MERCADO AGORA: Veja um sumário dos negócios até o momento

128

São Paulo – O Ibovespa ampliou ganhos puxado por uma aceleração da alta de ações de bancos, que têm grande peso no índice, além de passar a seguir mais de perto o cenário externo, com Bolsas subindo na expectativa de estímulos econômicos nos Estados Unidos. No Brasil, o programa Renda Cidadã deve mesmo ficar para depois das eleições municipais, o que já era previsto pelo mercado.

Por volta das 13h30 (horário de Brasília), o Ibovespa registrava alta de 1,46%, aos 96.930,19 pontos. O volume financeiro do mercado era de aproximadamente R$ 12,7 bilhões. No mercado futuro, o contrato de Ibovespa com vencimento em outubro de 2020 apresentava avanço de 1,24%, aos 96.935 pontos.

Segundo o operador de renda variável da Commcor Corretora, Ari Santos, depois de alguns dias mais pesados em função do risco fiscal, investidores voltam a olhar para papéis mais baratos como os de bancos, além de um relatório do UBS ter mostrado uma avaliação positiva sobre o setor.

“Já estava na hora de o Ibovespa tentar uma recuperação e segundo o UBS os bancos devem ter lucro por ação 16% maior no terceiro trimestre do que no segundo trimestre, com a inadimplência tendo pequeno impacto”, disse. Entre os preferidos do UBS, estariam as ações do Itaú Unibanco (ITUB4 3,39%), que estão entre as maiores altas do índice, ao lado do Santander (SANB11 4,46%), do Bradesco (BBDC3 3,63%) e do IRB Brasil (IRBR3 9,62%).

No exterior, Bolsas avançam na expectativa de novos estímulos fiscais. Para o economista-chefe da SulAmérica Investimentos, Newton Rosa, ainda há otimismo no mercado “repercutindo novamente uma mudança na possibilidade de estímulos fiscais nos Estados Unidos”, já que ontem o presidente Donald Trump recuou de sua posição anterior de não negociação e se mostrou aberto à aprovação de estímulos fiscais em diversos pequenos pacotes separados (para famílias, empresas aéreas, etc).

Já na cena doméstica, o senador Marcio Bittar (MDB-AC) confirmou à Agência CMA que a apresentação do programa Renda Cidadã ficará para depois das eleições, em busca de um consenso. “Talvez seja melhor esperar para que o governo apresente uma proposta mais estruturada e não voltar mais atrás. Houve também sinalização que o programa vai respeitar o teto de gastos, há uma paz momentânea”, disse o operador da Commcor.

O dólar comercial exibe forte volatilidade na primeira parte dos negócios e opera sem direção única frente ao real, nos campos positivo e negativo, exibindo o viés de cautela do mercado doméstico em meio às incertezas com o programa Renda Cidadã, no qual deverá ser apresentado após as eleições municipais, no mês que vem, como afirmou o senador Márcio Bittar em entrevista à Agência CMA.

Por volta das 13h30, o dólar comercial registrava queda de 0,60%, sendo negociado a R$ 5,5890 na venda. No mercado futuro, o contrato da moeda norte-americana com vencimento em outubro de 2020 apresentava recuo de 0,42%, cotado a R$ 5,593.

“Se eu quero resolver esse problema, eu quero. Eu não posso ser o porta-voz de mim mesmo. Você tem pessoas fundamentais, a partir do presidente da República, no Senado, na Câmara sem as quais você não aprova o programa”, disse o parlamentar que também é relator da PEC Emergencial, texto que incluirá o programa Renda Cidadã.

Bittar afirmou que “se não houve consenso até agora, não vai ser durante campanha eleitoral” que isso acontecerá, indicando que a apresentação da proposta do programa social que substituirá o Bolsa Família ficará para depois das eleições municipais que devem terminar em 29 de novembro, prazo limite nos casos de segundo turno.

“Nosso problema fiscal tem provocado muita volatilidade no dólar. O investidor está preocupado e trabalha com viés de proteção. Mas hoje, com o dólar no nível de R$ 5,64, chamou muitas vendas por parte do exportador”, comenta o diretor superintendente de câmbio da Correparti, Jefferson Rugik.

O profissional da corretora acrescenta que, na medida em que a apresentação do programa Renda Cidadã é adiada, o dólar tende “a escalar” níveis mais altos. “O mercado é ansioso, então, quanto mais prorroga, mais pressão a gente vai ver na moeda. Com isso, estamos descolados do exterior justamente refletindo essa preocupação com o nosso fiscal que está bem ruim”, reforça.

Visto que a apresentação poderá ficar para dezembro, Rugik diz que o mercado tem “todos os ingredientes para uma nova tempestade perfeita” já que no meio do caminho tem ainda as eleições dos Estados Unidos e o avanço do novo coronavírus em regiões da Europa. “Se furar o patamar de R$ 5,67, um suporte importante, o dólar deve renovar novas máximas e alçar uma nova busca pelos R$ 6,00”, aposta.

Após uma abertura com leves oscilações, as taxas dos contratos de juros futuros (DIs) firmaram-se em queda, principalmente no trecho curto e intermediário, reagindo à oferta menor de títulos colocada pelo Tesouro Nacional no tradicional leilão do dia. O comportamento do dólar e dos mercados no exterior também favorece o movimento de retirada de prêmios, com os investidores atentos à questão fiscal.

Às 13h30, o DI para janeiro de 2022 tinha taxa de 3,20%, de 3,27% no ajuste anterior; o DI para janeiro de 2023 projetava taxa de 4,69%, de 4,77% após o ajuste ontem; o DI para janeiro de 2025 estava em 6,60%, de 6,66%, na mesma comparação; e o DI para janeiro de 2027 tinha taxa de 7,58%, repetindo o ajuste da véspera.