MERCADO AGORA: Veja um sumário dos negócios até o momento

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São Paulo – O Ibovespa apagou perdas em meio a declarações do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, que disse discordar da derrubada do veto presidencial que impedia reajustes de funcionários públicos, apesar de afirmar que a decisão dos senadores tem que ser respeitada. O veto será analisado pela Câmara ainda hoje, sem sessão prevista para começar às 15h.

Por volta das 13h30 (horário de Brasília), o Ibovespa registrava alta de 0,36%, aos 101.223,54 pontos. O volume financeiro do mercado era de aproximadamente R$ 15,2 bilhões. No mercado futuro, o contrato de Ibovespa com vencimento em outubro de 2020 apresentava avanço de 0,68%, aos 101.465 pontos.

O analista da Guide Investimentos, Henrique Esteter, destacou que “a Bolsa apagou perdas” assim que Maia disse que discorda de derrubada de veto de ajuste a servidores, ocorrido ontem no Senado, e que trabalha para manter o veto na Câmara. Por outro lado, o presidente da Câmara falou que a decisão do Senado tem que ser respeitada e que não ajuda o ministro da Economia, Paulo Guedes, atacar senadores.

A questão fiscal tem pesado sobre a Bolsa, com investidores temendo que o governo descumpra o teto de gastos. Questões como a extensão do auxílio emergencial e o orçamento de 2021 também devem continuar no radar.

Além das declarações de Maia, a melhora das Bolsas norte-americanas ajuda o Ibovespa. Wall Street tenta uma recuperação amparada em ações de empresas de tecnologia, apesar de permanecer certa cautela após as sinalizações dadas ontem em ata do Fed, que mostrou maior preocupação com o ritmo da retomada da atividade econômica, além de indicadores como os pedidos de seguro-desemprego terem vindo pior do que o esperado.

O dólar comercial resistiu bravamente ao leilão da moeda à vista realizado pelo Banco Central (BC) na manhã de hoje e segue subindo fortemente, acima de 2%, com o investidor demonstrando cautela diante do cenário político brasileiro e a crise entre o governo e o congresso. Para ajudar, indicadores piores que o previsto nos Estados Unidos trazem um alerta sobre a recuperação econômica mundial e o lado fiscal do Brasil, que tem tudo para estourar o teto de gastos.

Por volta das 13h30, o dólar comercial registrava avanço de 1,51%, sendo negociado a R$ 5,6190 para venda. Vale destacar que o BC injetou no mercado US$ 590,0 milhões em leilão mais cedo. No mercado futuro, o contrato da moeda norte-americana com vencimento em setembro de 2020 apresentava valorização de 1,07%, cotado a R$ 5,619.

“Esta quinta-feira é caracterizada por uma postura demasiadamente forte no que se refere à cautela perante os fatos internos. A pressão sobre o câmbio será inequívoca, sendo o real um dos ativos que tem se mostrado mais suscetível as incertezas que emanam de Brasília e também do exterior. A derrubada do veto presidencial ao aumento dos salários dos servidores públicos foi extremamente mal recebida pelo mercado, pois significa, em última análise, um sinal de que os gastos públicos continuarão a subir. Em resposta ao ato realizado pelo Senado Federal, o ministro da Economia, Paulo Guedes, classificou a decisão como ‘um crime contra o país'”, explicou, em relatório, Pedro Molizani, Trader Mesa de Câmbio Travelex Bank.

Nos Estados Unidos, foram divulgados nesta manhã os pedidos de seguro-desemprego e o índice Fed Filadélfia de atividade industrial, com ambos vindo piores do que o previsto por analistas. Apesar dos dados negativos, Miziara afirma que já era esperada uma piora, com muitos pedidos de seguro-desemprego postergados em função da pandemia, o que deve reduzir o impacto dos números nos mercados.

As taxas dos contratos de juros futuros (DIs) seguem em alta acelerada, acompanhando os ganhos firmes do dólar, que continua cotado acima de R$ 5,60, com os investidores ainda reagindo à ata da reunião de julho do Federal Reserve e aos crescentes riscos fiscais no Brasil.

Às 13h30, o DI para janeiro de 2022 tinha taxa de 2,78%, de 2,78% no ajuste anterior; o DI para janeiro de 2023 projetava taxa de 4,01%, de 4,00% após o ajuste ontem; o DI para janeiro de 2025 estava em 5,88%, de 5,83%; e o DI para janeiro de 2027 tinha taxa de 6,91%, de 6,85%, na mesma comparação.