no radar.

Além das declarações de Maia, a melhora das Bolsas norte-americanas ajudou o Ibovespa. Wall Street subiu amparada em ações de empresas de tecnologia, apesar de permanecer certa cautela após as sinalizações dadas ontem em ata do Fed, que mostrou maior preocupação com o ritmo da retomada da atividade econômica, além de indicadores como os pedidos de seguro-desemprego terem vindo pior do que o esperado.

Amanhã, além de repercutir a votação do veto presidencial, investidores ficarão atentos a indicadores como a o índice dos gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) sobre atividade industrial e de serviços nos Estados Unidos e na zona do euro.

Após chegar a subir 2,51% ao ser negociado a R$ 5,6740, o dólar comercial fechou a sessão com avanço de 0,39%, cotado a R$ 5,5570 para venda. Para chegar a esse resultado, o Banco Central (BC) teve que realizar dois leilões da moeda no mercado à vista, que juntos somaram mais de US$ 1,0 bilhão. Colaborou para isso, a fala do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, se dizendo a favor dos vetos presidenciais ao reajuste dos profissionais da saúde.

Rodrigo Maia defendeu hoje em coletiva à imprensa que a manutenção do veto do presidente da República, Jair Bolsonaro, a dispositivos que tratam do reajuste de servidores dentro da lei de auxílio a estados e municípios durante o estado de calamidade pública. Junto a líderes durante a coletiva, que comumente é feita pelo presidente sozinho, Maia afirmou que os líderes entendem “que esse veto é muito importante a sua manutenção, para que a gente possa dar uma sinalização clara, atendendo estados e municípios, mas tudo dentro do equilíbrio fiscal”.

“A fala do Maia [Rodrigo, presidente da Câmara] já tinha trazido um pouco de alívio ao investidor, mas é claro que a cautela se manteve frente a preocupação fiscal do Brasil. Além disso, dados lá fora também demonstram que a economia global ainda levará um tempo para se recuperar da crise trazida pela pandemia do coronavírus”, afirmou um operador de câmbio de uma grande corretora.

Pela manhã, em relatório, Pedro Molizani, Trader Mesa de Câmbio Travelex Bank, já destacava a dificuldade que a divisa passaria ao longo da sessão. “Esta quinta-feira é caracterizada por uma postura demasiadamente forte no que se refere à cautela perante os fatos internos. A pressão sobre o câmbio será inequívoca, sendo o real um dos ativos que tem se mostrado mais suscetível as incertezas que emanam de Brasília e também do exterior”, disse.

O especialista acrescentou ainda que “a derrubada do veto presidencial ao aumento dos salários dos servidores públicos foi extremamente mal recebida pelo mercado, pois significa, em última análise, um sinal de que os gastos públicos continuarão a subir. Em resposta ao ato realizado pelo Senado Federal, o ministro da Economia, Paulo Guedes, classificou a decisão como ‘um crime contra o país'”, explicou.

As taxas dos contratos de juros futuros (DIs) encerraram a sessão com leves oscilações, próximas aos níveis dos ajustes, apagando a trajetória de alta observada desde a abertura, na esteira da desaceleração do dólar. Os investidores iniciaram o dia ainda reagindo à ata da reunião de julho do Federal Reserve e aos crescentes riscos fiscais no Brasil, mas encerraram o pregão à espera da votação na Câmara do veto presidencial derrubado no Senado.

Ao final da sessão regular, o DI para janeiro de 2022 ficou com taxa de 2,79%, de 2,78% no ajuste anterior; o DI para janeiro de 2023 terminou projetando taxa de 3,99%, de 4,00% após o ajuste ontem; o DI para janeiro de 2025 encerrou em 5,80%, de 5,83%; e o DI para janeiro de 2027 ficou com taxa de 6,82%, de 6,85%, na mesma comparação.

Mais uma vez as gigantes da tecnologia ajudaram Wall Street a reverter as perdas provocadas por dados de emprego fracos e pelas perspectivas econômicas sombrias, fazendo com que os principais índices do mercado de ações norte-americano terminassem o dia em alta, embalados pela aposta dos investidores de que esse é o setor com maior potencial diante da paralisação provocada pela pandemia do novo coronavírus. O resultado foi uma nova máxima histórica do Nasdaq.

Confira abaixo a variação e a pontuação dos principais índices de ações dos Estados Unidos no fechamento:

Dow Jones: +0,17%, 27.739,73 pontos

Nasdaq Composto: +1,06%, 11.264,95 pontos

S&P 500: +0,31%, 3.385,51 pontos