MERCADO AGORA: Veja um sumário dos negócios até o momento

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Foto: Paul Pasieczny / freeimages.com

São Paulo – Após operar em queda por alguns minutos, o Ibovespa voltou a subir e acelerar ganhos acompanhando de perto o movimento das Bolsas norte-americanas, que mostram volatilidade com investidores avaliando o ritmo da recuperação econômica em meio a indicadores divulgados e ao aumento de casos de coronavírus em algumas regiões.

Por volta das 13h30 (horário de Brasília), o Ibovespa registrava alta de 0,55%, aos 94.899,06 pontos. O volume financeiro do mercado era de aproximadamente R$ 11,2 bilhões. No mercado futuro, o contrato de Ibovespa com vencimento em agosto de 2020 apresentava avanço de 0,44%, aos 95.120 pontos.

Nos Estados Unidos, o número de pessoas que procuraram seguro-desemprego foi superior ao previsto pela segunda semana consecutiva, em meio ao avanço nos casos de coronavírus. Por outro lado, o Produto Interno Bruto (PIB) do país veio dentro do esperado, ao cair 5% no primeiro trimestre, e os pedidos de bens duráveis avançaram mais do que o previsto em maio.

Em relação ao coronavírus, alguns estados norte-americanos já voltaram atrás em medidas de reabertura econômica. Ontem, o governador de Nova York, Andrew Cuomo, disse que adiará a reabertura de shoppings centers, cinemas e academias, marcadas para amanhã em algumas partes do estado. Além disso, junto com os governadores de Nova Jersey e Connecticut, ordenaram 14 dias de quarentena a visitantes da Flórida, Arizona, Texas e outros estados com altas taxas de contaminação.

No entanto, há a visão de que adoção de novas medidas de isolamento social podem ser mais pontuais, com a esperança de que não impeçam uma retomada econômica. Larry Kudlow, o principal assessor econômico do presidente Donald Trump, disse mais cedo à Fox Business que o governo espera recuperação forte e em “V”, embora admita que algumas regiões do país podem ser obrigadas a adotar novas medidas de confinamento.

Para o analista da Terra Investimentos, Régis Chinchila, o Ibovespa está acompanhando o mercado externo e notícias de aumento de casos de covid-19 continuarão a ser o grande fator de volatilidade. “Não há grandes novidades e o mercado segue cauteloso e de olho na segunda onda de coronavírus”, disse.

No Brasil, por sua vez, analistas veem notícias positivas, como a aprovação do esperado novo marco regulatório do saneamento básico pelo Senado ontem, que facilita privatizações no setor e muda o modelo atual do serviço nos estados e municípios. A previsão é que o marco atraia investimentos, além de ter sido visto pelo mercado como um bom sinal sobre o andamento da agenda do Congresso.

O dólar comercial exibe forte volatilidade desde a abertura dos negócios com o contrato à vista oscilando sem direção única, enquanto o contrato para julho exibe queda firme com viés de correção em relação ao fechamento de ontem (ao redor de R$ 5,35). Lá fora, o dólar ganha terreno frente às principais moedas de países emergentes após dados de seguro-desemprego nos Estados Unidos. Aqui, investidores calibram leilão do Banco Central (BC) e correção após forte alta ontem.

Por volta das 13h30, o dólar comercial registrava alta de 0,58%, sendo negociado a R$ 5,3510 para venda. No mercado futuro, o contrato da moeda norte-americana com vencimento em julho de 2020 apresentava avanço de 0,04%, cotado a R$ 5,352.

“Houve um forte desmonte de posição quando a moeda operou nas máximas do dia [acima de R$ 5,38], também em reflexo da forte alta ontem, levando investidores a realizaram lucros. Mas a gente deve acompanhar essa forte volatilidade ao longo do pregão”, comenta o diretor superintendente de câmbio da Correparti, Jefferson Rugik.

Mais cedo, o Banco Central realizou um leilão de venda de dólar com recompra – conhecido como leilão de linha – no qual colocou no mercado US$ 1,5 bilhão. “Na hora, esse leilão de rolagem ajudou o dólar a operar perto das mínimas da sessão. Porém, perdeu o efeito depois”, acrescenta.

Logo após a abertura dos negócios, saíram os dados de seguro-desemprego nos Estados Unidos, no qual somaram 1,480 milhão de pedidos na semana encerrada em 20 de junho, ante previsão de 1,350 milhão de pedidos.

Para o consultor de câmbio da corretora Advanced, Alessandro Faganello, os números podem confirmar as declarações do presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), Jerome Powell, de que a economia vai se recuperar, mas em ritmo mais lento do que o esperado. “Até por isso, Powell vê com bons olhos a implementação de um novo pacote de apoio à economia do país, assunto que já é tratado no Congresso”, comenta.

As taxas dos contratos de juros futuros (DIs) são negociadas em baixa, principalmente nos vértices mais longos, com a queda do dólar futuro ditando o movimento desse trecho da curva a termo. Já os vértices mais curtos digerem as publicações do dia, que contou com uma Relatório Trimestral de Inflação (RTI) sem novidades e um resultado acima do esperado da prévia deste mês do índice de preços ao consumidor (IPCA-15) brasileiro, enquanto acompanham a fala do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto.

Às 13h30, o DI para janeiro de 2021 tinha taxa de 2,055%, de 2,05% após o ajuste de ontem; o DI para janeiro de 2022 estava em 3,03%, de 3,07% no ajuste anterior; o DI para janeiro de 2023 projetava taxa de 4,13%, de 4,22%; e o DI para janeiro de 2025 tinha taxa de 5,84%, de 5,94%, na mesma comparação.