MERCADO AGORA: Veja um sumário dos negócios até o momento

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São Paulo – O bom humor dos investidores após os dados acima do esperado pelos analistas do relatório de empregos nos Estados Unidos fez a Bolsa a subir mais de 1% na sessão desta sexta-feira. O mercado também reage ao resultado da produção industrial no Brasil, mesmo ter ficado ligeiramente abaixo do esperado, mas encerrou uma série de queda consecutiva e aponta uma recuperação da economia.

Por volta das 13h30 (horário de Brasília), o Ibovespa operava em alta de 1,03%, aos 126.971,19 pontos. O volume financeiro do mercado era de aproximadamente R$ 13,7 bilhões. No mercado futuro, o contrato de Ibovespa com vencimento em agosto de 2021 apresentava avanço de 1,16%, aos 127.545 pontos.

Nos Estados Unidos, foram criados 850 mil postos de trabalho em junho, segundo o relatório de emprego (payroll, sigla em inglês) divulgado pelo Departamento de Trabalho. O resultado ficou acima das estimativas dos analistas, que esperavam a criação de 700 mil vagas. O payroll é considerado um dos dados mais importantes para entender a economia norte-americana.

A taxa de desemprego subiu para 5,9% em junho, contra 5,8% maio e ficou acima das estimativas dos analistas, de 5,7%%.

No Brasil, a produção industrial aumentou 1,4% em maio na comparação com abril e ficou ligeiramente abaixo da mediana das expectativas coletadas pelo Termômetro CMA, de +1,5%.

O analista José Costa Gonçalves, da Codepe Corretora, comenta que os dados da indústria ajudaram na melhora do índice e “os bancos que viam caindo em várias sessões consecutivas melhoraram a performance, contribuindo para a alta do Ibovespa”.

Ele acrescenta que as ações da BR Distribuidora é o grande destaque do Ibovespa, desde a véspera. “A Petrobras aguarda a Opep+ (reunião da Organização dos Países exportadores de Petróleo), mas  na sessão de hoje está mais compradora”. Os papéis da Petrobras estão entre os mais negociados da Bolsa.

O analista da Toro investimentos, Lucas Carvalho, comenta que o mercado de trabalho norte-americano não se recuperou como vem alertando o presidente do Federal Reserve (Fed, banco central norte-americano) Jerome Powell. “O resultado da taxa de desemprego coloca isso em perspectiva o que possibilita o banco central norte-americano a continuar com o programa de estímulos”.

Em relação às commodities, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep+) retoma a reunião com seus membros para definir os níveis de oferta do petróleo nos próximos meses. Na véspera havia uma expectativa de um acordo para aumentar a produção diária no segundo semestre deste ano, de 400 mil barris por dia (bpd) para 500 mil bpd. “Se não houver acordo, ficarão mantidas as cotas atuais pressionando oferta e preço da commodity”, comenta a equipe da Ajax Capital. Os futuros de petróleo apresentam queda.

O dólar comercial exibe forte volatilidade frente ao real na primeira parte dos negócios e opera sem rumo único acompanhando o exterior, onde a moeda norte-americana tem movimento misto com investidores digerindo o resultado do relatório de empregos nos Estados Unidos, o payroll, em junho. Aqui, os ruídos políticos voltam a pesar na taxa de câmbio.

Por volta das 13h30, o dólar comercial registrava alta de 0,03%, cotado a R$ 5,0470 para venda. No mercado futuro, o contrato da moeda norte-americana com vencimento em julho de 2021 apresentava recuo de 0,07%, cotado a R$ 5,061.

O economista da Tendências Consultoria, Silvio Campos, destaca que a abertura de 850 mil postos de trabalho nos Estados Unidos ficou acima do esperado, ante projeção de 700 mil vagas, e reforçou a tendência de retomada sólida do mercado de trabalho no país. “Além de ainda persistir uma perda significativa de empregos desde o início da pandemia, a pesquisa em domicílio apresentou poucos avanços no mês, com uma ligeira elevação da taxa de desemprego [a 5,9% ante previsão de +5,7%]”, avalia.

Ele acrescenta que, a despeito do payroll forte, o conjunto de indicadores não traz a mensagem de “progresso substancial’ que o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) tem condicionado para sinalizar a redução de estímulos, de modo que os números não devem desencadear a aposta de antecipação do “timing” para este processo.

“Os números de hoje não apontam para uma mudança de mensagem do Fed no curto prazo, que deve manter a linha cautelosa quanto ao momento de reduzir estímulos. Em tese, isso garante mais algum tempo, possivelmente o mês de julho, de certa calmaria nos mercados em relação a este temor com a sinalização de um corte no programa de compras de títulos. Os ativos de países emergentes reagem bem a este breve alívio”, reforça.

Apesar da moeda estrangeira recuar mais de 1% e renovar mínimas abaixo de R$ 5,00, os riscos políticos no mercado doméstico “voltaram a assombrar” na sessão, diz o economista da Nova Futura Investimentos, Matheus Jaconeli.

O dólar disparou a R$ 5,07 reagindo à notícia de que a Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu a abertura de um inquérito para investigar se o presidente Jair Bolsonaro foi omisso em relação às denúncias de irregularidades no contrato de compra da Covaxin, a vacina contra a covid-19 desenvolvida pela Bharat Biotech. As denúncias foram feitas pelo deputado federal Luis Miranda durante depoimentos na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga os gastos do governo federal no combate à pandemia do novo coronavírus.

“Todas essas notícias limitam as notícias positivas que vieram nas últimas semanas. Mas no governo, não vejo que o Bolsonaro sofra impeachment. Mas, querendo ou não, abala a estabilidade do governo e pode trazer atraso na agenda de reformas e levar o presidente a tomar medidas populistas”, diz.

As taxas dos contratos de juros futuros (DIs) operam de lado sob pressão da volatilidade no mercado de câmbio em um pregão no qual o dólar, que mais cedo caía, agora sobe em relação ao real acompanhando movimentos externos e ruídos políticos locais.

Por volta das 13h30, o DI para janeiro de 2022 apresentava taxa de 5,695%, de 5,71% no ajuste anterior; o DI para janeiro de 2023 projetava taxa de 7,085%, de 7,12%; o DI para janeiro de 2025 ia a 8,16%, de 8,17% antes; e o DI para janeiro de 2027 tinha taxa de 8,60%, de 8,62%, na mesma comparação.