MERCADO AGORA: Veja um sumário dos negócios até o momento

São Paulo – Em queda desde o início dos negócios, o índice Ibovespa acelerou as perdas e agora recua mais de 2% puxado pelos papéis da Petrobras que operam com mais de 4% de queda influenciado pelo anúncio de que quatro membros do conselho de administração informaram à estatal que não pretendem ser reconduzidos ao conselho na próxima assembleia geral extraordinária (AGE). A expectativa pela votação da PEC Emergencial, prevista para hoje no Senado, e o avanço da covid-19 no país corroboram para o sentimento de cautela. Lá fora, as bolsas de Nova York também caem.

Por volta das 13h30 (horário de Brasília), o Ibovespa operava em queda de 2,23%, aos 109.045,23 pontos. O volume financeiro do mercado era de aproximadamente R$ 16,3 bilhões. No mercado futuro, o contrato de Ibovespa com vencimento em abril de 2021 apresentava recuo de 2,51%, aos 109.160 pontos.

Os papéis da petrolífera reagem à saída dos conselheiros João Cox Neto, Nivio Ziviani, Paulo Cesar de Souza e Silva e Omar Carneiro da Cunha Sobrinho. A decisão do grupo acontece após o presidente Jair Bolsonaro fazer fortes críticas à estatal em relação aos aumentos nos preços dos combustíveis e também após a intervenção do presidente em indicar o general Joaquim Silva e Luna para o lugar de Roberto Castello Branco na presidência da companhia.

“O destaque de queda do índice fica com esse fato relevante da Petrobras”, comenta o analista-chefe da Toro Investimentos, Rafael Panonko, acrescentando que o ambiente doméstico é de atenção com a votação da PEC Emergencial, prevista para hoje no Senado.

Ele acrescenta que, no exterior, os índices das bolsas internacionais operam com viés de cautela, principalmente, em Nova York, que passou a acelerar as perdas após os dados de emprego (ADP) abaixo do esperado em fevereiro, assim como o dado revisado do índice dos gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) do setor de serviços no mês passado, nos Estados Unidos, que recuou a 55,3 pontos ante previsão de 58,7 pontos.

Para Panonko, o avanço da covid-19 no Brasil em meio à piora na taxa de mortes diárias corrobora para a cautela local com a possibilidade de grandes capitais adotarem medidas restritivas mais duras nos próximos dias. “Pode ter anúncio de lockdown ainda hoje, com destaque para São Paulo”, acrescenta a equipe econômica da corretora Commcor.

Em alta desde a abertura dos negócios, o dólar comercial acelerou os ganhos e sobe mais de 1%, renovando máximas acima de R$ 5,74 – maior valor intraday desde 4 de novembro de 2020 (quando chegou a R$ 5,7660) – acompanhando a aversão ao risco que prevalece no exterior em meio à alta do rendimento das taxas de juros futuros dos títulos de dívida do governo norte-americano, as treasuries, com o vencimento de 10 anos (T-Note) ganhando fôlego e impactando as moedas de países emergentes. Aqui, investidores seguem atentos à votação da PEC Emergencial.

Por volta das 13h30, o dólar comercial registrava alta de 1,79%, cotado a R$ 5,7690 para venda. No mercado futuro, o contrato da moeda norte-americana com vencimento em março de 2021 apresentava avanço de 1,56%, cotado a R$ 5,776.

“Os dados da ADP vieram bem abaixo do esperado. O que não tira a atenção dos investidores em relação à inflação norte-americana”, comenta o diretor superintendente de câmbio da Correparti, Jefferson Rugik, acrescentando que a aversão ao risco no exterior sustenta a alta das treasuries.

Segundo dados da Automatic Data Processing (ADP), o setor privado dos Estados Unidos criou 117 mil vagas de trabalho em fevereiro, excluindo o setor rural, enquanto era esperada a criação de 225 mil vagas. O indicador é visto como uma prévia do relatório de empregos (payroll), a ser divulgado na sexta-feira.

Rugik acrescenta que a indefinição em relação à PEC Emergencial também corrobora com a pressão da moeda, enquanto investidores aguardam a votação da pauta prevista para hoje no Senado. “A grande questão da PEC é a contrapartida para a aprovação de uma nova rodada do auxílio emergencial e como o teto de gastos será respeitado”, diz.

As taxas dos contratos de juros futuros (DIs) abriram em alta acompanhando a apreciação do dólar em um dia no qual os investidores reagem com cautela aos encaminhamentos da PEC Emergencial no Congresso e precificam a expectativa de elevação da taxa básica de juro (Selic) na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC).

Por volta das 13h30, o DI para janeiro de 2022 tinha taxa de 3,980%, de 3,865% no ajuste anterior; o DI para janeiro de 2023 projetava taxa de 5,930%, de 5,765%; o DI para janeiro de 2025 ia a 7,71%, de 7,45% ontem; e o DI para janeiro de 2027 tinha taxa de 8,36%, de 8,08%, na mesma comparação.