MERCADO AGORA: Veja um sumário dos negócios até o momento

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São Paulo – Após oscilar entre leves altas e ganhos no início do pregão, o Ibovespa passou a operar predominantemente no campo negativo em linha com o movimento de Bolsas no exterior, com investidores avaliando o aumento de casos de coronavírus em alguns países e seus possíveis impactos na retomada econômica. A previsão é que o índice possa seguir volátil, mas com a ampla liquidez nos mercados impedindo maiores quedas até o momento.

Por volta das 13h30 (horário de Brasília), o Ibovespa registrava queda de 0,45%, aos 96.132,74 pontos. O volume financeiro do mercado era de aproximadamente R$ 10,7 bilhões. No mercado futuro, o contrato de Ibovespa com vencimento em agosto de 2020 apresentava avanço de 0,06%, aos 96.310 pontos.

Segundo o sócio da Criteria Investimentos, Vitor Miziara, a semana começa sem grandes novidades, mas com debates sobre uma possível segunda onda da pandemia. Ele afirma que há visões de que mesmo com uma segunda onda, não haveria novos lockdowns, embora lembre que algumas marcas como a Apple já decidiram fechar novamente suas lojas em estados norte-americanos em função de novos surtos.

“A discussão do mercado nos próximos dias ainda deve continuar sendo a segunda onda provavelmente”, disse. Além da pandemia, Miziara lembra que a semana ainda contará com a ata do Comitê de Política Monetária (Copom) amanhã e Relatório Trimestral de Inflação na quinta-feira, que podem dar mais sinais sobre os próximos passos em relação à política monetária.

Já na cena política local, o foco segue no caso do ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro, Fabrício Queiroz, embora seus desdobramentos pareçam não preocupar tanto o mercado até o momento. Ontem, o advogado Frederick Wassef anunciou que sairá da defesa de Flávio Bolsonaro, em um de esforço para evitar contaminação do caso para o presidente Jair Bolsonaro. A saída ocorre após Queiroz ter sido preso em imóvel de Wassef na cidade de Atibaia.

O dólar comercial ampliou as perdas frente ao real, renovando mínimas sucessivas a R$ 5,20, acompanhando o movimento das moedas de países emergentes que trabalham valorizadas em meio à expectativa otimista de reabertura da economia dos Estados Unidos, digerindo também a liquidez dos mercados após estímulos de bancos centrais. Ainda assim, investidores seguem atentos ao número de crescente de casos do novo coronavírus no país.

Por volta das 13h30, o dólar comercial registrava queda de 1,78%, sendo negociado a R$ 5,2230 para venda. No mercado futuro, o contrato da moeda norte-americana com vencimento em julho de 2020 apresentava recuo de 1,82%, cotado a R$ 5,221.

A analista da Toro Investimentos, Paloma Brum, ressalta que prevalece na sessão “esse otimismo” com a reabertura da economia dos Estados Unidos e global. calibrando com o aumento de números de casos em lugares que já reportado redução do número de contágio por covid-19.

O consultor de câmbio da corretora Advanced, Alessandro Faganello, acrescenta que os mercados começam a semana em contraste. “Se de um lado temos receio sobre a chegada de uma segunda onda de infecções por coronavírus com partes da Europa e alguns estados norte-americanos registrando aumento nos casos, por outro, a ampla liquidez e apostas de recuperação rápida nas economias que estão reabrindo se sobrepõem a esse receio”, avalia.

“A moeda deu uma esticada na semana passada [alta de 5,3%] e avaliando o gráfico, também tem um viés de correção após essa alta”, destaca a analista da Toro.

As taxas dos contratos de juros futuros (DIs) mantêm leves oscilações, principalmente no trecho curto e intermediário da curva a termo, com os investidores à espera das publicações do Banco Central nesta semana. Já o trecho mais longo volta a embutir prêmios com mais força, atentos aos riscos político e fiscal no país.

Às 13h30, o DI para janeiro de 2021 tinha taxa de 2,02%, de 2,02% após o ajuste anterior, na última sexta-feira; o DI para janeiro de 2022 estava em 3,00%, de 3,01% no ajuste ao final da semana passada; o DI para janeiro de 2023 projetava taxa de 4,12%, de 4,14%; e o DI para janeiro de 2025 tinha taxa de 5,84%, de 5,82%, na mesma comparação.