MERCADO AGORA: Veja um sumário dos negócios até o momento

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Gráfico

São Paulo – O Ibovespa segue em alta em um dia positivo para mercados acionários, que refletem medidas de estímulos adotadas por bancos centrais e governos, além da notícia de que a China pretende comprar mais produtos agrícolas dos Estados Unidos. As notícias positivas ofuscam preocupações com a cena política, após a prisão do ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro, Fabrício Queiroz, embora não esteja descarta alguma volatilidade.

Por volta das 13h30 (horário de Brasília), o Ibovespa registrava alta de 0,10%, aos 96.230,78 pontos. O volume financeiro do mercado era de aproximadamente R$ 13,4 bilhões. No mercado futuro, o contrato de Ibovespa com vencimento em agosto de 2020 apresentava avanço de 0,34%, aos 96.320 pontos.

“A China deve aumentar as compras de produtos agrícolas dos Estados Unidos para chegar no combinado no acordo comercial. Já se falava que seria normal se ela não se chegasse ao número acordado em função da pandemia, então é uma boa notícia, que tira um pouco do risco e mostra que os dois países estão em linha pelo menos na questão comercial”, disse o sócio da Criteria Investimentos, Vitor Miziara.

A China planeja intensificar compras de soja, milho e etanol norte-americanos, em linha com a fase um do acordo comercial assinado com os Estados Unidos, de acordo com reportagem da agência de notícias “Bloomberg”. Ainda na China, o presidente do Banco do Povo da China (Pboc, o banco central do país), disse que o país manterá ampla liquidez do sistema financeiro.

Já em relação ao coronavírus, um oficial de saúde do país afirmou que o recente ressurgimento de casos em Pequim está sob controle. O medo de uma segunda onda na região vinha assustando investidores.

Na Europa, por sua vez, o Conselho Europeu inicia negociação sobre o plano de estímulo fiscal de 750 bilhões de euros para lidar com a crise causada pela pandemia.

Ainda no exterior, o presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), Jerome Powell, fará novo discurso às 14h, e Miziara lembra que a sessão pode ser de volatilidade nas Bolsas norte-americanas em função do “quadruple witching” (bruxaria quádrupla), evento que ocorre na terceira sexta-feira do mês ao fim do trimestre e refere-se ao dia em que opções e futuros dos índices e das ações vencem ao mesmo tempo.

Já no Brasil, analistas da Commcor afirmam que o pregão de hoje pode confirmar a hipótese de “pouca preocupação” do mercado com o caso Queiroz, já que ontem foi difícil analisar o impacto da notícia enquanto a Bolsa seguiu sustentada pela decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de cortar a Selic. Mesmo assim serão analisados os desdobramentos do caso, como a possível prisão da mulher de Queiroz e uma eventual sinalização de delação premiada.

O dólar comercial oscila frente ao real, sem direção única, em sessão de alívio no exterior, principalmente, para as moedas de países emergentes que se valorizam ante a moeda norte-americana. A notícia de que Estados Unidos e China se acertam em relação ao acordo comercial firmado no início do ano, com a compra de produtos agrícolas por parte do país asiático, anima investidores.

Por volta das 13h30, o dólar comercial registrava queda de 0,20%, sendo negociado a R$ 5,3590 para venda. No mercado futuro, o contrato da moeda norte-americana com vencimento em julho de 2020 apresentava recuo de 0,43%, cotado a R$ 5,360.

“A semana se encerra com um suspiro de alívio do mercado após autoridades norte-americanas e chinesas concordaram que a China vai aumentar as compras de etanol, milho e soja dos Estados Unidos”, comenta o estrategista-chefe da Levante, Rafael Bevilacqua.

Ele destaca que, em um ambiente de “cenários e atmosfera mais desanuviados”, o movimento de alta dos mercados continua. “O cenário global de migração de recursos para ativos de maior risco em meio à queda estrutural de juros e do avanço da liquidez deverá continuar”, diz.

Sobre juros, após o Banco Central (BC) cortar a taxa Selic no menor piso histórico, a 2,25% ao ano, o banco central da Rússia anunciou hoje a queda da taxa de juros no país para 4,50%, no menor patamar desde o fim da União Soviética, em 1991.

O consultor de câmbio da corretora Advanced, Alessandro Faganello, avalia que após uma forte onda de estímulos fiscais e monetários por parte de grandes bancos centrais, essas autoridades monetárias devem reduzir as operações de fornecimento de liquidez a partir de julho.

“Com o entendimento de que as condições podem estar se estabilizando, substituindo a rotina diária de operações de liquidez para três vezes por semana”, acrescenta. Às 14 horas, o presidente do Fed participará de um evento da autoridade monetária, o que sempre chama a atenção de investidores.

As taxas dos contratos de juros futuros (DIs) firmaram-se em queda, devolvendo parte dos prêmios embutidos ontem, quando a curva a termo elevou a inclinação (“steepening”), na esteira da decisão de política monetária do Banco Central. O comportamento do dólar, o cenário externo e os riscos políticos em Brasília seguem no radar, mas não interferem nos negócios.

Às 13h30, o DI para janeiro de 2021 tinha taxa de 2,035%, de 2,05% após o ajuste de ontem; o DI para janeiro de 2022 estava em 3,03%, de 3,10% no ajuste anterior; o DI para janeiro de 2023 projetava taxa de 4,18%, de 4,24%; e o DI para janeiro de 2025 tinha taxa de 5,85%, de 5,86%, na mesma comparação.