Mercado quer mudanças no comunicado do Copom por cortes na Selic

Por: Olívia Bulla

São Paulo – O mercado financeiro brasileiro está convicto de que o Comitê de Política Monetária (Copom) deve iniciar o ciclo de cortes na taxa básica de juros em breve. A pressão para que a Selic caia já na reunião que termina hoje é grande, mas o Banco Central deve, primeiro, sinalizar a mudança de rota no comunicado, adiando a decisão para julho.

“O BC tem a reunião de junho para encaminhar uma comunicação que ajuste as expectativas”, diz o economista-chefe da Necton Corretora, André Perfeito. Para ele, a pressão do mercado por um corte dos juros é grande. “Só falta o mercado sair na [Avenida] Faria Lima em direção ao Largo da Batata com cartazes pedindo corte de juros”, brinca, referindo-se a um dos principais centros financeiros na cidade de São Paulo.

O economista-chefe do Santander Brasil, Maurício Molan, também avalia que a autoridade monetária está sofrendo alta pressão por parte do mercado, diante das leituras favoráveis de inflação e do ritmo lento da atividade econômica. Para ele, o debate pode esquentar até a próxima semana, pois “por enquanto, os discursos proferidos por diretores do BC têm indicado que não cederão a esta pressão”.

Com isso, Molan avalia que além do comunicado que acompanhará a decisão do Copom deste mês, ganha ainda mais importância a divulgação do Relatório Trimestral de Inflação, a ser publicado na semana que vem. “Caso o documento mostre uma melhora nos fatores de risco para a inflação, a pressão [para cortar juros] pode subir ainda mais”, destaca o economista-chefe do Santander.

O grande risco, então, é o BC não cortar a Selic agora nem tampouco sinalizar que irá fazer isso na próxima reunião, já no início do segundo semestre. “O mercado pode se ressentir do conservadorismo da autoridade monetária e, assim, os juros subirem mais forte lá na frente”, observa Perfeito, da Necton.

O problema é que muitas instituições financeiras estão revisando para baixo as estimativas para a Selic neste e no próximo ano, em um indício de que se espera um crescimento econômico bem fraco em 2019, aquém de 1%. “Então, se o BC não baixar os juros nesta semana ou não sinalizar, a coisa pode ficar muito feia”, avalia o economista-chefe da Infinity Asset, Jason Vieira.

Pode ser que seja apenas uma questão de timing. A expectativa é de que o início dos cortes ocorra depois de aprovada a reforma da Previdência na Câmara dos Deputados, o que pode acontecer já no próximo mês, antes do recesso parlamentar. Com isso, a reunião de julho pode ser a oportunidade ideal para se iniciar o afrouxamento monetário, com o BC dando a entender que parte do esforço reformista já foi feito pelo Congresso.

“O Copom não cortará a Selic antes da aprovação da reforma na primeira votação na Câmara, que deve ocorrer em julho”, diz o economista-chefe do Itaú, Mario Mesquita. Para ele, se as novas regras para aposentadoria forem aprovadas também pelo Senado, a Selic pode cair a 5,00% ainda em 2019, ficando nesse nível ao longo de todo o ano que vem.

Edição: Eduardo Puccioni (e.puccioni@cma.com.br)

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