MERCADO AGORA: Veja um sumário dos negócios até o momento

São Paulo – O Ibovespa segue em alta de mais de 1% se recuperando da queda expressiva de ontem em um dia sem grandes novidades no cenário externo, mas com investidores de olho na temporada de balanços norte-americana. O mercado também viu como bom sinal a promessa do ministro da Economia, Paulo Guedes, de entregar a primeira parte da proposta do governo sobre a reforma Tributária na próxima terça-feira (21), embora haja dúvidas sobre alguns pontos do texto.

Por volta das 13h30 (horário de Brasília), o Ibovespa registrava alta de 1,99%, aos 102.554,61 pontos. O volume financeiro do mercado era de aproximadamente R$ 14,0 bilhões. No mercado futuro, o contrato de Ibovespa com vencimento em agosto de 2020 apresentava avanço de 1,85%, aos 102.720 pontos.

A evolução da pandemia de coronavírus, no entanto, segue no radar e pode trazer volatilidade, depois que os Estados Unidos bateram novo recorde de novos casos nas últimas 24 horas.

“Como a agenda hoje é um pouco mais vazia, os mercados estão se recuperando. Não há dados relevantes nos Estados Unidos e é difícil traçar um consenso sobre os balanços nesse cenário, mas até o momento, 80% dos resultados já divulgados por lá vieram melhores do que o esperado, o que pode significar que o mercado precificou um cenário pior que a realidade”, disse o sócio da Criteria Investimentos, Vitor Miziara.

Além da temporada de balanços, investidores estão atentos hoje à discussão do plano de recuperação de 750 bilhões de euros da União Europeia (UE). A última reunião da Comissão Europeia, em 19 de junho, terminou sem acordo com alguns líderes do bloco relutantes em aceitar os critérios de alocação de recursos do plano.

Os casos de covid-19 também seguem sendo monitorados depois que os casos diários nos Estados Unidos subiram em 77,3 mil e bateram novo recorde nas últimas 24 horas, com novos saltos em estados como Flórida e Texas. Neste contexto, as Bolsas norte-americanas mostram apenas leve alta.

Já no Brasil, a discussão em torno da reforma tributária vem ganhando destaque. Ontem, Guedes afirmou, em evento da XP, que vai entregar a primeira parte da proposta do governo na próxima terça-feira (21), indo pessoalmente à casa do presidente do Senado, Davi Alcolumbre. O ministro confirmou que haverá tributação sobre dividendos, mas disse que o imposto sobre transações no comércio eletrônico ainda está em estudo e que é melhor não começar por onde pode ocorrer rejeição no Congresso.

O dólar comercial tem mais uma sessão volátil frente ao real e, após oscilar na abertura dos negócios, firma alta acompanhando o exterior onde as moedas de países emergentes se desvalorizam, além de uma correção local, depois de cair mais de 1% ontem, e cautela na véspera do fim de semana.

Por volta das 13h30, o dólar comercial registrava alta de 0,52%, sendo negociado a R$ 5,3570 para venda. No mercado futuro, o contrato da moeda norte-americana com vencimento em agosto de 2020 apresentava avanço de 0,49%, cotado a R$ 5,359.

O diretor superintendente de câmbio da Correparti, Jefferson Rugik, comenta que com a moeda nas mínimas da sessão, no patamar de R$ 5,31, houve demanda por importadores e tesourarias de banco na abertura dos negócios.

“Eles aproveitaram para comprar e recompor posições. Porém, a moeda ficou mais barata e tem um pouco de cautela antes do fim de semana. Com isso, temos mais uma sessão com a costumeira volatilidade e amplitude da moeda”, diz.

Ele acrescenta que há um viés de correção após a moeda encerrar ontem em baixa de 1%. “A gente observou que começou um movimento de fluxo local vindo das empresas que farão IPOs [oferta pública inicial de ações] nas próximas semanas. Isso explica um pouco o real ter fechado na contramão das emergentes”, reforça.

As taxas dos contratos futuros de juros (DIs) registram queda acelerada na sessão de hoje, acompanhando dados de inflação no Brasil e o cenário político favorável após o ministro da Economia, Paulo Guedes, ter afirmado ontem que deve entregar na semana que vem sua proposta inicial para a Reforma Tributária.

Às 13h30 (horário de Brasília), o DI para janeiro de 2021 tinha taxa de 2,040%, de 2,05% após o ajuste do último pregão; o DI para janeiro de 2022 estava em 2,97%, de 3,02% do ajuste anterior; o DI para janeiro de 2023 projetava taxa de 4,04%, de 4,12%; o DI para janeiro de 2025 tinha taxa de 5,49%, de 5,60% na mesma comparação.