MERCADO AGORA: Veja um sumário dos negócios até o momento

São Paulo – A Bolsa cai mais de 1% com os investidores não reagindo bem à aprovação da reforma do Imposto de Renda (IR) e à rejeição da minirreforma no Senado, ademais de todo o cenário interno conturbado com a aceleração da inflação, crise hídrica e ruídos políticos e fiscais.

Por volta das 13h30 (horário de Brasília), o Ibovespa operava em queda de 1,17%, aos 117.988,35 pontos. O volume financeiro do mercado era de aproximadamente R$ 14,9 bilhões. No mercado futuro, o contrato de Ibovespa com vencimento em outubro de 2021 apresentava recuo de 0,55%, aos 118.540 pontos.

As ações do setor financeiro têm forte impacto com a taxação dos dividendos. Como pano de fundo, o dado de produção na indústria pior que esperado refletiu negativamente no mercado. No pior momento do pregão, a Bolsa chegou a recuar mais de 1,4%.

Após vários adiamentos, o texto foi aprovado com modificações e atendeu às solicitações dos partidos de oposição pondo fim à restrição à declaração simplificada, prevendo taxação de 20% sobre lucros e dividendos e eliminação do Juros sobre Capital Próprio (JCP). Os dividendos podem sofrer alteração para 15%. Ainda hoje os deputados vão analisar os destaques do texto-base.

Para o analista José Costa Gonçalves, da Codepe Corretora, os investidores não gostaram da aprovação do IR com a vitória do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL). “O mercado foi pego de surpresa e os bancos devem ser os mais impactados”. Após as altas dos últimos dias, os bancos apresentam queda expressiva. As ações do do Itaú (ITUB4) recuavam  2,25% e do Bradesco (BBDC3 e BBDC4) baixavam 2% e 1,81%, respectivamente

Para Gustavo Bertotti, economista-chefe da Messem Investimentos, vários fatores internos desfavoráveis contribuem para essa queda no índice, hoje particularmente , reforma da Imposto de Renda, rejeições da minirreforma trabalhista e a questão que envolve os planos de saúde. “Acredito que pesa o teto de gastos dos planos de saúde e coloca uma incerteza muito grande na condução das estatais e vemos aversão a risco nos ativos da Petrobras e Banco do Brasil”.

Bertotti salientou que “enfrentamos um cenário complexo no Brasil com ruídos políticos que começaram a pesar mais,  toda a agenda reformista do governo perdeu cada vez mais força, preocupação com a inflação, expectativa de PIB vem caindo, redução das expectativas de investimentos e crise hídrica”.

Bertotti comentou que parte da queda dos bancos vem da  taxação dos dividendos, mas “principalmente da aprovação de um imposto menor para Contribuição Social sobre Lucro Líquido (CSLL). As instituições financeiras têm um peso relevante no índice e fazem correção em bloco”.

Por outro lado, o economista-chefe da Messem Investimentos ressaltou que o fluxo estrangeiro foi positivo na Bolsa, de R$ 7,3 bilhões. “O estrangeiro está vendo que o Brasil ainda é um mercado promissor e atrativo, apesar do cenário conturbado por aqui”. Existem muitos ativos baratos, com defasagem grande e troca de posições.

Os analistas da Sul América Investimentos avaliaram antes da abertura que a Bolsa teria um movimento positivo e “os mercados devem receber de forma positiva a aprovação do IR porque indica a capacidade de reformas estruturais em um ambiente político conturbado, embora a mudança no texto seja menor que a enviada inicialmente-queda de 10 pontos porcentuais no IRPJ e cobrança de 20% nos dividendos”, enfatizaram.

Para Rodrigo Friedrich, sócio da Renova Invest, a Bolsa deve abrir em leve alta e não acredita em muita volatilidade como nos pregões anteriores, mas ressaltou que “o resultado da produção industrial ficou muito abaixo do esperado- queda de 1,3% em julho ante junho- e pode ser ruim para a Bolsa”. Os analistas previam recuo de 0,78%, segundo estimativas coletadas pelo Termômetro CMA.

Os dados de seguro-desemprego nos Estados Unidos caíram para 340 mil na semana encerrada em 28 de agosto, segundo o Departamento de Trabalho do país. Os analistas previam 345 mil solicitações. “O resultado foi próximo ao consenso do mercado, levemente baixo e pode ser positivo para a Bolsa”, afirmou Friedrich.

Enquanto a reforma do Imposto de Reforma passou na Câmara, a reforma trabalhista foi rejeitada pelos senadores em votação na noite de ontem. Friedrich acredita que “o aceno dos senadores foi ruim porque mostrou que o Bolsonaro perdeu força no Congresso, mas não acha que essa decisão possa ter impacto na Bolsa”.

O sócio da Renova Invest também afirmou que “o mercado começa a ficar cauteloso com a proporção que irá tomar a manifestação do  7 de setembro, uma vez que o evento começa a tomar força”.

O dólar opera em queda no final desta manhã. Isso se deve, em grande parte, pela expectativa da divulgação do payroll (índice que mede a quantidade de empregos nos Estados Unidos), que será feita amanhã. Por mais que continuem no radar, os ruídos fiscais e políticos perdem força no cenário de hoje.

Por volta das 13h30, o dólar comercial registrava queda de 0,36%, sendo negociado a R$ 5,1630 para venda. No mercado futuro, o contrato da moeda norte-americana com vencimento em setembro de 2021 apresentava recuo de 0,50%, cotado a R$ 5,181.

Segundo o especialista de investimentos da Toro, Helder Wakabayashi, “o ponto principal do câmbio de hoje é a espera pelo payroll. O dólar vai trabalhar contido, não creio em variações”. Ele crê em um dólar “travado”.

Segundo o economista da Aware Investments, Aldo Filho, “o Jerome Powell (presidente do Federal Reserve – Fed, o banco central norte-americano) não deixou claro quando começa o tapering. Eu acredito que seja em dezembro”. E complementa: “O mercado está menos temerário com a inflação nos Estado Unidos. Creio em um cenário otimista global no último trimestre deste ano”.

Já no cenário doméstico, Filho vê com bons olhos a aprovação do novo imposto de renda: “Acho que seria uma vitória do governo, estou otimista”, pontua. Ele ainda acredita que o dólar comercial deve terminar o ano em um patamar entre R$ 5 e R$ 5,20.

As taxas dos contratos de juros futuros (DIs) operam em leve alta com os investidores repercutindo o resultado das votações ocorridas ontem no Congresso, que evidenciam o enfraquecimento do governo entre os deputados e senadores, e os dados ruins sobre a atividade econômica no Brasil. No entanto, o leilão de títulos públicos realizado no fim da manhã limitou a pressão sobre a curva a termo. A alta é mais perceptível nos vencimentos longos, enquanto os vértices mais curtos oscilam em níveis próximos da estabilidade.

Por volta das 13h30, o DI para janeiro de 2022 apresentava taxa de 6,820, de 6,830% no ajuste anterior; o DI para janeiro de 2023 projetava taxa de 8,60%, de 8,585%; o DI para janeiro de 2025 ia a 9,69%, de 9,63% antes; e o DI para janeiro de 2027 tinha taxa de 10,12%, de 10,02%, na mesma comparação.