MERCADO AGORA: Veja um sumário dos negócios até o momento

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São Paulo – O Ibovespa segue mostrando volatilidade em função da briga entre comprados e vendidos em dia de vencimento de opções sobre o índice e passou a cair mais de 1%. Os papéis de bancos, que têm grande peso no índice, aceleraram perdas. A debandada vista na equipe econômica, após a baixa de dois secretários, também já impedia o índice de se firmar em campo positivo, apesar da alta de Bolsas no exterior.

Por volta das 13h30 (horário de Brasília), o Ibovespa registrava queda de 0,66%, aos 101.497,02 pontos. O volume financeiro do mercado era de aproximadamente R$ 15,3 bilhões. No mercado futuro, o contrato de Ibovespa com vencimento em agosto de 2020 apresentava recuo de 0,89%, aos 101.405 pontos.

“Há muita coisa na mesa para analisar, há um estresse após a saída dos secretários e a preocupação de como o buraco fiscal vai ser coberto, além do vencimento de opções e balanços que ainda devem sair esta semana. Mas Vale e Petrobras estão firmes”, disse o economista-chefe da Codepe Corretora, José Costa.

O mercado foi pego de surpresa pelos pedidos de demissão dos secretários especiais de Desestatização e Privatização, Salim Mattar, e de Desburocratização, Gestão e Governo Digital, Paulo Uebel.

As baixas ocorrem após a saída de uma série de outros membros da equipe do ministro da Economia, Paulo Guedes, que admitiu a “debandada”. Elas também ocorreram em meio a preocupações com o cenário fiscal, dificuldades para dar andamento a privatizações e a reformas. No entanto, Guedes voltou a defender o teto de gastos.

Entre as ações, as da Eletrobras mostram as maiores perdas do Ibovespa com a saída de Mattar, sendo que a Eletrobras é uma das companhias que o governo prometeu privatizar. Ao lado da Eletrobras, estão as ações da Hering, com os papéis de varejistas em queda em meio à espera por balanços e apesar de as vendas no varejo terem subido acima do previsto em junho.

No exterior, as Bolsas norte-americanas têm fortes altas com a notícia de que a empresa Moderna venderá 100 milhões de doses da sua vacina contra o coronavírus para o governo dos Estados Unidos. Ontem, a Rússia registrou a primeira vacina contra a covid-19, em um sinal de que novas vacinas estão cada vez mais próximas. Ainda nos Estados Unidos, dados de inflação vieram acima do esperado pelo mercado e investidores acompanham negociações em torno de novos estímulos econômicos.

O dólar comercial segue operando em alta desde o início da sessão. No cenário externo o clima é melhor, com um pouco mais de otimismo diante da criação russa da vacina contra a covid-19, porém, o cenário interno é preocupante após a saída de mais dois membros da equipe econômica de Paulo Guedes, ministro da Economia.

Por volta das 13h30, o dólar comercial registrava avanço de 0,83%, sendo negociado a R$ 5,4610 para a venda. No mercado futuro, o contrato da moeda norte-americana com vencimento em setembro de 2020 apresentava valorização de 1,46%, cotado a R$ 5,464.

“O dia de hoje começa com alívio no cenário internacional. Entretanto, algum ruído pode se dar no mercado doméstico após os pedidos de demissão de Salim Mattar e Paulo Uebel da equipe econômica. As demissões trazem à luz um certo desconforto uma vez que, somando-as, tem-se cinco baixas na pasta do Ministério da Economia. Não obstante, enquanto Uebel saiu do governo devido a seu descontentamento com o adiamento da reforma administrativa, Mattar alegou não conseguir dar prosseguimento no que se refere às privatizações, explicou, em relatório, Pedro Molizani – Trader Mesa de Câmbio Travelex Bank.

“Seguindo adiante, a preocupação com algum eventual desvio da manutenção do mecanismo que garante o teto de gastos está sendo monitorada com veemência pelos agentes econômicos. Isso ocorre porque a saúde fiscal é de extrema necessidade e importância para uma trajetória do país rumo ao progresso na esfera da economia. Em última instância, depreende-se, pois, que os índices e cotações de divisas estrangeiras se encontrem pressionados vide o cenário incerto em que os acontecimentos estão inseridos”, afirmou o especialista.

Os secretários especiais de Desestatização e Privatização, Salim Mattar, e de Desburocratização, Gestão e Governo Digital, Paulo Uebel, pediram exoneração à Guedes ontem. As saídas ocorrem após Mansueto Almeida ter deixado o posto de secretário do Tesouro, Caio Megale ter deixado o cargo de diretor de Programas da Secretaria Especial de Fazenda e de Rubem Novaes ter deixado a presidência do Banco do Brasil. Joaquim Levy e Marcos Cintra também já deixaram a equipe liberal escolhida por Guedes. Ainda no Brasil, continuam discussões em torno da possível flexibilização do teto de gastos, embora Guedes tenha voltado a defendê-lo.

As taxas dos contratos de juros futuros (DIs) seguem em alta, com os investidores recompondo prêmios na curva a termo, principalmente no trecho mais longo, em meio aos crescentes riscos fiscais, que também pressionam o dólar. A saída de dois secretários da equipe econômica prevalece nos negócios, em detrimento dos números melhores que o esperado do varejo brasileiro, diante dos crescentes ruídos envolvendo o ministro Paulo Guedes e o presidente Jair Bolsonaro.

Às 13h30, o DI para janeiro de 2022 tinha taxa de 2,73%, de 2,68% no ajuste anterior; o DI para janeiro de 2023 projetava taxa de 3,90%, de 3,81% após o ajuste ontem; o DI para janeiro de 2025 estava em 5,72%, de 5,56%; e o DI para janeiro de 2027 tinha taxa de 6,75%, de 6,54%, na mesma comparação.