MERCADO AGORA: Veja um sumário dos negócios até o momento

São Paulo – O Ibovespa segue em queda firme acompanhando o mau humor em Nova York com o temor de aumento da inflação aqui e no exterior. Somado a isso, o cenário político local devido às irregularidades na compra de vacinas e denúncias envolvendo o presidente Jair Bolsonaro quando era deputado federal e ainda reflexos da proposta da reforma tributária impactam negativamente a Bolsa. O risco de greve dos caminhoneiros por causa dos aumentos dos combustíveis também fica no radar dos investidores.

Por volta das 13h30 (horário de Brasília), o Ibovespa operava em queda de 1,30%, aos 125.259,01 pontos. O volume financeiro do mercado era de aproximadamente R$ 12,9 bilhões. No mercado futuro, o contrato de Ibovespa com vencimento em agosto de 2021 apresentava recuo de 1,53%, aos 125.740 pontos.

O economista-chefe, Daniel Miraglia, da Integral Group, analisa que o momento mais negativo para o mercado financeiro começou após a entrega da reforma tributária para o Congresso. “O mercado lê que é uma proposta basicamente populista e reduz o crescimento potencial do Brasil em caso de aprovação. Atrelado a isso, os ruídos políticos em torno da CPI e a queda de popularidade do Bolsonaro antecipa a discussão da eleição de 2022”.

Ele questiona “quão populista o governo vai estar disposto a ser conforme essas crises políticas se intensifiquem”.

O economista Álvaro Bandeira, da Modalmais, escreveu em sua rede social sobre o impacto da política no mercado acionário. “Ambiente político interfere diretamente no comportamento dos mercados de risco, onde a Bovespa não poderia perder patamar de 125000 pontos, sob risco de vir buscar apoio mais embaixo, na faixa dos 122000 pontos”.

Bandeira acrescenta que “o momento é de tensão política forte, com a economia exigindo ações imediatas e contundentes para preparar o futuro. Mas medidas populistas devem permear a postura do governo comprometendo o quadro de ajuste”.

A equipe da Ajax Capital aponta que a Bolsa “deve continuar a operar com cautela, em meio a baixa visibilidade no exterior e fluxo político local mais negativo”.

Por aqui, a servidora Regina Célia de Oliveira, que autorizou a compra da vacina Covaxin, está prestando depoimento na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid-19, que apura as ações e omissões do governo no enfrentamento à pandemia,

Para a equipe da Ajax Capital, “o capital político para eventual aprovação de reformas pode encarecer frente ao desgaste que o governo tem enfrentado”.

Em relação ao petróleo, os investidores ficam temerosos que a alta da commodity, no curto prazo, devido ao cancelamento da reunião da Organização dos países Exportadores de Petróleo e seus aliados (Opep+), possa impactar na inflação. Hoje o petróleo subiu mais de 1% atingindo o maior nível em seis anos, mas mudou de direção e cai 1,97%.

Para o analista Mateus Soares, da XP Investimentos, “a alta no preço do petróleo traz preocupações ao mercado, o que gera impacto na inflação tanto no Brasil como globalmente”, afirma.

O dólar comercial disparou frente ao real em forte estresse no mercado doméstico em meio ao movimento de correção, de elevação da cautela com o cenário político e com um pouco de interferência do exterior. Com isso, a moeda sobe mais de 2%, no maior valor intraday desde 1 de junho, renovando máximas sucessivas a R$ 5,20 e a divisa local é a que tem o pior desempenho na sessão.

Por volta das 13h30, o dólar comercial registrava alta de 2,0%, cotado a R$ 5,1890 para venda. No mercado futuro, o contrato da moeda norte-americana com vencimento em julho de 2021 apresentava avanço de 1,89%, cotado a R$ 5,203.

O diretor da Correparti, Ricardo Gomes, destaca que o cenário político é o “grande driver” do mercado doméstico em meio ao fluxo de notícias negativas no qual deixa o presidente Jair Bolsonaro “com o capital político cada dia mais fragilizado”.

“É um movimento extremamente protecionista e isso deve continuar. Nos próximos dias, poderemos ver o dólar visitar os R$ 5,30”, acrescenta, reforçando que o exterior mais negativo para as moedas de países emergentes perde para o dólar e ajuda na desvalorização da divisa local.

O economista-chefe da Necton Corretora, André Perfeito, ressalta que o real é a moeda que mais perde na sessão. “De um lado, a culpa dessa piora não é nossa, já que todos os mercados realizam hoje na esteira de preocupações com a variante delta [do novo coronavírus]. Mas não é só isso. Na falta de melhores razões, o mercado começa a especular seus temores”, comenta.

Segundo Perfeito, a lista de possíveis problemas é extensa se colocada “na ponta do lápis”. “Os possíveis vilões vão de temores inflacionários com crise hídrica e alta de combustíveis até possíveis desdobramentos da CPI da covid que, aparentemente, está próxima demais de queimar as pontes entre o Planalto e o Centrão. Sem ter boas notícias para ocupar a consciência, temores tomam o lugar vazio”, avalia.

O economista da Necton pondera que, “ninguém imagina” uma piora significativa da crise política, mas a persistência de um viés negativo lá fora pode “galvanizar” as más impressões. “Ainda é cedo para dizer isso, mas sabemos onde olhar para ver se os ventos mudaram: o dólar”, finaliza.

O estrategista macroeconômico da XP, Victor Scalet, discorda de que a atual desvalorização da taxa de câmbio seja influenciada pelo cenário político. “Por mais que vejamos uma deterioração do campo político, eu avalio mais como uma oportunidade de elevar o prêmio do dólar e da curva de juros do que uma mudança de cenário”, observa.

Scalet acrescenta que, em meio ao movimento de apreciação “muito rápida” do real, o mercado local faz uma “parada técnica” para repensar e reavaliar posições de investimentos.

As taxas dos contratos de juros futuros (DIs) operam em alta acompanhando a disparada do dólar em relação ao real em um dia no qual a tensão política em Brasília ganha a companhia da alta nos preços das commodities na pressão sobre os ativos locais.

Por volta das 13h30, o DI para janeiro de 2022 apresentava taxa de 5,780%, de 5,745% no ajuste anterior; o DI para janeiro de 2023 projetava taxa de 7,255%, de 7,165%; o DI para janeiro de 2025 ia a 8,34%, de 8,24% antes; e o DI para janeiro de 2027 tinha taxa de 8,80%, de 8,68%, na mesma comparação.