MERCADO AGORA: Veja um sumário dos negócios até o momento

Foto: Myles Davidson / freeimages.com

São Paulo – Após a volatilidade na primeira metade do pregão, a Bolsa opera em alta mais de 1% e firma no patamar de 113 mil pontos em dia de vencimento de opções. Os investidores digerem os dados do índice de preços ao consumidor nos Estados Unidos (CPI, sigla em inglês), que vieram um pouco acima do esperado e sinalizam que a redução de estímulos deve estar próxima, em novembro, ficam à espera da ata do Federal Reserve (Fed, banco Central norte-americano) às 15h.

Por volta das 13h30 (horário de Brasília), o Ibovespa registrava alta de 1,20%, aos 113.526,66 pontos. O volume financeiro do mercado era de aproximadamente R$ 14,6 bilhões. No mercado futuro, o contrato de Ibovespa com vencimento em outubro de 2021 apresentava avanço de 1,36%, aos 113.545 pontos.

Por aqui, o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL) disse que pretende votar a proposta que altera a base de cálculo do preço dos combustíveis e os investidores esperam pela votação. Mais cedo, o presidente da Câmara disse em uma entrevista à rádio CNN, que defende a discussão sobre a privatização da Petrobras.  A fala não foi muito bem recebida pelo mercado financeiro. Os papéis da Petrobras (PETR3 e PETR4) chegaram a operar em sentido misto e acabaram subindo.

Lira também afirmou que enxerga que a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) dos Precatórios deve ter uma aprovação “tranquila” na Câmara dos Deputados. “Penso que assunto está bem adiantado o entendimento, estamos esperando prazos regimentais, vistas foram pedidas, na próxima semana todos os prazos estarão vencidos. Trará a plenário vitória tranquila desta PEC”, disse à radio CNN.

Os investidores seguem preocupados com inflação global e no Brasil. Na véspera, o Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgou que a economia brasileira deverá crescer menos este ano, de 5,3% para 5,2%, previstos em julho.

Luiz Henrique Wickert, analista sênior da plataforma de investimentos sim;paul afirmou não enxergar um motivo específico para alta forte. “Parece uma caça às pechinchas principalmente às empresas ligadas ao mercado doméstico”. Wickert também comentou que a parte longa da curva de juros caindo bastante “favorece as nossas empresas de consumo”. Entre as maiores altas, varejo construção são setores que tinham ficado para trás nas quedas recentes e estão se recuperando.

Para José Simão Júnior, head da mesa de renda variável da Legend Investimentos comentou que apesar do contexto de demanda de energia, no curtíssimo prazo, pressionando a inflação e iminente retirada dos estímulos, “a nossa Bolsa está sendo negociada a múltiplos muito baratos. Não será surpresa que até o final do ano o índice fique um pouco mais para cima, ele está muito depreciado. Sempre ficamos tentando encontrar motivos mais específicos para a alta”.

O head da mesa de renda variável da Legend Investimentos ressaltou que “o CPI alimenta que vai ter retirada de estímulos agora em novembro. Vamos seguir com volatilidade no curto prazo por conta do ‘tapering’. Simão acredita que não está descartada a possibilidade de esses dias o mercado apresentar nervosismo.

Em relação à fala do Lira sobre a Petrobras e sobre mudança do ICMS, Simão não acredita que seja factível essas discussões, “os discursos são mais para mostrar à população que está tentando fazer algo do que medidas concretas”. Além da PEC dos Precatórios, “temos muita lição de casa para fazer, disse Simão. O barril do petróleo pode continuar avançando e no curtíssimo prazo, vai continuar pressionado “é um problema mundial”.

O índice de preços ao consumidor dos Estados Unidos (CPI, sigla em inglês) subiu 0,4% em setembro em comparação com agosto. O núcleo do CPI, que exclui a variação dos preços de alimentos e energia, aumentou 0,2% em setembro, após a alta de 0,1% em agosto. Nos 12 meses encerrados em setembro, o núcleo do índice de preços ao consumidor teve alta de 4,0%.

Para Ubirajara Silva, gestor da Galapagos Capital, o mercado ficará atento ao CPI nos Estados Unidos “para ver quais vão ser os próximos passos do Fed e por aqui o vencimento do Indice pode gerar volatilidade na B3, principalmente no pregão da tarde”.

O gestor da Galapagos também destacou a queda do petróleo tanto do Brent em Londres como do WTI, nos Estados Unidos, e ressaltou que na sessão da véspera o EWZ que replica o Ibovespa lá fora caiu próximo a 0,5%.

O dólar opera em alta. Isso se deve às expectativas para a divulgação – nesta tarde – da ata da última reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês), do Índice de Preços ao Consumidor (CPI, na sigla em inglês), que subiu 0,4% em setembro ante agosto, e dos leilões extraordinários de swap cambial feitos pelo Banco Central.

Por volta das 13h30, o dólar comercial subia 0,30%, cotado a R$ 5,5540 para venda. No mercado futuro, o contrato da moeda norte-americana com vencimento em novembro de 2021 avançava 0,26%, cotado a R$ 5.569.

Para o analista da Top Gain, Leonardo Santana, “o mercado está aguardando a ata do Fomc para novas projeções econômicas, saber os rumos e alguma indicação de quando irá iniciar o tapering (remoção de estímulos)”. O analista acredita que os dados do CPI valorizaram o dólar ante o real e o acordo selado para o aumento do teto da dívida dos Estados Unidos, na última semana, ainda impactam o câmbio.

Já no cenário doméstico, Santana avalia que os leilões extraordinários de swap cambial realizados pelo Banco Central não surtem mais efeito: “O dólar não perde força. Podemos ver intervenções mais pesadas do Banco Central”, prevê o analista.

De acordo com boletim matinal da Correparti, “os futuros americanos trabalham em leve alta, próximo da estabilidade no aguardo dos dados da inflação ao consumidor, além da última ata de política monetária do Federal Reserve e comentários dirigentes da instituição”.

Este movimento continua pressionando o câmbio: “Lá fora o dólar perde de seus pares e das moedas emergentes e ligadas as commodities. Aqui deveremos ter uma abertura em queda, acompanhando o desempenho visto no exterior”, avalia a Correparti.

As taxas dos contratos futuros de Depósito Interfinanceiro (DI) passaram a operar em queda com a percepção do mercado de que o pior da inflação já passou.

Por volta das 13h30, o DI para janeiro de 2022 tinha taxa de 7,294%, de 7,272% no ajuste de segunda-feira; o DI para janeiro de 2023 projetava taxa de 9,035%, de 9,055%; o DI para janeiro de 2025 ia a 9,980%, de 10,070% antes e o DI para janeiro de 2027 com taxa de 10,390%, de 10,430%, na mesma comparação.