MERCADO AGORA: Veja um sumário negócios até o momento

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Foto: Edrod / freeimages.com

São Paulo – O Ibovespa já abriu em forte alta refletindo a recuperação de Bolsas no exterior vista ontem, quando a B3 ficou fechada em função do feriado de Finados, e também hoje de manhã.

Investidores aproveitam para comprar ativos mais baratos depois de uma semana de fortes quedas, na qual os riscos que podem ser trazidos pelas eleições presidenciais norte-americanas, que ocorre nesta terça-feira, já foram em parte precificados.

Por volta das 13h30 (horário de Brasília), o Ibovespa registrava alta de 1,40%, aos 95.268,21 pontos. O volume financeiro do mercado era de aproximadamente R$ 15,0 bilhões. No mercado futuro, o contrato de Ibovespa com vencimento em dezembro de 2020 apresentava avanço de 0,94%, aos 95.395 pontos.

No entanto, a previsão é que haja volatilidade com especulações sobre as votações ao longo do dia e expectativas para uma semana cheia, que ainda contará com reunião do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) e dados de emprego dos Estados Unidos.

“Estamos seguindo o clima do exterior e o foco está totalmente nas eleições nos Estados Unidos, mas pode demorar de 24 horas a 48 horas para termos um resultado, além de poder ter recontagem de votos, já que Trump já disse que pode pedir se perder. Isso poderia demorar mais cinco semanas”, avalia o sócio da Criteria Investimentos, Vitor Miziara.

Segundo Miziara, embora o candidato democrata Joe Biden tenha mostrado vantagem sobre o presidente Donald Trump nas pesquisas nacionais, há dúvidas se conseguirá levar estados-chave como a Flórida, o que daria maior chances à Trump. “Não dá para saber, então podemos ter um mercado mais volátil nos próximos dias”, reiterou.

Com o foco nas eleições, investidores também deixaram de lado, por enquanto, preocupações com o avanço da segunda onda da pandemia de coronavírus principalmente na Europa, novos “lockdowns” parciais na Inglaterra e na Bélgica anunciados no fim de semana, depois que França e Alemanha já tinham tomado medidas semelhantes na semana passada.

As eleições ainda se sobrepõe a acontecimentos da cena doméstica, como a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que mostrou maior preocupação com o cenário fiscal. No entanto, essa semana, investidores ainda ficarão atentos a possíveis votações no Senado, como a projeto sobre a autonomia do Banco Central (BC).

O dólar comercial acelerou as perdas frente ao real e renovou mínimas sucessivas a R$ 5,65 acompanhando o exterior onde o dólar perde terreno para moedas pares e de países emergentes com investidores à espera do resultado da eleição presidencial nos Estados Unidos. Apesar das incertezas em torno do eleito e de uma agenda de eventos e indicadores pesada ao longo da semana, a sessão é de procura por risco.

Porém, por volta das 13h30, o dólar comercial registrava estabilidade, sendo negociado a R$ 5,7390 para venda. No mercado futuro, o contrato da moeda norte-americana com vencimento em dezembro de 2020 apresentava recuo de 0,13%, cotado a R$ 5,742.

O consultor de câmbio da corretora Advanced, Alessandro Faganello, ressalta que o mercado espera se o resultado da eleição será contestado ou não e que o resultado do pleito será o condutor da taxa de câmbio nos próximos dias ou até mesmo, semanas. O candidato democrata, Joe Biden, lidera as pesquisas de opinião.

“As eleições norte-americanas se desenrolam em clima de alta tensão e muito mais está em jogo que apenas o futuro dos Estados Unidos. A permanência ou não do [presidente Donald] Trump tem impacto direto com a geopolítica multipolar deste século e com o aumento de tensão ou não com a China”, avalia o economista-chefe da Necton Corretora, André Perfeito.

O avanço da segunda onda de contaminação pelo novo coronavírus na Europa fica em segundo plano na sessão, enquanto mais países anunciaram novas medidas de distanciamento social. Diante disso, Faganello acrescenta que o último trimestre parece não estar caminhando da forma como esperada na zona do euro e medidas restritivas mais fortes devem tornar a recuperação econômica mais lenta e ter reflexos econômicos preocupantes.

As taxas dos contratos de juros futuros (DIs) perderam força no movimento de retirada de prêmios, com o trecho mais curto passando a ensaiar leves ganhos, em reação à ata da reunião de outubro do Comitê de Política Monetária (Copom), ao passo que os vencimentos mais longos ainda exibem ligeira queda, em meio ao recuo acelerado do dólar, que é cotado abaixo de R$ 5,70, e ao cenário externo favorável aos ativos de risco neste dia de eleição nos Estados Unidos.

Às 13h30, o DI para janeiro de 2022 tinha taxa de 3,57%, de 3,46% no ajuste anterior, ao final da semana passada; o DI para janeiro de 2023 projetava taxa de 5,21%, de 5,05% após o ajuste na última sexta-feira; o DI para janeiro de 2025 estava em 6,93%, de 6,78%; e o DI para janeiro de 2027 tinha taxa de 7,68%,de 7,57%, na mesma comparação.