MERCADO AGORA: Veja um sumário dos negócios até o momento

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Foto: Sergio Roberto Bichara / freeimages.com

São Paulo – O Ibovespa acelera ganhos acompanhando o tom mais otimista de Bolsas norte-americanas, que tentam recuperar perdas de ontem apesar do avanço da segunda onda de coronavírus nos Estados Unidos, o que ainda pode trazer volatilidade. O dia também é mais positivo na cena doméstica, com investidores analisando balanços e após o índice de atividade do Banco Central, o IBC-Br, ter vindo mais forte do que o esperado pelo mercado.

Por volta das 13h30 (horário de Brasília), o Ibovespa registrava alta de 1,22%, aos 103.759,14 pontos. O volume financeiro do mercado era de aproximadamente R$ 13,9 bilhões. No mercado futuro, o contrato de Ibovespa com vencimento em dezembro de 2020 apresentava avanço de 0,96%, aos 103.890 pontos.

Para o responsável pela mesa de futuros da Genial Investimentos, Roberto Motta, apesar da parada no rali vista nos mercados ontem e do avanço da segunda onda da pandemia, em geral, o cenário ainda deve ser positivo para ativos de risco já que os bancos centrais têm sinalizado que vão continuar a injetar dinheiros nas economias.

“Os dois principais bancos centrais do mundo [os bancos centrais dos Estados Unidos e da Europa] ainda estão no modo de injeção de recursos e isso mantém liquidez nos mercados. Mas a segunda onda é monitorada, já que a Europa já fez restringiu a circulação e os Estados Unidos está sofrendo o impacto de continuar mais aberto”, disse, em live. Ontem, o presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) Jerome Powell, alertou que podem ser necessário mais estímulos monetários e fiscal, diante dos riscos trazidos pela pandemia.

Já no Brasil, apesar de também existirem riscos, o IBC-Br apontou que a está ocorrendo uma recuperação. O índice 1,29% em setembro ante agosto, acima da alta de 0,95% esperada pelo mercado, o que faz com que bancos comecem a rever e ajustar projeções de PIB, com o Itaú Unibanco e Credit Suisse elevando estimativas.

Investidores também seguem analisando balanços depois de uma semana de resultados relevantes. É o caso da Cyrela (CYRE3 4,27%), que divulgou dados do terceiro trimestre e está entre as maiores altas do Ibovespa. Ainda entre as maiores altas estão as ações da Suzano (SUZB3 5,76%), que recebeu recomendação positiva do JPMorgan, além da Embraer (EMBR3 5,12%) e do Grupo NotreDame Intermédica (GNDI3 4,99%).

O dólar comercial oscila forte na primeira parte dos negócios, com os contratos à vista e com vencimento em dezembro operando com sinais positivo e negativo rompendo o nível de R$ 5,50, em meio à um movimento de entrada de fluxo estrangeiro e cautela com o cenário fiscal doméstico após falas do ministro da Economia, Paulo Guedes.

Por volta das 13h30, o dólar comercial registrava alta de 0,54%, sendo negociado a R$ 5,5140 para venda. No mercado futuro, o contrato da moeda norte-americana com vencimento em dezembro de 2020 apresentava avanço de 0,99%, cotado a R$ 5,516.

“O exportador entrou bastante no mercado, junto com um fluxo de entrada de recursos. Parece que teve entrada de novo no início dos negócios. Mas o viés é de proteção local, tanto que estamos descolados do exterior”, diz o diretor superintendente de câmbio da Correparti, Jefferson Rugik.

Ele comenta que o mercado se mostra “incomodado” com as declarações de Paulo Guedes desde ontem ao afirmar que, caso o Brasil tenha uma segunda onda de contaminação por covid-19, assim como a Europa e os Estados Unidos, o auxílio emergencial deverá voltar a ser pago, em um novo “ajuste” do governo federal.

Hoje, em novas falas, o ministro da Economia voltou a afirmar que não aumentará impostos e que é necessário fazer controle dos gastos público. “O teto de gastos é um símbolo, uma bandeira, que acabou virando uma barreira contra a irresponsabilidade e o aumento das finanças públicas”, disse Guedes durante participação no Encontro Nacional de Comércio Exterior.

“O mercado quer saber com que dinheiro esse possível auxílio emergencial seria pago já que não haverá aumento de impostos e o governo pretende controlar os gastos. Os investidores estão temerosos com o cenário fiscal na medida em que vai chegando o fim do ano sem sabermos o que vai acontecer em 2021, qual será o orçamento público. O que eleva a cautela”, pondera o profissional da Correparti.

As taxas dos contratos de juros futuros (DIs) seguem oscilando entre margens estreitas, mas apagaram o viés de alta ensaiado logo na abertura do pregão e agora exibem um ligeiro viés negativo. A indefinição da curva a termo acompanha a redução do apetite por risco nos demais mercados, diante das preocupações com os impactos econômicos da segunda onda de coronavírus, o que demandaria estímulos adicionais, inclusive no Brasil.

Às 13h30, o DI para janeiro de 2022 tinha taxa de 3,36%, de 3,38% no ajuste anterior; o DI para janeiro de 2023 projetava taxa de 4,97%, de 4,98% após o ajuste ontem; o DI para janeiro de 2025 estava em 6,75%, de 6,75%; e o DI para janeiro de 2027 tinha taxa de 7,53%, de 7,56%, na mesma comparação.