Mercados passam por dia volátil e Bolsa sobe puxada por EUA

Foto: Paul Pasieczny / freeimages.com

São Paulo – Após oscilar entre leves quedas e altas ao longo do pregão, o Ibovespa fechou com ganhos de 0,31%, aos 97.293,54 pontos, firmando-se no campo positivo no fim do dia com a melhora das Bolsas norte-americanas, que foram puxadas pela recuperação de ações de empresas de tecnologia.

No entanto, a volta do aumento de casos de coronavírus na Europa e o discurso do presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), Jerome Powell, mantiveram alguma cautela entre os investidores, além de analistas citarem que a preocupação com a situação fiscal doméstica ainda pesa sobre os mercados locais. O volume total negociado foi de R$ 20,5 bilhões.

“Os mercados tentam se recuperar depois das quedas fortes de ontem, que foram generalizadas, mas ainda seguem fragilizados”, disse o estrategista da Genial Investimentos, Filipe Villegas, em live.

As Bolsas norte-americanas aceleraram alta perto do fim do pregão com destaque para a Nasdaq, que subiu quase 2% após o sentimento generalizado de aversão ao risco ontem. Apesar da recuperação vista hoje principalmente nos papéis de tecnologia, Powell reiterou o discurso e alertas dados na última reunião do Fed, de que a recuperação econômica será mais rápida se houver ajuda fiscal do governo.

Ainda na cena externa, o aumento de casos de coronavírus principalmente na Europa segue mantendo alguma apreensão, já que alguns países voltaram a adotar medidas mais rígidas de isolamento social. É o caso do Reino Unido, que recomendou que a população trabalhe em casa e antecipou o horário de fechamento de bares e restaurantes.

Já na cena doméstica, notícias na imprensa apontam que o presidente segue buscando maneiras de lançar o programa Renda Brasil, que pode substituir o Bolsa Família e uma das opções poderia ser criar um novo imposto, como a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF).

“Ainda há preocupação com o fiscal já que o Bolsonaro está tentando abrir espaço para financiar o programa Renda Brasil. Está tudo muito incerto também em relação ao andando de reformas e a ata do Copom deixou claro que um dos condicionantes para manter juros baixos é a situação fiscal”, disse o fundador e CIO da Chess Capital, Vicente Matheus Zuffo. A ata da última reunião do Copom divulgada hoje pela manhã ainda deixou a porta aberta para novos cortes de juros, mas destacou que o movimento dependerá de fatores como a inflação, exterior e a situação fiscal.

Entre as ações, as maiores as maiores altas do índice foram da CSN (CSNA3 3,38%), da MRV (MRVE3 3,72%) e do IRB Brasil (IRBR3 6,28%). Os papéis da CSN refletiram novas projeções da companhia para este ano a aprovação da oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) da CSN Mineração. Já as maiores perdas do Ibovespa foram da B2W (BTOW3 -3,79%), da Embraer (EMBR3 -2,83%) e da Suzano (SUZB3 -2,39%).

Na agenda de amanhã, investidores devem ficar atentos a indicadores de atividade industrial e de serviços da zona do euro e dos Estados Unidos, além de acompanharem novas declarações do presidente do Fed em depoimento de subcomissão da Câmara dos Representantes. No Brasil, o destaque será o IPCA-15 de setembro.

O dólar comercial fechou em alta de 1,29% no mercado à vista, cotado a R$ 5,4690 para venda, no maior valor de fechamento do mês e na terceira alta seguida, em sessão de forte volatilidade acompanhando o exterior onde a moeda estrangeira ganhou força ante as divisas pares e de países emergentes em meio às declarações do presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), Jerome Powell.

Na parte da manhã, o dólar operou com forte volatilidade, chegando a renovar mínimas a R$ 5,3840 diante de uma tentativa de recuperação dos ativos globais após a forte queda na sessão anterior. Na segunda parte dos negócios, porém, a moeda renovou máximas sequenciais próxima dos R$ 5,50 acompanhando a piora das divisas no exterior.

“Isso foi após as declarações do todo poderoso do Fed. Powell afirmou que é provável que mais apoio fiscal seja necessário para a melhoria da economia norte-americana”, comenta o gerente de mesa de câmbio da Correparti, Guilherme Esquelbek. As declarações de Powell e de outros dirigentes do Fed têm refletido em incertezas sobre a velocidade da recuperação econômica.

Amanhã, na agenda de indicadores, o destaque fica para as leituras preliminares de setembro dos índices dos gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) da atividade industrial e de serviços dos Estados Unidos e da Europa.

“O investidor já fez preço nas estimativas do mercado para esses indicadores. Se os resultados preliminares vierem diferentes do esperado, aí, poderemos ver um preço na moeda”, comenta o economista-chefe da Nova Futura Investimentos, Pedro Paulo Silveira.

O presidente do Fed discursará novamente no Congresso norte-americano. “Acho que poderá fazer preço porque terão perguntas direcionadas ao Powell. Daí, os investidores podem tirar alguma novidade em relação ao que ele vem dizendo nos últimos dias”, acrescenta.

As taxas dos contratos de juros futuros (DIs) encerraram em queda, mantendo a trajetória desde a abertura do pregão, em reação à ata da reunião da semana passada do Comitê de Política Monetária (Copom). Os investidores viram no documento uma postura ainda suave (“dovish”) por parte do Banco Central na condução da Selic, o que sustentou uma retirada de prêmios ao longo de toda a curva a termo, apesar da alta acelerada do dólar.

Ao final da sessão regular, o DI para janeiro de 2022 ficou com taxa de 2,92%, de 3,00% no ajuste anterior; o DI para janeiro de 2023 terminou projetando taxa de 4,35%, de 4,44% após o ajuste ontem; o DI para janeiro de 2025 encerrou em 6,30%, de 6,36%; e o DI para janeiro de 2027 tinha taxa de 7,26%, de 7,34%, na mesma comparação.

Os principais índices do mercado de ações dos Estados Unidos fecharam o pregão em campo positivo puxadas pela leve recuperação nas companhias de tecnologia depois de boas avaliações de analistas.

Confira abaixo a variação e a pontuação dos principais índices de ações dos Estados Unidos após o fechamento:

Dow Jones: +0,52%, 27.288,18 pontos

Nasdaq Composto: +1,71%, 10.963,63 pontos

S&P 500: +1,05%, 3.315,57 pontos