MERCADO AGORA: Veja um sumário dos negócios até o momento

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Foto: Svilen Milev / freeimages.com

São Paulo – Após sem uma direção clara desde a abertura do pregão, o Ibovespa passou a operar em leve queda seguindo o movimento de cautela das Bolsas norte-americanas e em meio a divulgação de balanços corporativos. Os papéis do Santander, por exemplo, recuam mostrando uma realização de lucros depois que o resultado veio positivo como o esperado pelo mercado. As ações da Petrobras também pressionam o índice negativamente.

Por volta das 13h30 (horário de Brasília), o Ibovespa registrava queda de 0,87%, aos 100.130,00 pontos. O volume financeiro do mercado era de aproximadamente R$ 13,1 bilhões. No mercado futuro, o contrato de Ibovespa com vencimento em dezembro de 2020 apresentava recuo de 1,03%, aos 100.300 pontos.

Para o analista da Terra Investimentos, Régis Chinchila, “investidores estão segurando as posições” em torno deste patamar de 100 mil pontos e em um dia sem grandes novidades até o momento.

As Bolsas norte-americanas também estão operando com variações modestas e instabilidade, mas mostram queda na sua maioria. A chance de sair um acordo sobre o novo pacote de estímulos econômicos nos Estados Unidos diminui conforme as eleições presidenciais do dia 3 de novembro ficam mais próximas. O presidente Donald Trump acusou a presidente da Câmara dos Deputados, a democrata Nancy Pelosi, de adiar um acordo por interesses políticos.

Além disso, o mercado segue monitorando o aumento de casos de coronavírus no país e principalmente na Europa, onde governos têm tomado mais medidas de restrição social. Na região, as Bolsas têm sofrido mais e operam em queda no momento.

Entre as ações, as de bancos, que vinham de uma sequência de pregões positivos na expectativa de balanços, mostram maior fraqueza hoje, com destaque para os papéis do Santander (SANB11 -1,43%), com investidores embolsando lucros depois que já havia sido precificado um balanço positivo. Segundo a Levante Investimentos, o resultado “veio um pouco acima do esperado, com a redução do custo de crédito, sem PDD [provisão para devedores duvidosos] complementares e com recuperação de rentabilidade medido pelo retorno sobre o patrimônio líquido”.

Os papéis da Petrobras (PETR3 -1,93%; PETR4 -1,62%) também operam em queda apesar da alta dos preços do petróleo hoje e estão entre as maiores perdas do Ibovespa. Ainda entre as maiores perdas estão as ações da Via Varejo (VVAR3 -2,85%) e dos frigoríficos JBS (JBSS3 -2,15%) e Marfrig (MRFG3 -2,49%).

Na contramão, as maiores altas do índice são da Localiza (RENT3 4,08%) e de siderúrgicas, como Usiminas (USIM5 4,29%) e Gerdau (GGBR4 2,60%). A Localiza divulga hoje após o fechamento do mercado os seus resultados do terceiro trimestre.

Após oscilar na abertura dos negócios, o dólar comercial firmou alta frente ao real e acelera os ganhos, renovando máximas sucessivas acima de R$ 5,65, influenciado pela contínua onda de contaminação do novo coronavírus, principalmente na Europa e nos Estados Unidos. Além disso, o impasse em relação às tratativas de um novo pacote de estímulo fiscal norte-americano às vésperas da eleição presidencial eleva o sentimento de cautela.

Por volta das 13h30, o dólar comercial registrava alta de 0,76%, sendo negociado a R$ 5,6560 na venda. No mercado futuro, o contrato da moeda norte-americana com vencimento em novembro de 2020 apresentava avanço de 0,52%, cotado a R$ 5,656.

O consultor de câmbio da corretora Advanced, Alessandro Faganello, ressalta o ambiente de cautela que prevalece nos ativos em meio à proximidade das eleições nos Estados Unidos e ao aumento de casos de covid-19 nos principais países da Europa, o leva alguns governos europeus a adotarem medidas restritivas mais fortes.

Enquanto isso, o número de casos confirmados também dispara nos Estados Unidos. “Algo que Trump [Donald, presidente norte-americano] diz ocorrer porque o país tem feito mais testes nas pessoas”, diz Faganello.

Ainda sobre os Estados Unidos, outro assunto que pesa no mercado é que a aprovação do tão esperado pacote de estímulo fiscal deverá ficar para depois das eleições presidenciais. “A Casa Branca informou que vê um acordo potencial sobre o financiamento de estímulo nas próximas semanas. Como o Senado teve atividades suspensas até o dia 9, reduz as perspectivas de uma solução rápida”, acrescenta o profissional da Advanced.

As taxas dos contratos de juros futuros (DIs) firmaram-se em alta, principalmente nos vértices intermediários e longos, com os investidores aguardando alterações na comunicação do Banco Central, ao final da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), amanhã, em meios aos crescentes riscos fiscais e aos sinais de pressão inflacionária. O tradicional leilão de títulos públicos do dia, com uma oferta grande de papéis atrelados à inflação (NTN-B), também pressiona a curva a termo.

Às 13h30, o DI para janeiro de 2022 tinha taxa de 3,44%, de 3,43% no ajuste anterior; o DI para janeiro de 2023 projetava taxa de 4,93%, de 4,88% após o ajuste ontem; o DI para janeiro de 2025 estava em 6,68%, de 6,60%; e o DI para janeiro de 2027 tinha taxa de 7,51%, de 7,43%, na mesma comparação.