MERCADO AGORA: Veja um sumário dos negócios até o momento

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Gráfico

São Paulo – O Ibovespa mostra instabilidade, sem um rumo definido, depois de uma sequência de seis pregões seguidos de alta, com investidores ajustando posições. O cenário externo segue mostrando otimismo amparado por esperanças sobre vacinas contra o coronavírus e uma definição nas eleições norte-americanas, mas balanços corporativos e declarações polêmicas na cena local também são monitoradas.

Por volta das 13h30 (horário de Brasília), o Ibovespa registrava queda de 0,39%, aos 104.654,21 pontos. O volume financeiro do mercado era de aproximadamente R$ 18,4 bilhões. No mercado futuro, o contrato de Ibovespa com vencimento em dezembro de 2020 apresentava recuo de 0,06%, aos 104.780 pontos.

As ações de varejistas que possuem e-commerce, como a Via Varejo, e da B3 lideram os ganhos à espera de seus balanços do terceiro trimestre. Por outro lado, papéis como os da Petrobras e de bancos, que têm grande peso no índice, devolvem partes das fortes altas vistas ontem.

“Lá fora segue com um tom otimista e algumas empresas que tiveram quedas mais expressiva ontem, como as de e-commerce, voltaram a subir. Temos também um dia importante na temporada de balanços, com dados da Via Varejo, Marfrig, JBS, Rumo, entre outras após o fechamento do mercado”, disse o analista da Necton Corretora, Glauco Legat.

Os papéis da Via Varejo (VVAR3 4,37%) mostram a maior alta do Ibovespa no momento e puxa outros papéis como os da B2W (BTOW3 2,24%). Ao lado dessas empresas, ainda estão os papéis da Totvs (TOTS3 4,05%) e da B3 (B3SA3 3,21%), que também haviam caído ontem. O balanço da Via Varejo será conhecido ainda hoje, enquanto do B3 amanhã.

Na contramão, as maiores quedas do índice são da Braskem (BRKM5 -6,33%), da Ultrapar (UGPA3 -3,91%) e da Petro Rio (PRIO3 -2,98%). A Braskem reflete seus dados do terceiro trimestre, que tiveram alguns pontos positivos, mas mostraram provisão adicional, enquanto Ultrapar e Petro Rio devolvem ganhos de ontem.

Também estão em queda papéis de peso como os da Petrobras (PETR4 -1,90%) e de bancos, caso do Bradesco (BBDC4 -0,24%) e do Santander (SANB11 -1,27%).

O analista lembra que tem ocorrido uma rotação de setores nos últimos pregões, movimento que tem escala global. De um lado, estão os papéis de setores que já subiram bastante durante a pandemia, como as ações de e-commerce e tecnologia, e, do outro lado, papéis que sofreram mais impacto da covid-19, como os energia e petróleo, shoppings, aviação, bancos, entre outros. Ontem, com maior apetite ao risco no exterior, investidores voltaram a comprar as ações dos setores descontados, movimento que mostra certo ajuste hoje.

Além dessa rotação, investidores estão atentos ao cenário político doméstico, com declarações do ministro da Economia, Paulo Guedes, sobre hiperinflação, e do presidente Jair Bolsonaro, sobre os Estados Unidos e vacinas, trazendo certo desconforto para o mercado.

O dólar comercial exibe forte volatilidade na primeira parte dos negócios e oscila sem direção única frente ao real, mas com viés de queda, em movimento local e descolado do exterior em meio à entrada de fluxo estrangeiro.

Por volta das 13h30, o dólar comercial registrava alta de 0,12%, sendo negociado a R$ 5,3970 para venda. No mercado futuro, o contrato da moeda norte-americana com vencimento em dezembro de 2020 apresentava recuo de 0,37%, cotado a R$ 5,399.

O diretor superintendente de câmbio da Correparti, Jefferson Rugik, destaca que, com a moeda nos níveis de R$ 5,45 mais cedo, houve “bastante” venda por parte do exportador. “Além da entrada de um fluxo positivo vindo de uma captação de recursos da CSN. Isso ajudou a derrubar o dólar”, diz.

Lá fora, o movimento é de valorização da divisa norte-americana mesmo em meio ao feriado local, mas com as bolsas de Nova York funcionando normalmente. “É dia do Veterano lá, o que significa pouca movimentação nos mercados de renda fixa”, comenta o economista-chefe da SulAmérica Investimentos, Newton Rosa.

As taxas dos contratos de juros futuros (DIs) seguem em alta, com o ritmo de colocação de prêmios ganhando força ao longo da curva a termo, principalmente no trecho longo. Os riscos fiscais e os ruídos políticos pressionam os negócios locais, a despeito do otimismo que prevalece no exterior quanto à possibilidade de estímulos adicionais, passadas as eleições nos Estados Unidos. Os investidores também digerem os dados das vendas do varejo brasileiro.

Às 13h30, o DI para janeiro de 2022 tinha taxa de 3,41%, de 3,30% no ajuste anterior; o DI para janeiro de 2023 projetava taxa de 4,99%, de 4,82% após o ajuste ontem; o DI para janeiro de 2025 estava em 6,69%, de 6,50%; e o DI para janeiro de 2027 tinha taxa de 7,46%, de 7,24%, na mesma comparação.