MERCADO AGORA: Veja um sumário dos negócios até o momento

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Gráfico

São Paulo – O Ibovespa segue em alta em meio a balanços trimestrais positivos, com destaque para os da Marfrig e da Via Varejo, e após a defesa pelo presidente Jair Bolsonaro do teto de gastos e do andamento de reformas. No entanto, o índice ainda mostra um pouco de volatilidade em um dia de mercados acionários mistos no exterior, enquanto investidores acompanham as negociações sobre o pacote de estímulos nos Estados Unidos.

Por volta das 13h30 (horário de Brasília), o Ibovespa registrava alta de 0,35%, aos 102.479,95 pontos. O volume financeiro do mercado era de aproximadamente R$ 13,3 bilhões. No mercado futuro, o contrato de Ibovespa com vencimento em outubro de 2020 apresentava recuo de 0,16%, aos 102.720 pontos.

As maiores altas do índice no momento são da Via Varejo, que disparou após resultados trimestrais fortes impulsionados principalmente pelas vendas online. Ao lado da Via Varejo, estão as ações da Marfrig e da MRV, que também reagem a balanços mais fortes do que o esperado pelo mercado. Na contramão, as maiores quedas são da BRF, outra que reflete seu balanço do segundo trimestre, além da BR Malls e da Multiplan.

Na cena política doméstica, depois do dia tenso ontem com a saída de dois secretários especiais do Ministério da Economia e preocupações o risco fiscal, o presidente se reuniu com o restante da equipe e com os presidentes da Câmara e do Senado para fazer um pronunciamento e reiterar o compromisso com o teto de gastos e com reformas.

O sócio da Criteria Investimentos, Vitor Miziara, acredita que o mercado queria ver esse alinhamento do discurso, o que foi positivo, mas destaca que já houve uma reação da Bolsa ontem mesmo, com o Ibovespa reduzindo fortemente as perdas no fim do pregão. “Isso já fez preço no mercado ontem, então podemos ficar em linha com o cenário externo, além da temporada de balanços ter mostrados vários resultados fortes”, disse.

No exterior, as Bolsas norte-americanas operam mistas e as Bolsas europeia operam em leve queda, dando uma pausa em altas recentes apesar de dados mais fortes do que o esperado de pedidos de seguro-desemprego nos Estados Unidos. Investidores seguem aguardando evoluções das conversas entre republicanos e democratas, que estão em um impasse sobre o pacote de estímulos econômicos.

O dólar comercial opera em queda desde a abertura dos negócios hoje, refletindo o discurso de preocupação feito ontem pelo presidente Jair Bolsonaro em manter os gastos dentro do teto. Contribuem também as falas dos presidentes da Câmara, Rodrigo Maia, e do Senado, Davi Alcolumbre, de que estão dispostos a contribuir com as pautas do governo. Por fim, os leilões realizados ontem pelo Banco Central trazem um alívio maior aos investidores.

Por volta das 13h30, o dólar comercial registrava queda de 1,15%, sendo negociado a R$ 5,3850 para venda. No mercado futuro, o contrato da moeda norte-americana com vencimento em setembro de 2020 apresentava retração de 0,94%, cotado a R$ 5,388.

“O dia de hoje é caracterizado por um alívio no mercado doméstico. O apoio verbalizado em público, por parte do presidente Jair Bolsonaro em relação ao comprometimento com o teto de gastos ameniza os temores com a deterioração da esfera fiscal brasileira”, explicou, em relatório, Pedro Molizani, Trader Mesa de Câmbio Travelex Bank.

“Em paralelo, o ministro da Economia, Paulo Guedes, conjuntamente com lideranças no Congresso Nacional quer acelerar a votação de uma proposta que permite ao governo acionar em 2021 uma medida de controle de gastos, criando, concomitantemente, novos freios para as contas públicas. Em outras palavras, o alinhamento da Esplanada com a ala econômica liberal do governo Bolsonaro é exatamente o que o mercado deseja ver”, afirmou.

Molizani disse ainda que “atravessando a praça dos três poderes e chegando ao Poder Legislativo, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, defendeu, no dia de ontem, a reforma administrativa enquanto o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, elucidou que o Congresso irá avançar no que diz respeito aos debates que se referem à reforma administrativa e ao pacto federativo”, concluiu o especialista.

As taxas dos contratos de juros futuros (DIs) seguem em queda, devolvendo parte dos prêmios embutidos recentemente, diante do arrefecimento do receio dos investidores com o risco fiscal, após a defesa pública do presidente Jair Bolsonaro pelo chamado “teto dos gastos”. A queda do dólar e o ambiente internacional também ajudam, mas o movimento é limitado.

Às 13h30, o DI para janeiro de 2022 tinha taxa de 2,78%, de 2,77% no ajuste anterior; o DI para janeiro de 2023 projetava taxa de 3,96%, de 3,95% após o ajuste ontem; o DI para janeiro de 2025 estava em 5,79%, de 5,71%; e o DI para janeiro de 2027 tinha taxa de 6,83%, de 6,71%, na mesma comparação.