Mercado prevê fechamento de 22 milhões de vagas nos EUA em abril

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(Foto: Freeimages/Daniel Vazquez)

São Paulo – O mercado de trabalho dos Estados Unidos fechou 22 milhões de vagas em abril, após encerrar 701 mil postos em março, e a taxa de desemprego subiu de 4,4% para 16,3%, segundo analistas consultados pela Agência CMA.

Os dados são uma mediana produzida a partir das projeções dos economistas, que oscilam entre o fechamento de 21,5 milhões a 25,0 milhões vagas, enquanto as estimativas para a taxa de desemprego variam entre 15,0% e 17,5%.

De acordo com os especialistas, a suspensão de atividades devido à pandemia do novo coronavírus trará um resultado sem precedentes para o mercado de trabalho norte-americano. As medidas de quarentena e isolamento social são as principais responsáveis pelo fechamento de vagas de abril, quando as normas já estavam sendo aplicadas desde o meio de março.

“A única visão otimista que podemos ter em relação a esses números é que com uma taxa de desemprego tão grande, é mais provável que o encerramento de vagas seja temporário, o que promete uma recuperação após esse período”, afirmou o economista-chefe para Estados Unidos da Capital Economics, Paul Ashworth.

Para o economista do UBS para a América do Norte, Seth Carpenter, é também difícil avaliar com clareza os dados de emprego em meio à atual crise.

“Há muitas empresas fechando ou suspendendo atividades, o que dificulta a medição precisa das vagas. As ausências no trabalho acabam por diminuir as taxas de resposta. Em casos de não resposta, o órgão geralmente supõe que o emprego tenha permanecido ou sido excluído de acordo com o que ocorreu em empresas semelhantes que responderam – não é uma suposição perfeita”, afirma ele.

GANHOS POR HORA

Mais uma vez, os ganhos por hora devem estar no foco das atenções do mercado. Projeções feitas pela Agência CMA mostram que o mercado espera um dado em linha com o aumento que vem sendo observado nos últimos meses. Em base mensal, a alta média deve ser de 0,4% em abril. Já em base anual, a expectativa é de que o aumento médio seja de 3,3%.

Em março, o salário médio por hora no setor privado somou US$ 28,62, alta de 0,39% ante os US$ 28,51 registrados em fevereiro e aumento de 3,1% ante os US$ 27,76 de março de 2019.

“Espera-se que o reajuste salarial se mantenha firme na mesma taxa em que vinha crescendo devido aos efeitos de sazonalidade típicos e na suposição de que o risco de redução das remunerações aparecerá mais lentamente nos próximos meses”, disse o vice-presidente da Scotiabank Economics, Derek Holt.

O aumento dos salários nos Estados Unidos é uma questão determinante, junto com a inflação, para o ritmo de aperto monetário do país. Em sua última reunião, realizada em abril, o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) manteve a taxa de juros na faixa entre zero e 0,25% ao ano.

ADP

O índice de criação de vagas no setor privado, medido pela Automatic Data Processing (ADP) e pela Macroeconomic Advisers, também é outro dado observado pelo mercado, que passou a acompanhá-lo como uma espécie de prévia do relatório mais amplo sobre o emprego elaborado pelo Departamento do Trabalho, que será divulgado na sexta-feira.

Em abril, o setor privado dos Estados Unidos fechou 20,236 milhões de vagas de trabalho, excluindo o setor rural. Analistas esperavam um fechamento maior, de 22 milhões de vagas. Em março, o número de vagas fechadas foi revisado para cima, passando de 27 mil vagas para 149 mil, segundo a ADP.

“Perdas de empregos dessa escala são sem precedentes. O número total de perdas de empregos somente no mês de abril foi mais que o dobro do total de empregos perdidos durante a Grande Recessão”, disse o codiretor do Instituto de Pesquisa ADP, Ahu Yildirmaz.