MERCADO AGORA: Veja um sumário dos negócios até o momento

Foto: Myles Davidson / freeimages.com

São Paulo – O Ibovespa opera em alta acompanhando o bom movimento das bolsas nos Estados Unidos e com os índices positivos da economia do país. Mas o avanço expressivo da bolsa local é atribuído ao anúncio feito pela Vale, na quinta-feira (01) sobre a recompra de 270 milhões de seus papéis ordinários, após fechamento do mercado. O programa de recompra se dará ao longo de 12 meses.

Por volta das 13h30 (horário de Brasília), o Ibovespa operava em alta de 1,39%, aos 116.861,17 pontos. O volume financeiro do mercado era de aproximadamente R$ 13,0 bilhões. No mercado futuro, o contrato de Ibovespa com vencimento em abril de 2021 apresentava avanço de 1,88%, aos 116.875 pontos.

O analista José Costa, Gonçalves, da Codepe Corretora, a notícia da Vale está sustentando a alta mais forte no Ibovespa e puxa outras empresas de siderurgia. “O movimento lá fora está ajudando, mas se não houve essa recompra, o Ibovespa apresentaria uma ligeira alta”.

Os papéis da Vale (Vale 3) – segundo de maior peso na Bolsa- sobem 5,11% e empurram as ações de outras siderúrgicas como CSN (CSNA3) que ganham 2,60% e Usiminas (USIM5) e avançam 2,04%.

O analista da Vicente Matheus Zuffo, fundador e CIO da Chess Capital, afirma que o movimento da Bolsa está alinhado com o exterior, mas ressalta que “a melhora nos números de internações no fim de semana e as conversas para corrigir o orçamento estão caminhando, o que gera um bom humor no mercado”.

No fim de semana, o relator da peça orçamentária Márcio Bittar (MDB-AC), os presidentes da Câmara, Arthur Lira (PP-AL) e do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG) estiveram reunidos com a equipe econômica do ministro Paulo Guedes para negociar os cortes necessários para resolver o impasse a respeito dos gastos.

O problema com o orçamento de 2021 é que o Congresso aprovou um corte em despesas obrigatórias que precisará ser compensado com uma redução improvável nas despesas discricionárias. Caso contrário, haverá rompimento do teto de gastos. O orçamento ainda precisa ser sancionado pelo presidente Jair Bolsonaro.

O dólar comercial tem queda firme frente ao real na primeira parte dos negócios e oscila ao redor de R$ 5,65, ajustando-se na volta do feriado prolongado, além de acompanhar a busca por risco que prevalece no exterior em sessão de menor liquidez com a Europa e parte da Ásia ainda com os mercados fechados. Os dados de emprego mais fortes nos Estados Unidos corroboram para a queda da moeda.

Por volta das 13h30, o dólar comercial registrava queda de 0,99%, cotado a R$ 5,6540 para venda. No mercado futuro, o contrato da moeda norte-americana com vencimento em maio de 2021 apresentava queda de 0,94%, cotado a R$ 5,663.

Em meio ao noticiário mais enfraquecido, o dólar tem queda firme com investidores precificando o resultado mais forte do relatório de empregos norte-americano, o payroll, que criou 916 mil vagas em março, ante expectativa de 635 mil novos postos de trabalho.

O estrategista-chefe da Levante, Rafael Bevilacqua, avalia que apesar do melhor resultado desde agosto do ano passado, a situação nos Estados Unidos está longe da normalidade já que o país perdeu mais de 20 milhões de empregos no segundo trimestre do ano passado, à medida que a pandemia do novo coronavírus gerava bloqueios generalizados.

Porém, ele avalia que a criação de empregos bem acima do esperado é “o melhor sinal” de que a economia norte-americana caminha para uma normalização. “A intensificação dos programas de imunização permite o retorno das atividades e os resultados de março indicam que, se não houver novos surtos de covid-19, a retomada das atividades pode levar menos tempo do que o esperado”, destaca, acrescentando que a notícia animou os investidores, apesar do efeito ter sido amortecido pelo feriado na sexta-feira.

Apesar do otimismo na sessão, a equipe de operações da mesa de câmbio da Travelex Bank chama a atenção para a situação doméstica em meio às preocupações com a pandemia “fora do controle”, aumento da inflação, impasse em relação ao Orçamento de 2021 e os ruídos políticos. Além disso, com o agravamento da pandemia, está no radar do mercado a possibilidade de medidas restritivas ainda mais duras que podem ser adotadas pelas principais cidades para conter o avanço da covid-19.

As taxas dos contratos de juros futuros (DIs) operam em queda acompanhando o recuo do dólar com os investidores atentos aos vetos prometidos pelo presidente Jair Bolsonaro ao Orçamento de 2021 diante do descontentamento com as verbas liberadas para emendas parlamentares.

Por volta das 13h30, o DI para janeiro de 2022 tinha taxa de 4,605%, de 4,675% no ajuste anterior; o DI para janeiro de 2023 projetava taxa de 6,485%, de 6,59%; o DI para janeiro de 2025 ia a 8,16%, de 8,26% antes; e o DI para janeiro de 2027 tinha taxa de 8,76%, de 8,87%, na mesma comparação.