MERCADO AGORA: Veja um sumário dos negócios até o momento

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Foto: Myles Davidson / freeimages.com

São Paulo – O Ibovespa, principal índice da B3, acentuou a queda e passou a cair mais 1% na sessão de hoje. O índice já vinha apresentando retração acompanhando a queda das Bolsas norte-americanas, mas passou a cair com mais força após a agência de classificação de risco Moody’s divulgar relatório sobre a economia brasileira.

Por volta das 13h30 (horário de Brasília), o Ibovespa registrava queda de 1,04%, aos 100.179,87 pontos. O volume financeiro do mercado era de aproximadamente R$ 13,2 bilhões. No mercado futuro, o contrato de Ibovespa com vencimento em outubro de 2020 apresentava recuo de 0,65%, aos 100.335 pontos.

“Esperamos uma contração real de 6,2% no PIB em 2020, comparada à estimativa do Ministério da Economia de queda de 4,7%, seguida por um crescimento de 3,6% em 2021. Nossa previsão mais fraca para 2020 reflete a incerteza em torno do ritmo da atividade econômica no restante do ano, dada as taxas persistentemente altas de infecção [por covid-19], que podem levar a novos fechamentos de empresas”, afirmou a agência em um relatório.

A agência explicou ainda que a pressão política por aumento nas despesas com programas sociais impede que seja afastado o risco de rompimento do teto de gastos no Brasil.

“Nosso cenário base presume que o governo vai cumprir o teto de gastos em 2020 e continuará a avançar com reformas essenciais, como a tributária e as emendas constitucionais para diminuir a rigidez nos gastos e garantir a aderência ao teto de gastos em 2021 e além, criando espaço fiscal para financiar programas de assistência social”, disse a Moody’s em um relatório.

“No entanto, o rompimento do teto continua sendo um risco, dada a pressão política para expandira assistência social, e mais ainda no caso de uma recuperação econômica mais fraca, que possa levar as autoridades a aprovar mais gastos excepcionais em 2021”, acrescentou.

No mercado externo, a queda nas Bolsas norte-americanas já era esperada, uma vez que desde a semana passada o Nasdaq vem apresentando fortes quedas seguindo as desvalorizações das ações de empresas do setor de tecnologia.

“As bolsas de valores dos EUA e Brasil voltam do feriado e a sinalização dada pelos investidores não é de otimismo. A forte queda nos preços de ações de tecnologia, ocorrida na quinta-feira e sexta-feira passada ainda preocupam e podem impactar o rali do Nasdaq e até contaminar outras bolsas de valores”, explicou Pedro Galdi, analista da Mirae Asset.

O dólar comercial opera com alta firme frente ao real acompanhando o exterior negativo em meio à correção na volta do feriado aqui e nos Estados Unidos, mas desacelerou as perdas em sessão de intensa volatilidade. Lá fora, prevalece o sentimento de aversão ao risco que fortalece a moeda norte-americana ante as divisas pares e de países emergentes.

Por volta das 13h30, o dólar comercial registrava alta de 0,79%, sendo negociado a R$ 5,3500 na venda. No mercado futuro, o contrato da moeda norte-americana com vencimento em outubro de 2020 apresentava avanço de 0,92%, cotado a R$ 5,353.

O diretor superintendente de câmbio da Correparti, Jefferson Rugik, destaca que o movimento da moeda é impulsionado pela queda do índice da bolsa de Nasdaq – mais de 2% – e com as fortes perdas do preço de petróleo em meio à uma piora do equilíbrio de oferta e demanda. “E com a mais nova ameaça de Donald Trump de romper as relações com a China caso seja reeleito presidente dos Estados Unidos”, comenta.

O consultor de câmbio da corretora Advanced, Alessandro Faganello, acrescenta que o preço do barril de petróleo também cai ao passo que a Arábia Saudita anunciou a redução do preço de venda principalmente para a Ásia e dos Estados Unidos “influenciando no desempenho das moedas atreladas a commodity”, diz. Os preços dos contratos futuros de petróleo tipo WTI caem mais 8%, ao redor de US$ 36 o barril.

A Aramco, estatal saudita de petróleo, baixou o preço do petróleo leve em US$ 1,40 o barril – que vai vender em setembro na Ásia – oferecendo desconto de US$ 0,50 o barril para a média de Omã e Dubai. Este é o segundo mês consecutivo em que a companhia corta o preço do petróleo leve para a Ásia. A estatal também reduziu os valores de venda para os mercados dos Estados Unidos em US$ 0,60 por barril, para oferecer prêmio de US$ 1,05 por barril à média de Omã e Dubai.

As taxas dos contratos de juros futuros (DIs) mantêm o ritmo de colocação de prêmios visto desde a abertura do pregão, em meio à alta firme do dólar, que está refém do ambiente internacional mais avesso ao risco, e aos dados de inflação na agenda desta semana, que antecede a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). O resultado salgado do IGP-DI eleva a expectativa pelo IPCA, amanhã, com os investidores vendo um espaço pequeno para um novo corte na Selic neste mês.

Às 13h30, o DI para janeiro de 2022 tinha taxa de 2,81%, de 2,74% no ajuste anterior, ao final da semana passada; o DI para janeiro de 2023 projetava taxa de 4,01%, de 3,90% após o ajuste na última sexta-feira; o DI para janeiro de 2025 estava em 5,80%, de 5,69% antes do feriado; e o DI para janeiro de 2027 tinha taxa de 6,76%, de 6,64%, na mesma comparação.