MERCADO AGORA: Veja um sumário dos negócios até o momento

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Foto: Myles Davidson / freeimages.com

São Paulo – O Ibovespa acelerou perdas e chegou a cair mais de 1% há pouco seguindo a piora de Bolsas norte-americanas em meio a falas do presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), Jerome Powell, e após indicadores divulgados mais cedo. Na cena doméstica, investidores também seguem receosos em relação à questão fiscal, com previsões de aumento do déficit fiscal e tentativas do governo de criar um novo imposto. Entre os papéis, os de bancos e de frigoríficos aprofundaram perdas.

Por volta das 13h30 (horário de Brasília), o Ibovespa registrava queda de 0,58%, aos 96.721,14 pontos. O volume financeiro do mercado era de aproximadamente R$ 13,0 bilhões. No mercado futuro, o contrato de Ibovespa com vencimento em outubro de 2020 apresentava recuo de 0,21%, aos 96.795 pontos.

O presidente do Fed também dá novo depoimento no Congresso norte-americano e disse o que a autoridade monetária fará o que for preciso para apoiar a economia e já usou todas as ferramentas imagináveis. Porém, Powell tem alertado que o ritmo de retomada depende diretamente de controlar o vírus e tem alertado para a necessidade de maior apoio fiscal do governo. Os parlamentares do país seguem em impasse sobre um novo pacote de estímulos.

Mais cedo, também foi divulgado o PMI de indústria norte-americano, que veio levemente pior do que o esperado por analistas, embora o PMI de serviços tenha vindo dentro do previsto. Na Europa, por sua vez, o PMI da indústria veio melhor do que o previsto, ajudando Bolsas da região.

“O volume está mais fraco e estamos precisando de notícias mais favoráveis. O cenário lá fora está dependente de estímulos, se o governo norte-americano dar um novo incentivo para a economia os mercado poderiam melhorar. Já por aqui, a questão fiscal ainda gera dúvidas e a criação de uma nova CPMF é polêmica”, disse o operador de renda variável da Commcor Corretora, Ari Santos.

No cenário doméstico, o Ministério da Economia elevou a previsão de déficit fiscal do ano de R$ 787,5 para R$ 861 bilhões e notícias apontam que o governo ainda irá buscar a aprovação de um novo imposto nos moldes da CPMF junto ao “centrão”.

Entre as ações, setores com grande peso no índice, como os de bancos e frigoríficos estão pesando negativamente, caso das ações do Itaú Unibanco (ITUB4 -1,12%) e da Marfrig (MRFG3 -4,54%), que está entre as maiores perdas do Ibovespa. Para Santos, a forte volatilidade vista no dólar ontem e hoje acaba não sendo positiva para empresas exportadoras como a Marfrig, apesar de estar em alta, já que tira previsibilidade. O dólar sobe mais de 1%, a R$ 5,546, no momento. Além disso, problemas ambientais e de queimadas no Brasil têm chamado a atenção.

Ao lado da Marfrig ainda estão ações da Braskem (BRKM5 -3,71%) e de varejistas, como Pão de Açúcar (PCAR3 -3,63%).

Na contramão, as maiores altas são das ações da Localiza (RENT3 14,18%), que dispararam após a companhia fechar um acordo de R$ 2 bilhões para incorporar a Unidas, em operação na qual os acionistas da Unidas deterão 23,15% do capital votante na Localiza.

O dólar comercial voltou a acelerar os ganhos frente ao real e renova máximas sucessivas acima de R$ 5,56 – nos maiores patamares desde 27 de agosto – acompanhando as perdas das moedas de países emergentes em meio à forte valorização global da moeda norte-americana.

Por volta das 13h30, o dólar comercial registrava alta de 1,40%, sendo negociado a R$ 5,5460 na venda. No mercado futuro, o contrato da moeda norte-americana com vencimento em outubro de 2020 apresentava avanço de 1,35%, cotado a R$ 5,545.

“O dólar está fortalecido no mundo, tendo como pano de fundo o cenário de enfraquecimento da dinâmica econômica global”, diz o diretor de uma corretora nacional.

Na abertura, o mercado reagiu às prévias dos índices dos gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês), da atividade industrial e de serviços na Europa, onde a indústria registrou alta em setembro, enquanto o setor de serviços segue fraco, com quedas no mês.

Há pouco, saiu os mesmos indicadores dos Estados Unidos com o mesmo cenário. A atividade industrial subiu para 53,5 pontos, enquanto serviços caiu a 54,6 pontos, mostrando perda de ímpeto da atividade norte-americana, diz o consultor de câmbio da corretora Advanced, Alessandro Faganello.

“Não à toa seguem as observações em torno do aceno feito pelo Fed [Federal Reserve, o banco central norte-americano] em relação a aprovação de um pacote de apoio fiscal trilionário que possa minimizar os impactos da pandemia”, avalia. Falando em Fed, investidores acompanham a nova rodada de declarações do presidente da autoridade monetária, Jerome Powell, agora no Congresso norte-americano.

As taxas dos contratos de juros futuros (DIs) mantêm o ritmo de recomposição de prêmios visto na abertura do pregão, reagindo ao resultado mais “salgado” que o esperado da prévia deste mês da inflação ao consumidor brasileiro (IPCA-15). A curva a termo também é pressionada pela alta acelerada do dólar, que já é cotado acima deR$ 5,50, em um movimento alinhado ao exterior, além da expectativa pelo leilão de títulos, amanhã.

Às 11h55, o DI para janeiro de 2022 tinha taxa de 2,92%, repetindo o ajuste anterior; o DI para janeiro de 2023 projetava taxa de 4,38%, de 4,35% após o ajuste ontem; o DI para janeiro de 2025 estava em 6,37%, de 6,30%; e o DI para janeiro de 2027 tinha taxa de 7,34%, de 7,26%, na mesma comparação.