MERCADO AGORA: Veja um sumário dos negócios até o momento

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Foto: Svilen Milev / freeimages.com

São Paulo – O Ibovespa acelerou perdas, chegando a cair mais de 2% há pouco, seguindo de perto a piora de Bolsas norte-americanas. Há uma intensificação da cautela diante de balanços de grandes empresas de tecnologia, do aumento de casos de coronavírus e da proximidade das eleições presidenciais no país, na próxima terça-feira.

Por volta das 13h30 (horário de Brasília), o Ibovespa registrava queda de 2,12%, aos 94.526,23 pontos. O volume financeiro do mercado era de aproximadamente R$ 15,1 bilhões. No mercado futuro, o contrato de Ibovespa com vencimento em dezembro de 2020 apresentava recuo de 1,14%, aos 94.645 pontos.

“O dia é mais negativo depois da recuperação de ontem dos mercados, sobrou até para as grandes empresas de tecnologia dos Estados Unidos. Semana que vem ainda tem eleições americanas, reunião do Fed [banco central norte-americano] e payroll [dados do mercado de trabalho norte-americano], ou seja, ainda tem mais, e o nome do jogo é volatilidade”, disse o estrategista da Genial Investimentos, Filipe Villegas, em live.

Em sessão de forte volatilidade, após romper o nível de R$ 5,80 – no maior valor intraday desde 15 de maio – o dólar comercial oscila próximo à estabilidade e sem rumo único após o Banco Central (BC) realizar uma operação de venda de dólares no mercado à vista em meio à tradicional disputada pela formação de preço da taxa Ptax – média das cotações apuradas pelo BC – de fim de mês.

Por volta das 13h30, o dólar comercial registrava queda de 0,10%, sendo negociado a R$ 5,7590 para venda. No mercado futuro, o contrato da moeda norte-americana com vencimento em novembro de 2020 apresentava recuo de 0,12%, cotado a R$ 5,772.

“Hoje é dia de clássico e os comprados estão mais fortes na briga pela Ptax, o que leva o dólar a trabalhar em total descompasso com as moedas emergentes”, destaca o diretor de câmbio de uma corretora nacional.

O consultor de câmbio da corretora Advanced, Alessandro Faganello, reforça que, além da “guerra da Ptax”, a cautela deve continuar com as eleições norte- americanas “batendo à porta” e com o fim de semana prolongado no Brasil. “O retorno pós-feriado promete ser bem desafiador”, diz. Na semana que vem, tem ainda a decisão de política monetária do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos).

No último pregão de outubro, o economista-chefe da Infinity Asset, Jason Vieira, destaca que o mês termina em uma semana de extrema volatilidade, dados econômicos e corporativos que mexeram com o mercado, além de situações políticas desafiadoras e o retorno da pandemia, com um avanço da covid-19 na Europa e nos Estados Unidos.

Ele acrescenta que a expectativa, sempre renovada, de um plano de estímulo fiscal norte-americano sustentou um mercado local e global positivo até o início desta semana. “Porém, como o mercado não recebeu o estímulo necessário, se instalou uma crise de abstinência que trouxe à tona o problema pandêmico”, avalia.

Ao renovar máximas sucessivas acima de R$ 5,80, o Banco Central entrou no mercado com um leilão de venda de dólares no mercado à vista, ofertando um lote mínimo de US$ 1,0 bilhão. Foram aceitas nove propostas no valor total de US$ 787,0 milhões. O diretor de uma corretora nacional citado acima diz que a operação é “difícil” de acontecer em meio à Ptax, porém, “estamos em um novo mundo”, diz.

As taxas dos contratos de juros futuros (DIs) firmaram-se em alta e mostram uma intensa colocação de prêmios, pressionadas pelo alta firme do dólar, que já testa a faixa de R$ 5,80 e também pelo ambiente externo mais avesso ao risco, o que pesa nas bolsas. Os investidores monitoram o acúmulo de incertezas no Brasil e no exterior.

Às 13h30, o DI para janeiro de 2022 tinha taxa de 3,47%, de 3,43% no ajuste anterior; o DI para janeiro de 2023 projetava taxa de 5,07%, de 4,97% após o ajuste ontem; o DI para janeiro de 2025 estava em 6,84%, de 6,71%; e o DI para janeiro de 2027 tinha taxa de 7,65%, de 7,50%, na mesma comparação.