MERCADO AGORA: Veja um sumário dos negócios até o momento

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Foto: Myles Davidson / freeimages.com

São Paulo – O Ibovespa segue em queda acompanhando Bolsas no exterior, que recuam após decisões de política monetária de bancos centrais, no entanto, já reduziu perdas amparado por papéis como os da Ambev, siderúrgicas e frigoríficos. Os papéis avançam com expectativas de recuperação, recomendações e após perdas recentes.

Por volta das 13h30 (horário de Brasília), o Ibovespa registrava queda de 0,45%, aos 99.221,11 pontos. O volume financeiro do mercado era de aproximadamente R$ 9,9 bilhões. No mercado futuro, o contrato de Ibovespa com vencimento em outubro de 2020 apresentava recuo de 0,34%, aos 99.355 pontos.

“Tanto lá fora quanto aqui, os mercados estão caindo na realidade, de que os bancos centrais podem esbarrar no risco fiscal. O Fed disse que tem munição ainda, mas não tem essa força de estimular o consumo sozinho também”, disse o analista de investimentos do Banco Daycoval, Enrico Cozzolino.

Ontem, o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) e o Comitê de Política Monetária (Copom) mantiveram as taxas de juros como o esperado, assim como o Banco da Inglaterra (BoE) e o Banco do Japão (BoJ) hoje, preferindo não fazer outros novos estímulos por enquanto.

Porém, o analista destaca que há papéis que estão mais baratos quando se olha para múltiplos e que têm força para segurar a queda do Ibovespa em alguns dias, dada à grande participação que têm no índice. “Papéis como os da Ambev e bancos estão descontados e às vezes investidores saem um pouco de ações de varejo, por exemplo, que já subiram bastante, para comprar esses papéis”, afirmou.

As ações da Ambev (ABEV 4,93%) mostram a maior alta do Ibovespa no momento, seguido dos papéis da Usiminas (USIM5 2,29%), que teve a recomendação elevada pelo Credit Suisse para neutro. Os papéis de frigoríficos, como BRF (BRFS3 1,63%) e da JBS (JBSS3 1,54%) também avançam. Na contramão, as maiores perdas são da Yduqs (YDUQ3 -2,99%), da Hapvida (HAP3 -2,46%) e da B2W (BTOW3 -2,02%).

O dólar comercial tem alta firme frente ao real, mas exibe forte oscilação acompanhando o exterior após se aproximar dos R$ 5,30 na abertura dos negócios e renovar mínimas sucessivas a R$ 5,25, enquanto investidores precificam os comunicados de política monetária de bancos centrais, entre ontem e hoje, no qual avaliam a falta de novos estímulos monetários principalmente, pelo Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano).

Por volta das 13h30, o dólar comercial registrava alta de 0,36%, sendo negociado a R$ 5,2590 na venda. No mercado futuro, o contrato da moeda norte-americana com vencimento em outubro de 2020 apresentava avanço de 0,35%, cotado a R$ 5,259.

Segundo a equipe econômica do Bradesco, mercados reagem à ausência de uma nova rodada de estímulos no mundo por parte dos bancos centrais. Para os analistas do banco, embora a taxa de juros tenha sido mantida pelo Fed na faixa entre zero e 0,25%, investidores esperavam que a autoridade monetária sinalizasse o aumento de estímulos, frente à recente perda de tração da recuperação da economia norte-americana.

O estrategista-chefe da Levante, Rafael Bevilacqua, acrescenta que investidores se acostumaram com um fluxo constante de novas medidas de estímulo monetário, e as declarações do presidente do Fed, Jerome Powell, indicaram que ainda deve demorar algum tempo para que os bancos centrais das principais economias façam novos movimentos nesse sentido. “E essa ausência reduziu o entusiasmo do mercado”, diz.

Os economistas do Bradesco destacam as decisões do Banco do Japão (BoJ) e o Banco da Inglaterra (BoE) hoje no qual decidiram manter as políticas monetárias inalteradas. “Mas melhorando as avaliações para as economias”, observam.

As taxas dos contratos de juros futuros (DIs) inverteram a direção e passaram a cair, com os investidores devolvendo boa parte dos prêmios embutidos recentemente, após a oferta menor que o esperado de títulos públicos em leilão do Tesouro Nacional. A curva a termo também calibra as expectativas em relação ao rumo da Selic, após a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de interromper o ciclo de cortes.

Às 13h30, o DI para janeiro de 2022 tinha taxa de 2,82%, de 2,89% no ajuste anterior; o DI para janeiro de 2023 projetava taxa de 4,14%, de 4,25% após o ajuste ontem; o DI para janeiro de 2025 estava em 6,04%, de 6,12%; e o DI para janeiro de 2027 tinha taxa de 7,04%, de 7,12%, na mesma comparação.