Mercado recebe mal ajustes em função de Brumadinho e Vale cai 4%

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Por Danielle Fonseca

São Paulo – As ações da Vale caem cerca de 4%, na maior queda do Ibovespa no momento, depois que a companhia reportou prejuízo de US$ 1,562 bilhão no quarto trimestre de 2019 em função de ajustes e provisões relacionadas ao rompimento da barragem de Brumadinho, o que não foi bem recebido pelo mercado. Os papéis também sofrem com a maior aversão ao risco no exterior em função do coronavírus, embora tenha dito que o surto não está impactando suas atividades na China.

Às 15h41 (horário de Brasília), as ações da Vale (VALE3) caíam 4,02%, a R$ 50,04, e também eram as mais negociadas do dia, com volume de R$ 587,3 milhões.

Para o economista-chefe do banco digital Modalmais, Alvaro Bandeira, as ações reagem a esses ajustes feitos no trimestre. “Tivemos muitos ajustes em função de Brumadinho, o que até já era esperado, mas fica difícil de projetar pelos analistas. Pela minha experiência, as empresas aproveitam momento um pouco mais negativo para fazer limpezas no balanço e acho que a Vale fez alguma limpeza”, disse Bandeira.

Já os analistas do Credit Suisse, afirmam que o resultado da Vale ficou dentro do esperado no trimestre, mas a provisão relacionada aos desastre de Brumadinho foi uma “novidade”, que acreditam que será não visto com bons olhos pelo mercado. Mesmo assim, os analistas viram números positivos, afirmando que a Vale conseguiu compensar, de forma parcial, um preço de minério mais baixo no período com um forte avanço nos embarques e menores
custos.

Os analistas também destacam a forte geração de fluxo de caixa no trimestre, que ajudou a reduzir a avalancagem. Para eles, com isso, a Vale pode “virar a página” e acelerar a política de dividendos.

Os analistas do Bradesco BBI são outros que apostam que a companhia pode retomar a sua política de dividendos no curto prazo, um dos motivos que fazem com que reafirmem a recomendação “outperform” (equivalente à compra), com preço-alvo de US$ 21,00 para as ADRs.

Já os analistas do BTG Pactual destacam que não ficaram surpresos ao ver prejuízos em áreas como as de metais básicos e carvão, que enfatizam desafios que a Vale está enfrentando nesses negócios e “decisões questionáveis” em alocação de recursos.

Do ponto de vista das provisões, o BTG acredita que a Vale reconheceu claramente que há grandes incertezas em relação a negociações adicionais com partes interessadas em Brumadinho, e cálculos preliminares podem garantir provisões adicionais. “No entanto, estamos convencidos de que a Vale está no caminho de se tornar uma empresa mais sustentável, previsível e confiável, e reiteramos nossa classificação de compra de longo prazo”, afirmaram, em relatório.