MERCADO AGORA: Veja um sumário dos negócios até o momento

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Foto: Krzysztof Baranski/ freeimages.com

São Paulo – Ibovespa oscila entre perdas e ganhos nesta manhã, sem forças para corrigir as fortes perdas de ontem mesmo com dados mais positivos da confiança do consumidor nos Estados Unidos e a possibilidade de desistência do governo de financiar o programa Renda Cidadã com recursos de precatórios e com o Fundeb, o que foi visto como uma manobra fiscal. A previsão é que a volatilidade permaneça com investidores preocupados com as dificuldades de o governo de endereçar a questão fiscal.

Por volta das 13h30 (horário de Brasília), o Ibovespa registrava queda de 0,44%, aos 94.248,93 pontos. O volume financeiro do mercado era de aproximadamente R$ 11,0 bilhões. No mercado futuro, o contrato de Ibovespa com vencimento em outubro de 2020 apresentava recuo de 0,22%, aos 94.290 pontos.

“Ontem a queda foi muito feia e descolamos do exterior, mas não tem como a Bolsa se recuperar totalmente, por mais que se tire o bode da sala. O risco aumentou e precisa ser incorporado, só o fato de o governo ter proposto uma manobra fiscal já gera maior desconfiança”, disse o sócio da RJI Gestão e Investimentos, Rafael Weber.

Ontem, o governo anunciou que pretende financiar o programa Renda Cidadã, que irá substituir o Bolsa Família, com recursos usados para pagar precatórios e parte do fundo destinado à educação, o Fundeb, que não entra na conta do teto de gastos. Mas, dada à forte receptividade negativa da proposta, há rumores de que o governo pode voltar atrás.

Weber, porém, destaca que o modo proposto para custear o programa foi visto como uma “forma camuflada de tentar furar o teto de gastos, e que usar recursos de precatórios é empurrar mais dívidas para frente. Além disso, a proposta evidenciaria a maior fraqueza do ministro da Economia, Paulo Guedes, que parece estar cedendo em pontos que antes defendia. “A tolerância do mercado está se esvaindo, se é que já não acabou”, reitera.

Além do cenário local mais hostil, o cenário externo segue inspirando cautela. As Bolsas europeias operam em leve queda no dia em que a pandemia de coronavírus ultrapassou a marca de 1 milhão de mortos no mundo, enquanto os índices norte-americanos mostram volatilidade em meio a dúvidas sobre o novo pacote de estímulos fiscais e a intensificação das campanhas eleitorais presidenciais.

Wall Street chegou a operar em alta após dados acima do esperado pelo mercado da confiança do consumidor em setembro, mas já voltou a cair. Democratas e republicanos seguem negociando sobre o pacote e hoje haverá o primeiro debate entre o presidente Donald Trump e o democrata Joe Biden.

Entre as ações, as maiores quedas do Ibovespa são da Azul (AZUL4 -4,35%) e da Gol (GOLL4 -3,43%). O Bradesco BBI reduziu a recomendação dos papéis da Azul para neutro. Na contramão, as maiores altas dão da Natura (NTCO3 3,58%), da WEG (WEGE3 3,03%) e da Klabin (KLBN11 2,93%).

O dólar comercial opera com forte volatilidade na primeira parte dos negócios com investidores locais precificando os riscos fiscais que podem ser desencadeados após o anúncio do Renda Cidadã e de como o governo federal pretende financiar o programa, enquanto lá fora, a moeda norte-americana perde terreno para as divisas pares e da maioria das divisas de países emergentes após os democratas apresentarem proposta de um pacote fiscal nos Estados Unidos.

Por volta das 13h30, o dólar comercial registrava alta de 0,35%, sendo negociado a R$ 5,6590 na venda. No mercado futuro, o contrato da moeda norte-americana com vencimento em outubro de 2020 apresentava ligeiro recuo de 0,06%, cotado a R$ 5,658.

O consultor de câmbio da corretora Advanced, Alessandro Faganello, reforça que os ativos refletem as preocupações em relação ao risco fiscal do país com investidores assimilando o programa Renda Cidadã. “E a implementação de forma sustentável respeitando o teto de gastos. As dúvidas sobre a deterioração das contas públicas pesam com a equação sobre conciliar o gasto com o orçamento apertado”, avalia.

Faganello acrescenta que a volatilidade sobe nos dois últimos dias úteis do mês, em parte, devido a disputa pela formação de preço da taxa Ptax – média das cotações apuradas pelo Banco Central (BC) – entre os bancos “que costuma deixar o terreno escorregadio”. Além das notícias no âmbito político aqui e lá fora.

“O mercado espera o debate entre os presidenciáveis norte-americanos hoje à noite”, diz. Hoje, tem o primeiro debate das eleições dos Estados Unidos entre o presidente Donald Trump, que tenta a reeleição, e o candidato Joe Biden.  

Também está no radar dos investidores a proposta apresentada ontem pelos democratas de um pacote fiscal de US$ 2,2 trilhões. “É um montante menor do que o inicialmente proposto, mas maior do que o oferecido pelos líderes republicanos”, destaca a equipe econômica do Bradesco.

Após abrirem em alta acelerada, sinalizando uma continuidade do forte movimento de colocação de prêmios visto ontem, as taxas dos contratos de juros futuros (DIs) reduziram o ímpeto do movimento e passaram a oscilar entre altas e baixas, sem conseguir firmar uma direção para o dia. O vaivém da curva a termo local reflete o desconforto do mercado financeiro com os riscos fiscais do país.

Às 13h30, o DI para janeiro de 2022 tinha taxa de 3,18%, de 3,06% no ajuste anterior; o DI para janeiro de 2023 projetava taxa de 4,69%, de 4,54% após o ajuste ontem; o DI para janeiro de 2025 estava em 6,68%, de 6,61%; e o DI para janeiro de 2027 tinha taxa de 7,66%, de 7,62%, na mesma comparação.