MERCADO AGORA: Veja um sumário dos negócios até o momento

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Foto: Myles Davidson / freeimages.com

São Paulo – O Ibovespa segue ampliando ganhos, se descolando de Bolsas no exterior, sustentado por ações de bancos e por papéis como da Eletrobras, depois de declarações do ministro da Economia, Paulo Guedes, sobre privatizações. Porém, o índice ainda pode mostrar volatilidade já que o projeto de lei que limita juros sobre cartão de crédito e cheque especial deve ser votado no Senado ainda hoje, afetando o setor bancário, além de o cenário externo continuar inspirando cautela.

Por volta das 13h30 (horário de Brasília), o Ibovespa registrava alta de 1,48%, aos 104.332,44 pontos. O volume financeiro do mercado era de aproximadamente R$ 13,3 bilhões. No mercado futuro, o contrato de Ibovespa com vencimento em agosto de 2020 apresentava avanço de 1,39%, aos 104.385 pontos.

Os papéis de bancos, que têm grande peso no índice, voltaram a subir com mais força e mostram volatilidade em meio à divulgação de balanços e à espera da votação no Senado de projeto de lei que limita a cobrança de juros sobre cartão de crédito e cheque especial, o que pode afetar os resultados do setor. Os papéis do Bradesco, por exemplo, que caíam mais cedo, sobem mais de 1%. Já os do Banco do Brasil sobem após a divulgação de seu balanço trimestral e depois que diretoria do banco disse que o segundo semestre será melhor.

“A votação do projeto de lei que limita juros ainda pode trazer bastante movimento para o mercado e principalmente para os bancos”, disse o sócio da Criteria Investimentos, Vitor Miziara.

Os papéis da Eletrobras também passaram a subir com mais força, ficando entre as maiores altas do índice, depois que Guedes reiterou que o governo deve anunciar de três a quatro privatizações de grandes companhias nos próximos dois meses.

As maiores altas do Ibovespa, no momento, no entanto, por sua vez, são da Cielo, da Totvs e da BrMalls. As ações da Cielo dispararam depois que a diretoria do Banco do Brasil afirmou que está em negociações com o Bradesco para cindir alguns negócios, como os da Elopar e da Cielo.

Já a Totvs reflete seu balanço do segundo trimestre e os shoppings centers sobem na esteira do movimento de ontem, quando a Iguatemi divulgou um balanço considerado positivo, dando sinais de que o impacto da pandemia no setor pode não ser tão ruim quanto o previsto inicialmente.

No exterior, as Bolsas norte-americanas operam sem uma direção clara. Investidores seguem aguardando um possível acordo entre republicanos e democratas para a aprovação de um pacote de ajuda econômica trilionário, que prevê continuidade de auxílio aos desempregados em função da crise causada pelo coronavírus. Há expectativa de que o pacote seja aprovado até amanhã, quando o Congresso norte-americano entra em recesso.

O dólar comercial opera em alta desde a abertura dos negócios, pressionado pelo corte de 0,25 ponto percentual (pp) na Selic (taxa básica de juros) ontem, além do alerta amarelo para o lado fiscal brasileiro, com possibilidade de o país estourar o teto da dívida e apresentar problemas para recuperar a situação no ano que vem.

Por volta das 13h30, o dólar comercial registrava alta de 0,84%, sendo negociado a R$ 5,3440 para venda. No mercado futuro, o contrato da moeda norte-americana com vencimento em setembro de 2020 apresentava avanço de 0,89%, cotado a R$ 5,347.

“O mercado amanhece reagindo a uma postura em uma linha mais “dovish” por parte do Comitê de Política Monetária. A ata que acompanhou a decisão não descartou outra eventual redução futura da taxa básica de juros. Seguindo adiante, a definição da taxa básica de juros deve influenciar no mercado cambial. Isso ocorre porque com uma taxa menor o país fica menos atrativo para o investidor estrangeiro, pressionando o dólar e outras divisas estrangeiras”, explicou, em relatório, Pedro Molizani, Trader Mesa de Câmbio Travelex Bank.

“Em última análise, no âmbito fiscal, a repercussão do alerta do Tribunal de Contas da União, que não permitirá manobras contábeis dos créditos extraordinários feitos pelo governo frente à pandemia a fim de abrir espaço no teto de gastos, pode mexer com os negócios no dia de hoje”, afirmou Molizani.

As taxas dos contratos de juros futuros (DIs) seguem em queda acelerada, em reação ao comunicado do Comitê de Política Monetária (Copom) que acompanhou a decisão ontem de reduzir a taxa básica de juros para 2%. Além de calibrar as expectativas em relação à reunião de setembro, os investidores também reagem à sinalização do Banco Central de manutenção da Selic em níveis baixos por um período prolongado.

Às 13h30, o DI para janeiro de 2021 tinha taxa de 1,855%, de 1,955% no ajuste de ontem; o DI para janeiro de 2022 estava em 2,58%, de 2,77%; o DI para janeiro de 2023 projetava taxa de 3,65%, de 3,81% após o ajuste anterior; e o DI para janeiro de 2025 tinha taxa de 5,27%, de 5,37%, na mesma base de comparação.