MERCADO AGORA: Veja um sumário dos negócios até o momento

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Foto: Myles Davidson / freeimages.com

São Paulo – O Ibovespa mostra volatilidade acompanhando uma piora das Bolsas norte-americanas, com os índices S&P 500 e Dow Jones passando a cair mais de 2% em meio ao aumento de casos de coronavírus e ausência de um pacote de estímulos econômicos. Por outro lado, ações como as de bancos e da Ambev, que têm grande peso no índice, seguem em alta na expectativa de balanços que serão divulgados nesta semana.

Por volta das 13h30 (horário de Brasília), o Ibovespa registrava alta de 0,13%, aos 101.392,34 pontos. O volume financeiro do mercado era de aproximadamente R$ 10,3 bilhões. No mercado futuro, o contrato de Ibovespa com vencimento em dezembro de 2020 apresentava recuo de 0,10%, aos 101.540 pontos.

“Investidores não estão acreditando nas chances de aprovação de um pacote antes das eleições presidenciais, que são no dia 3 de novembro. Além disso, como a maioria dos votos deve ser pelo correio a contagem pode demorar, isso ajuda a trazer aversão ao risco”, disse o sócio da Criteria Investimentos, Vitor Miziara.

Miziara também destaca o elevado número de casos de coronavírus em países europeus, como as Espanha, e nos Estados Unidos, onde há discussões se será necessário aumentar ou não medidas de restrição social.

Nos Estados Unidos, foi alcançado um novo recorde de casos diários, com mais de 83 mil infecções na sexta-feira e no sábado, segundo dados na Universidade Johns Hopkins. Já a Espanha, que declarou estado nacional de emergência e anunciou um toque de recolher das 23h às 6h.

Por outro lado, ações como as da Ambev (ABEV3 2,73%) e do Santander (SANB11 3,20%) seguem entre as maiores altas do Ibovespa. O Santander deve divulgar seus balanços amanhã, com expectativas que o setor bancário possa mostrar bons resultados. Já a Ambev divulgará seu balanço na quinta-feira, em meio a aumento de vendas de cerveja no mercado doméstico.

Também seguem em alta os papéis da Eletrobras (ELET3 1,16%; ELET6 1,58%), embora já tenham reduzido ganhos. O economista da Guide Investimentos, Victor Beyruti Guglielmi, destaca que segundo nota do jornal “O Globo”, o ministro da Economia, Paulo Guedes, já angariou o apoio necessários para aprovar a privatização da Eletrobras no Senado. Segundo a nota, só seria necessário construir uma maioria na Câmara dos Deputados. A notícia vem na esteira de outros desenvolvimentos positivos na pauta de privatizações, como a apresentação do projeto que visa quebrar o monopólio dos Correios em outubro.

“O fluxo de notícias em torno da pauta de privatizações do governo tem ganhado força nos últimos meses. Ao nosso ver, a Eletrobras, os Correios, o Porto de Santos e os contratos do petróleo do Pré-Sal (PPSA) aparentam ser alvos mais realistas para um eventual processo de privatização/venda. Mas, como a pauta de 2020 está cheia e o fim do ano se aproxima, o mais provável é que nada concreto seja conquistado antes de 2021”, avalia o economista.

Após abrir em alta, chegando na máxima de R$ 5,6640 (+0,58%), o dólar comercial passou a cair no final da semana com investidores demonstrando cautela diante do avanço dos casos do novo coronavírus pelos Estados Unidos e na Europa. Além disso, a semana será de indicadores e balanços financeiros relevantes.

Por volta das 13h30, o dólar comercial registrava queda de 0,17%, sendo negociado a R$ 5,6210 na venda. No mercado futuro, o contrato da moeda norte-americana com vencimento em novembro de 2020 apresentava ligeiro recuo de 0,03%, cotado a R$ 5,621.

“A semana é caracterizada por uma agenda de eventos forte com os investidores monitorando a corrida presidencial norte-americana, a disseminação da covid-19, balanço de big techs e as negociações acerca da esfera fiscal estadunidense”, explicou Pedro Molizani, trader da mesa de câmbio Travelex Bank.

No que se refere ao mercado doméstico, Molizani afirma que terá a decisão do Comitê de Política Monetária com o balanço da Vale e da Petrobrás ficam no radar dos agentes econômicos. “A expectativa na taxa básica de juros é de que o Copom mantenha em 2% na quarta-feira, trazendo consigo avaliações mais recentes da inflação e do quadro fiscal brasileiro. Isso porque em outubro já houve uma aceleração nos preços dos produtos industriais no IPCA-15”, disse o especialista.

As taxas dos contratos de juros futuros (DIs) seguem com oscilações estreitas, mas ensaiam um ligeiro viés negativo, tentando devolver parte dos prêmios embutidos ao final da semana passada, quando os sinais de pressão inflacionária e os riscos fiscais pressionaram a

curva a termo. Ainda assim, a movimentação é tímida, com os investidores à espera do desfecho da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), em uma semana de agenda econômica cheia.

Às 13h30, o DI para janeiro de 2022 tinha taxa de 3,43%, de 3,47% no ajuste anterior, ao final da semana passada; o DI para janeiro de 2023 projetava taxa de 4,86%, de 4,92% após o ajuste da última sexta-feira; o DI para janeiro de 2025 estava em 6,59%, de 6,62%; e o DI para janeiro de 2027 tinha taxa de 7,43%, de 7,47%, na mesma comparação.