MERCADO AGORA: Veja um sumário dos negócios até o momento

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Foto: Edrod / freeimages.com

São Paulo – O Ibovespa firmou-se em queda em um pregão no qual a alta dos juros dos títulos da dívida dos Estados Unidos (Treasuries) no mercado secundário afasta os investidores das ações nas principais bolsas de valores do mundo.

Por volta das 13h30 (horário de Brasília), o Ibovespa registrava queda de 0,85% aos 119.333,84 pontos. O volume financeiro do mercado era de aproximadamente R$ 17,1 bilhões. No mercado futuro, o contrato de Ibovespa com vencimento em abril de 2021 apresentava recuo de 1,09%, aos 119.380 pontos.

Analistas de mercado dão como certa a aprovação de um pacote de estímulo de US$ 1,9 trilhão à economia dos Estados Unidos, bem como uma nova rodada de auxílio emergencial no Brasil. “O que antes justificava a alta agora é o motivo de queda”, observa em tom jocoso um experiente operador de renda variável.

Apesar de os sinais de um novo ciclo de expansão das commodities darem continuidade ao rali dos ativos de risco, as dúvidas dos investidores em relação aos impactos econômicos de mais estímulos inibem o fôlego dos mercados de ações pelo mundo. Segundo Pedro Galdi, analista da Mirae Asset, a expectativa é de que isto detenha um eventual avanço do Ibovespa hoje.

Porém, o impacto da alta das commodities sobre os papéis da Petrobras e da Vale sustentam o principal índice de ações da B3 perto da estabilidade.

Analistas consideram que a recente escalada dos juros norte-americanos sinaliza a expectativa dos investidores de que os EUA estão finalmente vencendo a pandemia, com o avanço da vacinação abrindo o caminho para uma retomada robusta da atividade econômica. O que agora incomoda os investidores é que a inflação aumente em um ritmo mais forte do que o esperado.

Por aqui, os agentes do mercado financeiro levam em consideração que o governo não terá como se furtar de uma nova rodada de auxílio emergencial, uma vez que o avanço da doença diante do lento ritmo da vacinação inibe a recuperação econômica. A questão é se a retomada do auxílio emergencial terá alguma contrapartida fiscal ou se colocará em risco o teto de gastos.

Entretanto, nenhum tema da agenda econômica está na pauta desta quinta-feira. A Câmara dos Deputados adiou as votações previstas para hoje para discutir a prisão do deputado Daniel Silveira (PSL-RJ). Ele foi detido depois de proferir ofensas e críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF) e de pedir a destituição dos ministros da Corte.

Após operar em queda na abertura dos negócios, o dólar comercial passou a operar com sinal positivo frente ao real, acima de R$ 5,40, acompanhando a virada do peso mexicano que passou a cair ante a moeda norte-americana, após indicadores econômicos decepcionantes nos Estados Unidos. Os índices futuros das bolsas de Nova York também recuam. Aqui, investidores seguem atentos ao cenário político em meio aos ruídos em torno da prisão do deputado federal Daniel Silveira (PSL-RJ).

Por volta das 13h30, o dólar comercial registrava alta de 0,53%, cotado a R$ 5,4420 para venda. No mercado futuro, o contrato da moeda norte-americana com vencimento em março de 2021 apresentava avanço de 0,50%, cotado a R$ 5,443.

O diretor de uma corretora nacional ressalta que o movimento da moeda local passou a acompanhar o “par” peso mexicano, que também inverteu o sinal após os dados da economia norte-americana. “A volatilidade voltou. Além de uma proteção tradicional, os futuros dos índices [das bolsas] de Nova York também aceleraram as perdas”, reforça.

Há pouco, saíram os dados de novos pedidos de seguro-desemprego nos Estados Unidos na semana encerrada em 13 de fevereiro, no qual subiram para 861 mil, após ter alcançado 848 mil na semana anterior. Os analistas previam 733 mil pedidos. Outro indicador foi o índice de atividade industrial regional medido pelo Federal Reserve Bank da Filadélfia, que caiu de 26,5 pontos em janeiro para 23,1 pontos em fevereiro, enquanto o mercado previa queda para 20,0 pontos.

A equipe da mesa de câmbio da Travelex Bank ressalta que, no mercado doméstico, investidores estão cautelosos após os ruídos políticos com a prisão do deputado Daniel Silveira, ligado à família do presidente Jair Bolsonaro.

“Outro fator que tem contribuído para essa tensão é a falta de definição do auxílio emergencial, o que preocupa o mercado local há semanas em meio ao receio com o teto de gastos”, acrescenta. Para a equipe econômica da XP Investimentos, a prisão de Silveira pode vir “a atrapalhar” as negociações em torno do auxílio emergencial no Congresso.

As taxas dos contratos de juros futuros (DIs) oscilam entre margens estreitas desde a abertura do pregão, com os investidores à espera de novidades vindas de Brasília sobre a nova rodada do auxílio emergencial. Porém, a tensão desde a prisão do deputado bolsonarista Daniel Silveira rouba a cena política, deixando a agenda do governo em segundo plano. A mudança de sinal do dólar, para o positivo, também inibe o viés negativo na curva a termo local.

Às 13h30, o DI para janeiro de 2022 tinha taxa de 3,410%, de 3,415% do ajuste da véspera; o DI para janeiro de 2023 projetava taxa de 5,09%, de 5,06% após o ajuste anterior; o DI para janeiro de 2025 estava em 6,64%, de 6,63% ontem; e o DI para janeiro de 2027 tinha taxa de 7,29%, de 7,30%, na mesma comparação.