Mercado precisa evitar alta do dólar e parar de ser “irritadinho”, reclama Bolsonaro

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Coletiva de Imprensa do Presidente da República, Jair Bolsonaro e Ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta. (Foto: Isac Nóbrega/PR)

São Paulo – O presidente Jair Bolsonaro reclamou do nervosismo dos investidores e do efeito disso sobre a taxa de câmbio, acrescentando que o mercado financeiro precisa “deixar de ser irritadinho” e contribuir com a melhora da economia. “Vamos deixar de ser irritadinho que não vai levar a lugar nenhum”, disse o presidente ontem à noite em uma transmissão ao vivo em suas redes sociais.

“A gente está buscando soluções. Uma das maneiras de diminuir preço do combustível é se dólar cair aqui dentro. Mas qualquer negocinho, qualquer boato na imprensa, está esse mercado nosso irritadinho e sobe o dólar. Todo mundo perde com isso”, disse ele.

Segundo Bolsonaro, os investidores “sabem da situação crítica que está o Brasil”. Ele mencionou que o Brasil possui uma dívida de aproximadamente R$ 5 trilhões e disse que o contribuinte “paga muito para a rolagem desta dívida”.

Um dos motivos para o nervosismo no mercado é a falta de indicação clara sobre como se dará o pagamento da próxima rodada de auxílio emergencial – confirmada ontem pelo próprio Bolsonaro.

A dúvida dos investidores é se haverá algum tipo de compensação desta despesa com corte de gastos em outra área – justamente porque a dívida brasileira aumentou para perto de 90% do Produto Interno Bruto (PIB) com as medidas emergenciais de combate à pandemia de covid-19 no ano passado.

O presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, disse ontem, antes da transmissão feita por Bolsonaro e da confirmação pelo presidente de que haverá nova rodada de auxílio emergencial, que sinalizar aos investidores que a dívida em algum momento vai diminuir é importante para inspirar confiança e diminuir a aversão dos investidores em ativos brasileiros.