MERCADO AGORA: Veja um sumário dos negócios até o momento

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São Paulo – Embora já tenha perdido um pouco de força, o Ibovespa segue em alta puxado principalmente pelas ações do Itaú Unibanco, que têm grande peso no índice e reagem positivamente à notícia de que o banco pretende transformar seu investimento da XP em uma nova companhia. No entanto, as eleições nos Estados Unidos ainda podem trazer volatilidade, já que a disputa entre o presidente Donald Trump e o candidato democrata Joe Biden segue acirrada e sem definição.

Por volta das 13h30 (horário de Brasília), o Ibovespa registrava alta de 2,02%, aos 97.921,57 pontos. O volume financeiro do mercado era de aproximadamente R$ 18,0 bilhões. No mercado futuro, o contrato de Ibovespa com vencimento em dezembro de 2020 apresentava avanço de 2,39%, aos 98.090 pontos.

Os papéis do Itaú Unibanco (ITUB4 5,90%) estão entre as maiores altas do Ibovespa no momento. Para os analistas do Credit Suisse, Marcelo Telles e Otavio Tanganelli, a transação que está sendo estudada pelo banco em relação à XP seria uma vitória o banco, “destravando um valor significativo”. Eles destacam que a nova companhia nasceria com mais de 500 mil investidores e com um “free float” (ações em circulação no mercado) potencial de R$ 29 bilhões. O Itaú também divulgou o seu balanço do terceiro trimestre, que foi considerado levemente positivo pelos analistas.

Ainda entre as maiores altas do Ibovespa estão as ações do Magazine Luiza (MGLU3 5,04%) e da Via Varejo (VVAR3 4,20%), que ainda devem divulgar seus balanços na semana que vem.

No exterior, o foco dos mercados segue nas eleições norte-americanas, com Bolsas chegando a se animar, mas mostrando volatilidade diante da indefinição e possibilidade de contestação do resultado.

No momento, Biden tem 238 delegados contra 213 de Trump, sendo que para se tornar presidente são necessários 270 delegados. A disputa, agora, se concentra em estados-chave, como Michigan, Wisconsin e Pensilvânia, que ainda contam votos e não tem prazo definido para terminar a apuração. Mesmo com o pleito indefinido, Trump declarou vitória e disse que vai à Suprema Corte parar a contagem de votos e impedir uma fraude.

Para o economista Dan Kawa, que também é CIO da TAG Investimentos, seja quem ganhar, o cenário pode ser complicado para a aprovação de medidas e de um pacote de estímulos dependendo da configuração do Congresso, embora o mercado possa se animar em um primeiro momento. “Acho que se Biden levar, com Senado Republicano e Câmara Democrata é um ambiente ruim para ativos americanos. Talvez, apenas talvez, o mercado queira se animar no curto-prazo de qualquer forma, mas os impactos negativos serão sentidos a longo-prazo”, avalia.

Ainda nos Estados Unidos, foram divulgados dados abaixo do esperado pelo mercado de criação de vagas de trabalho em outubro.

Já na cena política local, Kawa viu como um sinal positivo a aprovação do projeto que propõe a autonomia do Banco Central ontem no Senado. O projeto ainda precisa ser aprovado pela Câmara dos Deputados.

O dólar comercial tem queda firme na primeira parte dos negócios, mas desacelerou as perdas frente ao real após operar nas mínimas da sessão, a R$ 5,68, com investidores de olho na apuração das eleições dos Estados Unidos, iniciadas ontem e que podem não ter data para encerrar, o que gera forte incerteza no mercado. Há pouco, o candidato democrata, Joe Biden, ampliou a vantagem no estado de Michigan, dado como decisivo para a eleição do novo presidente do país.

Por volta das 13h30, o dólar comercial registrava queda de 1,76%, sendo negociado a R$ 5,6610 para venda. No mercado futuro, o contrato da moeda norte-americana com vencimento em dezembro de 2020 apresentava recuo de 1,68%, cotado a R$ 5,665.

Porém, as incertezas são fortes em torno do eleito, já que a disputa entre o atual presidente, Donald Trump, e Biden está mais acirrada do que o previsto, após pesquisas eleitorais apontarem nas últimas semanas vantagem considerável do candidato do partido democrata.

“Falava-se até em ‘onda azul’ com a oposição ganhando a presidência e o Senado, e mantendo a Câmara dos Deputados. Porém, com a apuração tendo varado a madrugada, a vantagem de Biden reduziu-se significativamente. Estados-chave como Flórida, Texas e Ohio elegeram Trump”, comenta o estrategista-chefe da Levante, Rafael Bevilacqua.

Ele acrescenta que a principal preocupação dos investidores não é tanto o resultado do pleito, mas quando ele será oficialmente conhecido e reconhecido. “São grandes as probabilidades de uma contestação jurídica, com duração e resultados imprevisíveis”, reforça.

“Em tempos de pandemia e de eleição nos Estados Unidos, a única certeza que fica é a forte volatilidade e amplitude cambial”, acrescenta o diretor de uma corretora nacional.

As taxas dos contratos de juros futuros (DIs) seguem em queda, acompanhando o recuo acelerado do dólar, que é cotado abaixo de R$ 5,70, e o ambiente externo favorável aos ativos de risco no exterior. O movimento de retirada de prêmios ocorre apesar da indefinição no cenário eleitoral nos Estados Unidos e dos riscos locais em relação às contas públicas no Brasil.

Às 13h30, o DI para janeiro de 2022 tinha taxa de 3,45%, de 3,53% no ajuste anterior; o DI para janeiro de 2023 projetava taxa de 5,04%, de 5,19% após o ajuste ontem; o DI para janeiro de 2025 estava em 6,74%, de 6,92%; e o DI para janeiro de 2027 tinha taxa de 7,52%, de 7,69%, na mesma comparação.